Pintura do século 19 descoberta na Igreja do Rosário dos Pretos

“Descobrimos pinturas originais e em boas condições que se acredita serem do grande mestre José Joaquim da Rocha, do século 19”, conta emocionada a coordenadora de restauro de pinturas, Rosândila Freitas. “Este é um momento especial e de grande felicidade”, comenta a especialista.

Com essas palavras, foram anunciadas as mais recentes descobertas do processo de restauração da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Edificação construída a partir de 1704, nas imediações da antiga muralha que circundava a então capital do Brasil, a igreja é recordista de aparição em postais sobre o Pelourinho, área do Centro Histórico de Salvador.
A restauração da igreja é iniciativa do Governo da Bahia, por intermédio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Cultura (Secult/BA). Os investimentos da ordem de R$ 2,3 milhões são do Prodetur/Ministério do Turismo, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento e contrapartida do governo estadual, via Secretaria de Turismo.
Mestre da pintura
As pinturas foram descobertas quando a equipe de restauradores do Ipac limpou os antigos forros da capela-mor e nave principal da igreja. “O grande acúmulo de fungos escondia parte das pinturas e fazia crer, a princípio, que se tratava de lacunas irreversíveis”, diz Rosândila.
Acredita-se que os forros da nave e capela-mor foram pintados por um dos grandes mestres da Escola Baiana de Pintura, José Joaquim da Rocha, no final do século 19. “Tivemos, inclusive, especialistas italianos que em visita afirmaram a veracidade dessa pintura para o mestre Rocha”, acrescenta Rosândila.
Com mais de 600 metros quadrados, o forro da nave mostra um medalhão, tendo Nossa Senhora do Rosário ao centro, ladeada por São Domingos e São Bartholomeu de las Casas. No entorno, estão personagens da corte celestial. O forro da capela-mor mostra alegorias aos quatro continentes e medalhão central com N.S. do Rosário tendo Santa Rita de Cássia e São Domingos ajoelhados aos seus pés.
Mérito arquitetônico 
Para historiadores e estudiosos da arte sacra, esse forro é considerado um dos mais belos das igrejas baianas. O inventário do Ipac aponta o edifício como de notável mérito arquitetônico. “A igreja foi construída pelos membros da Irmandade dos Homens Pretos, em suas horas vagas, ao longo de quase 100 anos”, explica Cássio Sales, fiscal do Ipac na obra. No interior da igreja existem azulejos com cenas da devoção ao Rosário de Lisboa (1790).
Os forros estavam deteriorados e, por isso, a pintura sofreu umidade proveniente de goteiras e vazamentos. “Havia acúmulo de micro-organismos que impediam a leitura da obra e o verniz estava tão oxidado que quase não se enxergava as imagens”, pontua a restauradora Rosândila.
No teto, a equipe de experts coordenada pelo Ipac finalizou a consolidação do suporte, imunização do madeirame, limpeza mecânica e química, desinfecção, fixação dos estratos, remoção do verniz oxidado, nivelamento de lacunas, reintegração da policromia e, por fim, aplicação de verniz protetivo.
Estão sendo finalizados restauros dos retábulos, sanefas – adornos das portas -, tribunas, balcões, púlpitos e imagens. Complementa-se a obra com restauro de azulejos, cantarias, pisos, gradis e estruturas. A expectativa do IPAC é que a restauração da Rosário dos Pretos possa ser entregue à população baiana pelo governador Jaques Wagner no mês de dezembro. Outras informações sobre as restaurações do Ipac estão no site do Instituto.

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