Agências publicitárias brasileiras conquistam mercado em Portugal

“Toda crise gera oportunidade”: essa forma de pensar marca tino empresarial de publicitários brasileiros que vêm se expandindo na Europa.

Os temores relacionados à economia de Portugal, Espanha e principalmente da Grécia não arrefeceram o ânimo das agências publicitárias brasileiras em Portugal. A Fischer Portugal (Grupo Totalcom), que está há três anos no país, e a Duda Portugal, do publicitário Duda Mendonça, inaugurada no segundo semestre de 2009, mantêm previsões de crescimento para 2010. Elas se mostram preparadas para a forte concorrência das agências portuguesas e internacionais que atuam no país, bastante acirrada depois que os criativos brasileiros passaram a ter um maior destaque nas premiações de Portugal, conquistadas no Festival Internacional de Publicidade de Cannes (França). No ano passado por exemplo, a Fischer Portugal foi a segunda agência do país que mais trouxe leões do festival.

O sobrinho do famoso publicitário brasileiro Duda Mendonça e responsável pela nova Duda Portugal, Ricardo Braga, comemora o sucesso da primeira campanha da agência em Lisboa, veiculada na mídia no último trimestre de 2009. Trata-se da campanha criada para a rede de supermercados Pingo Doce, que possui mais de 350 lojas em todo o país. Segundo ele, a ofensiva publicitária foi citada espontâneamente até em programas de TV em Portugal.

Ricardo Braga

O publicitário acredita que é natural existir uma reserva de mercado aos portugueses do setor e uma postura de concorrência das agências de Portugal. “Mas assim que o mercado vai conhecendo a nossa postura e intenção de contribuir em todos os sentidos para o crescimento do mercado português, essa posição deixa naturalmente de existir”, afirmou Braga, que transita entre Portugal e o Brasil, esforçando-se para colocar em prática uma aspiração antiga de Duda Mendonça: abrir uma agência na Europa.

Para 2010, a Duda Propaganda prevê crescimento global de 20% em 2010. “Nosso portfólio, com casos de sucesso no mercado brasileiro (como Guaraná Antarctica (filme Maradona), Petrobras e Brasil Telecom), nos credencia e nos permite olhar para o mercado português com muito otimismo”, afirma Braga.

Aposta no Brasil

O presidente do grupo Totalcom, Eduardo Fischer, que reside em São Paulo e viaja trimestralmente para reuniões na Fischer Portugal, explica que nos dois últimos anos a Fischer em Portugal já tem feito os ajustes necessários para enfrentar o cenário de crise, aumentando qualidade e equilibrando custos e benefícios dos serviços.

Colocando em prática a máxima “toda crise gera oportunidade”, Fischer analisa a possibilidade de novas aquisições de empresas de publicidade ou serviços de marketing nos próximos anos. A expectativa é de que até o final deste mês o grupo Totalcom também finalize a negociação para a saída da empresa de branding MyBrand do comando da Fischer Portugal, onde a companhia tem participação minoritária. Há também rumores no mercado de que a MyBrand, do grupo OnGoing – que já marca presença no Brasil por meio do jornal Brasil Econômico – poderá abrir uma nova filial da MyBrand no país.

O publicitário Eduardo Fischer prefere não dizer por enquanto se o Grupo Totalcom terá alguma participação na nova empresa do grupo MyBrand no Brasil. A expectativa dele é de que a nova estrutura do comando da Fischer Portugal – após a saída da MyBrand – seja divulgada em uma ou duas semanas.

Além da filial em Portugal, a multinacional brasileira tem também duas empresas no mercado argentino (a agência de marketing promocional Smash foi adquirida em meados de 2008, além da operação de agência de publicidade Fischer, em Buenos Aires). A rede também está no mercado colombiano.

Eduardo Fischer

Eduardo Fischer conta que nos últimos dois anos tem sido bastante assediado por publicitários espanhóis interessados em associações ou venda de empresas ao grupo brasileiro.

“Tenho interesse no mercado da Espanha. Estamos sempre em busca de oportunidades, mas não tenho bola de cristal para prever se o crescimento do grupo Totalcom será orgânico ou por meio de aquisições. A única coisa que posso dizer é que não dá para deixar de investir no Brasil neste momento”, afirma, animado pelos bons resultados econômicos e financeiros do país.

Em Portugal, a Fischer atende a companhia de celular TMN (Grupo Portugal Telecom), a Central de Cervejas Sagres, a empresa de Correios CTT, Diário Econômico, a seguradora Açoreana (grupo Banif), Oceanário de Lisboa e Vinhos do Tejo.

O mercado de publicidade português é fortemente concentrado na televisão. No ano passado, segundo dados do Mediamonitor, divulgados no jornal especializado Meios & Publicidade, 73,6% dos investimentos foram direcionados à TV, 15,3% à mídia impressa, 6,4% a anúncios em outdoor, 4% para rádio e 0,5% para cinema.

*Com informação de Deutsche Welle | Autora: Sandra Silva | Revisão: Simone Lopes

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