Caciques petistas querem utilizar o ex-presidente Lula para defender os pontos sugeridos pelo partido na reforma política

A Executiva Nacional do PT pretende utilizar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma “isca” nas discussões sobre a reforma política. O presidente de honra do partido será convidado a coordenar o comitê oficializado ontem para defender os pontos sugeridos pelos petistas para a reforma, como o financiamento público de campanha e o fim das coligações nos pleitos proporcionais para deputado e vereador. O colegiado debaterá as propostas com setores da sociedade civil, deputados e senadores, e encaminhará uma proposta final à presidente Dilma Rousseff e ao Congresso Nacional.

Os líderes petistas se reuniram ontem na sede do partido no Setor Comercial Sul para traçar uma estratégia para as discussões da reforma. Desde o início da Legislatura, no mês passado, diversos setores brigam pelo capital político da discussão. Prova disso é a abertura de duas comissões simultâneas, na Câmara dos Deputados e no Senado, para tratar do tema. A reforma política também motivou a movimentação nos partidos. O embate, no entanto, também se repete entre os partidos.

No PMDB é o vice-presidente, Michel Temer, quem dá as cartas e tenta aglutinar apoio em torno do voto majoritário e por distrito. No PT, o garoto propaganda ideal seria Lula. “Além de pedir o engajamento de Lula nessa discussão com movimentos organizados como CUT, OAB, Igreja e Movimento Ficha Limpa, vamos elaborar uma cartilha explicando as posições do partido para vencer a resistência da sociedade, principalmente em relação ao financiamento público de campanha”, explicou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE).

Cinco anos
O PT pretende reforçar nos próximos meses as posições já definidas em convenção promovida no ano passado. Além do financiamento público e do fim das coligações para pleitos proporcionais, fazem parte da bandeira petista a lista fechada, a cláusula de barreira e a fidelidade partidária. Como as propostas opõem partidos da própria base, o governo vai se manter afastado do debate. “Há muitas divergências na base em torno da reforma política. Mesmo o PMDB não consegue consenso interno. A discussão não envolve uma disputa entre governo e oposição, a discussão pertence aos partidos”, justifica o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

No Senado, a Comissão de Reforma Política aprovou ontem a manutenção do voto obrigatório e inclusão no relatório final dos trabalhos uma ampliação no tempo de duração dos mandatos para o Executivo. O presidente da República, governadores e prefeitos permanecerão no posto por cinco anos, sem direito a reeleição. Além dos políticos, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) articula para reeditar a estratégia utilizada na aprovação do projeto da Ficha Limpa. A ideia é reunir assinaturas suficientes para protocolar no Congresso uma proposta de iniciativa popular.

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