O tricolor voltou

Cresci ouvindo a lenda da grande façanha de 1959, quando o Bahia se tornou Campeão da Taça Brasil, batendo o Santos de Pelé. Em 1988 o Bahia repete o feito, Campeão Brasileiro com toda a pompa e circunstância, embalado pelo “toque sutil de Bobô”.

De dona Dalva, minha mãe, herdei o ensinamento de amar a Deus sobre todas as coisas.

E de meu pai, seu Vavá, herdei outras duas coisas.

A primeira foi um proeminente e destacado joanete no pé esquerdo. Joanete gordo, protuberante. Destes que “chamam chuva”, isto é, que anunciam chuva, pois quando ele fica sensível e dolorido é o prenúncio que vai cair água do céu.

A segunda herança que recebi de seu Vavá foi o amor ao Esporte Clube Bahia. Amor plantado e cultivado lá nos longínquos anos 1970, entre resenhas esportivas de Zé Veneno — é ferro na boneca — e jogos dominicais do Robertão.

Cresci ouvindo a lenda da grande façanha de 1959, quando o Bahia se tornou Campeão da Taça Brasil, batendo o Santos de Pelé numa final de “melhor de três — na Fonte Nova, Vila Belmiro e no Maracanã. Naquela época, o Maracanã era a “casa do Peixe”.

Quando em 1988 o Bahia repete o feito, Campeão Brasileiro com toda a pompa e circunstância, embalado pelo “toque sutil de Bobô”, pressenti que a torcida talvez tivesse que esperar mais uns trinta anos por algo assim.

Bem… o já declarado amor ao Esporte Clube Bahia andava esquecido, escondido, abandonado.

Rompi com o Tricolor ao longo da primeira década do século XXI, quando o Bahia não conseguia vencer sequer um mero campeonato de botão.

Para mim era demais: torcer por time que tenha cartolagem suspeita e ainda por cima perpetuamente derrotado… Não dá!

Prometi que só voltaria a ter algum afeto pelo Bahia se ele ganhasse algo — o que se tem mostrado difícil, quiçá impossível. Ou então que ele ascendesse a Séria A do Campeonato Brasileiro. Feito mais provável.

Agora parece que vai. Vumbora Baheeea!

Benfazeja hora em que o amor dos gaúchos pelo seu maior ex-craque o tirou do suposto comando técnico do Bahia. Engraçado… pelo cara ter sido bom jogador, se arvora logo em querer ser treinador… De que, Cara Pálida?

Com este novo comandante, o Time melhorou e está na turma de cima de classificação do Campeonato Brasileiro da Série B. Agora vai?

… Vumbora Baheeea! Antes que se cumpra a máxima de que alegria de pobre dura pouco.

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Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]