Temer diz que saída de advogada não prejudica trabalho da equipe de transição

O afastamento da advogada Christiane Araújo de Oliveira da equipe de transição do novo governo, devido a acusações de envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas, não prejudicará o trabalho do grupo. A equipe estará reunida normalmente na próxima terça-feira (16/11/2010), em Brasília, para continuar com a montagem administrativa do governo da presidenta eleita Dilma Rousseff.

A informação é do presidente da Câmara dos Deputados e vice-presidente da República eleito, Michel Temer, que conversou hoje (12) com os correspondentes brasileiros na Argentina. Segundo Temer, há diferenças significativas entre alguém se beneficiar de um eventual delito e, no caso de Christine Araújo, ter sido advogada dos acusados de integrar a máfia dos sanguessugas. “Ser advogado”, disse Temer, “é obedecer ao princípio constitucional de ampla defesa, não importa para quem seja. Esse fato não complica o trabalho da equipe de transição porque ela é apenas administrativa”.

Temer ressaltou que na primeira reunião do grupo, do qual é o coordenador, verificou que já existia um quadro completo de todos os setores da administração pública, preparado pela Casa Civil. “Eu não vejo como a participação de uma pessoa entre as 39 que estão na comissão possa prejudicar o trabalho. O maior feito da equipe será a formação do governo, que é a montagem dos ministérios”.

Michel Temer disse que a equipe de transição trabalha com dois momentos diferentes: o primeiro, que está acontecendo agora, é verificar a equação da coalização política do governo, já que houve uma pré-definição da presidenta eleita Dilma Rousseff. “Naturalmente”, disse ele, “a presidenta irá examinar os pleitos e depois verificar os nomes. Este é o segundo momento da equipe de transição, que dependerá do desejo e da vontade da presidenta eleita”.

Temer também comentou notícias veiculadas pela imprensa sobre a possível indicação de Nelson Jobim para ocupar o Ministério das Relações Exteriores em substituição a Celso Amorim. O vice-presidente da República eleito disse que apresentou sugestões à equipe de transição. “A primeira foi manter o atual quadro do governo, tal como está. A segunda sugestão, depois de uma conversa com o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Eduardo Dutra, foi que se houvesse necessidade de modificar esse quadro, que houvesse uma compensação para mantê-lo. Mas isso foi uma sugestão, não significa uma decisão”.

Michel Temer afirmou que não acredita nas “mensagens” que já indicariam nomes para o futuro governo e a substituição de atuais ministros. “Não consigo fazer essa leitura. Ou seja: ‘a presidenta Dilma foi para a Coreia com o ministro Mantega, mas não foi com o chanceler Amorim. Isso significa que o Amorim está descartado’. Não consigo fazer essa leitura. Essas coisas evoluem tanto ao longo das discussões sobre a ocupação de ministérios que nem sei se Mantega continuará ou se Amorim será descartado. Não faço essa leitura. Tenho medo de fazer leituras de ‘mensagens’ que nem sempre refletem a realidade”.

O vice-presidente da República eleito comentou, ainda, a crise que envolve o Banco PanAmericano, do Grupo Sílvio Santos, acusado de irregularidades contábeis. Temer disse que acompanhou o episódio apenas pelas notícias na imprensa e não tem condições de fazer uma avaliação técnica sobre o assunto. “Pelo que eu acompanhei no noticiário”, disse, “verifico que o governo permitiu que o banco continuasse suas atividades. Toda vez que um banco quebra, cria um problema no mercado financeiro. O que o governo fez foi permitir que o banco continuasse em atividade”.

Segundo Michel Temer, isso revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva governou para todos os setores da sociedade. “Muitas vezes se diz que ele governou apenas para as pessoas do [Programa] Bolsa Família, mas este caso do banco revela uma visão global do governo. É preciso lembrar o caso do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional(Proer). Houve um momento do Proer em que os bancos foram socorridos exatamente para evitar uma quebra generalizada. Acho que esta é uma das funções do governo. Não tenho condições de fazer uma avaliação técnica do caso. Essa avaliação deve ter sido feita pelo Banco Central e dessa avaliação surgiu a atitude do governo”. O vice-presidente eleito participou, em Buenos Aires, do encerramento do 6º Foro Parlamentar Ibero-Americano.

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