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Não é Deus quem abomina tolerância | Por Roberto Cunha Lima

Os sábios falam: passa-se a vida inteira para se conseguir uma só virtude. E o que é virtude?  Uma permanente vontade de fazer o bem. Quem assim faz transmite força moral para muitos. É talvez o primeiro exercício para o sucesso. Esta atitude ou este pensamento pode ser o melhor caminho para a fidelidade, a justiça, a prudência, a coragem, a generosidade, a humildade e principalmente a “tolerância”. E o que vem a ser tolerância? Suportar. É justamente isso que se deve compreender, a capacidade equilibrada de admitir outros modos, costumes, gestos, pensamentos, sem deixar que os efeitos atinjam a si. É bem provável que a intolerância seja a rainha das faltas de sabedoria no ser humano. Se a intolerância é eleita dentro de si como prática corriqueira carregará estampado na mente preceitos de raiva e soberba; questões ojerizadas na modernidade em qualquer lugar que se vá. Em Prece pela Tolerância, o filósofo Voltaire, já dizia há 200 anos: “Você não nos deu coração para nos odiarmos, nem mãos para nos enforcarmos, faça com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e passageira”. Viver sem discriminação é a meta e o direito é de todos.
É aqui onde surge a chance de praticar a tolerância, ou seja, na própria vida. Quem oferece alvíssaras  reconhece o respeito e a convivência com o pensamento do outro. Pensar efetivamente em tolerar as circunstâncias é, com legitimidade, conviver com Cristo, pois foi ele que nos mostrou todos os ensinamentos de como amar ao próximo como a nós mesmos. Precisamos, além de tudo, respeitar as crenças e comportamentos diversos cada vez mais, para poder compreender as formas de nos desarmarmos das ideias pré-estabelecidas, das condenações, impugnações e preconceitos sem fundamento. Por isso é necessário alimentarmos a busca de uma  virtude, pelo menos tentar, tentar várias vezes, uma vez que, precisamos da vida inteira para adquirir uma só virtude. Todo esforço é válido no sentido de engrandecer a própria consciência para ter o direito de viver bem, distante de qualquer enigma, segredo ou regras de cerceamento.
É possível que o homem seja capaz de não perceber um dos maiores crimes contra ele próprio, essa pecha que o atrasa em vários momentos na vida. Perdem-se lutas difíceis e não se sabe o por que.  Na hora de conquistar a vitória a pessoa é relegada a segundo e a terceiro planos.  Visivelmente isso não compreendido. De repente tudo  se dilui e se transforma em nada. Sob um manto furta-cores a esperada vitória desaparece. Tudo isso vem quando cometemos a mais forte de todas as “intolerâncias” – a religiosa. É o caso também dos ex-Testemunhas de Jeová, que quando se desligam desta organização passam a carregar o pesado fardo da discriminação, e por isso mesmo são rejeitados e criticados em qualquer lugar, sendo objeto de assédio moral. Se este é o consenso da organização, nem precisa ser testemunha de nada, todos percebem o flagrante desrespeito as leis do País. Só uma pessoa amadurecida é capaz de enxergar. A maturidade  conduz a ver e aceitar que a  completa dignidade é feita com a harmonia do conjunto que dá a perfeita adequação entre os pés e a cabeça que o dirige.
O mundo hoje deseja entender como  as correntes religiosas buscam a seara divina dentro da mecânica de Deus. Afinal, o bem  vem  de um só, Deus. Em nosso país, um exemplo visado é o Fórum Inter-Religioso com a finalidade de estabelecer novos parâmetros à dignidade humana com base na tolerância e no amor. É a luta permanente pelos amplos direitos fundamentais de todos que está assentada na “tolerância religiosa” através de explicações com mapas, guias e práticas sobre religiões e comprometimentos de toda natureza. Muitas questões são examinadas por uma nova cultura de paz e liberdade de crença, inclusive o modelo do novo tipo de racismo, principalmente com  enfoque na discriminação racial,  prática que vem sendo seguramente combatida. O trabalho feito em cima dessa questão é, inclusive, regulamentado, também, através da Constituição e de leis específicas  mas que precisam ser mais divulgadas e colocadas em funcionamento para que seja possível erradicar, de uma vez por todas, uma das maiores injustiças sociais do nosso país, essa que hoje se vê a todo instante, a discriminação. Salienta-se, no entanto, que a existência e a aplicação das leis não são suficientes para que os objetivos acima citados sejam alcançados, é preciso invocar as políticas públicas insistentemente, e estabelecer o cumprimento delas em todos os governos. É preciso novos estímulos para a valorização da situação a estabelecer um meio de todos terem consciência e solidariedade com os negros, com os pobres, e com todos que sofrem discriminação em suas diferentes modalidades.
*Por Roberto Cunha Lima

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