Em nome do homem | Por José Carlos García Fajardo

Há cansaço das cosmovisões tradicionais. Sofrem de fadiga as escolas de filosofia e de economia erguidas em metafísica. A lógica paradóxica, o princípio da incerteza, a física quántica, a engenharia genética, a revolução da biologia, transformam nosso imaginário que é afetado com a revolução da comunicação e da informática.

Negroponte fala de uma contra-cultura que emerge do cenário digital. “A tecnologia digital pode ser uma força natural que atrai uma maior harmonia mundial”. Os ricos são hoje os jovens, e os desprotegidos, os velhos. Há um culto desaforado ao jovem, talvez para dominá-los melhor.
Philippe Breton destaca os pontos de conexão entre o culto da internet e o movimento contra-cultural que animou as revoltas estudantis dos anos sessenta. Buscam propostas alternativas como pretendiam a beat generation ou os hippies. Não morreram (de todo) Ginsberg, Kerouac, Watts, Kesey, Cassady, Leary ou Dylan.
Observa Breton uma continuidade entre o movimento underground e a Internet. Na ruptura com o mundo (drop out), experiências de iniciação, vida em comunidades, desejo de igualdade e adesão à uma cultura não-violenta e solidária que obriga sair às ruas contra “a bota que pisa um rosto humano”, de Orwell.
Os andarilhos celestes de Kerouac navegam pelas autopistas (on the road) da comunicação para não serem devorados pelo consumismo de um mundo que não lhes agrada, mas de cujas conquistas se servem.
“O descobrimento, por experiência personal, de que existem outros estados de percepção costuma ser revolucionário; muda a vida porque muda a visão do mundo. O descobrimento da relatividade da realidade e existência de estados diferentes ao sonho e ao estar desperto, é a revolução intelectual do século; uma revolução mental comparável à de Copérnico, embora mais importante, porque pode mudar a vida humana e a relação entre os homens e a natureza. A realidade já não é este estado imposto como o único validado pelo racionalismo e a ciência mecanicista; a realidade é relativa: existem realidades diferentes, qualitativamente tão distintas como o sonhar e estar despertos”, escreve Luis Racionero.
François Brune escreve “sempre haverá pressão por parte das instituições para chamar à ordem aos que decidem viver a sua maneira”. Haverá conflitos distantes para fazer com que nos esqueçamos das injustiças próximas. Em nome do homem devemos rechaçar a tentação de uivar como lobos por medo de ser cordeiros, porque não há liberação coletiva sem reconquistar a liberdade interior.
*Por José Carlos García Fajardo

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