Ofício dos Vaqueiros pode ser reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia

Estão em fase de conclusão as pesquisas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), que fundamentarão o registro do Ofício dos Vaqueiros como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia.

O pedido para o reconhecimento do ofício dos vaqueiros foi solicitado em agosto deste ano pelo integrante do Conselho Estadual de Cultura (CEC), Washington Queiroz, pós-graduado em Antropologia, com especialização em Etnologia Indígena, e pesquisador renomado da cultura do Sertão e da região do semiárido baiano.

Washington Queiroz é também membro da Associação Brasileira de Antropologia e entre os trabalhos de sua autoria está o projeto Histórias de Vaqueiros: Vivências e Mitologia, além de vídeos, ensaios, publicações, campanhas e eventos sobre vaqueiros.

Dois momentos

As pesquisas de Queiroz apontam que na Bahia, já em 1550, a família do colonizador português Garcia D’Ávila expedia vaqueiros para colonizar e ocupar terras internas do Brasil. De acordo com pesquisa, dois momentos marcaram o percurso dos vaqueiros no estado.

O primeiro momento aconteceu no século 16, saindo da Casa da Torre, atual localidade de Praia do Forte, município de Mata de São João. Daí, essas expedições atingiam os rios Jacuípe, Itapicuru, até o Paraguaçu e Rio de Contas, formando pontos de encontro nas feiras e estabelecendo os primeiros currais.

O segundo se dá na segunda metade do século 18, quando são erguidas as primeiras casas de fazenda. Queiroz destaca que a marcha dos vaqueiros exigiu o desenvolvimento de técnicas e procedimentos que possibilitassem desbravamento de caatingas, matas, agrestes, chapadas, cerrados e planaltos à procura de pastos para o gado crescente, que já não podia mais ocupar apenas a orla atlântica da Bahia.

Logo após a solicitação de Washington Queiroz, o Ipac colocou equipe de pesquisadores em campo, integrada por historiadores, museólogos, geólogos, sociólogos, antropólogos e comunicólogos.

“Vestimentas, maneiras de cantar e falar, habitar, trabalhar e lidar com o gado são características próprias do ofício dos vaqueiros”, relata o gerente de Pesquisas (Gepel) do Ipac, Mateus Torres.

Segundo Matheus, eles desbravaram a região Nordeste do país tornando o interior, até então desconhecido, em locais habitáveis, com comunidades que se tornaram cidades. “Seus movimentos por três séculos se complementam aos ciclos econômicos da cana-de-açúcar, mineração e ciclo do gado”, afirma o técnico do Ipac.

Reconhecimento

Um bem intangível ou imaterial só passa a ser reconhecido oficialmente como Patrimônio da Bahia, por meio de decreto do governador, após passar pela análise do Conselho Estadual de Cultura. Com aval do CEC, o dossiê do Ipac passa para a Secretaria de Cultura e depois para o governador, que sanciona ou não.

Um dossiê é composto por pesquisas de campo, bibliografias e acervo textual e imagético produzidos pelo Ipac para justificar o registro do bem imaterial. Até o final deste mês o Ipac deve enviar os estudos para avaliação dos conselheiros de Cultura.

Por intermédio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, o governo do Estado já reconheceu como patrimônios imateriais a Festa de Santa Bárbara, de Salvador, o Cortejo do 2 de Julho, também da capital, o Carnaval de Maragojipe, no Recôncavo baiano, a Festa da Boa Morte, em Cachoeira, Capoeira e, até final deste ano, o Desfile dos Afoxés.

As pesquisas do Ipac podem durar de seis meses a dois anos, dependendo do tema pesquisado. “O dossiê deve provar, por meio da reconstituição histórica, com registros documentais, imagéticos e depoimentos, que o bem cultural merece ser reconhecido pelo Estado e não somente representar uma localidade”, esclarece Torres.

As prefeituras são responsáveis por patrimônios de relevância municipal, o governo estadual por bens representativos para a Bahia, enquanto o governo federal fica com a tutela dos bens nacionais. Mais informações sobre registros de bens imateriais são obtidas no site do Ipac ou pelo da Gepel/Ipac – (71) 3116-6741.

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