Dilma e Serra fazem debate de crítica e acusações mútuas

São Paulo, 26 out (EFE).- No penúltimo debate antes do segundo turno das eleições presidenciais, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) limitaram a retórica às críticas mútuas e mantiveram a linha adotada em outros debates de defender os Governos dos quais trabalharam como ministros.

Foi um diálogo com menos controvérsias que o esperado para os desafios ‘tête-à-tête’ diante das câmeras, mas ambos insistiram em polemizar sobre assuntos como infraestrutura, saúde, educação, segurança, emprego e reforma agrária.

Ao ser perguntado pela oponente sobre obras de infraestrutura, Serra criticou as propagandas sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe da gestão de Dilma no Ministério da Casa Civil (2005-2010). Para o tucano, o PAC não é nada mais que uma “lista de obras”, vários deles ainda sem sair do papel.

A candidata petista investiu no tema da educação ao culpar o deputado Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de Serra, de liderar a proposta para desarticular o Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudos universitárias a estudantes da rede pública.

Ambos divergiram também sobre tecnologia, saúde e emprego, na sempre comparação entre os Governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que apoia Serra, e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), mentor de Dilma.

Serra enfatizou seu trabalho como ministro da Saúde no Governo FHC e na defesa da criação de um Ministério da Segurança Pública, incluindo a formação de uma Guarda Nacional, Dilma fez insistência nos 15 milhões de empregos formais criados nos dois mandatos de Lula, três vezes mais que na gestão do PSDB.

No entanto, os temas que ‘apimentaram’ o debate foram sobre exploração petrolífera, vinculada à reiterada discussão sobre privatizações, e o dos escândalos de corrupção.

O ex-governador de São Paulo acusou a rival de “mentirosa” quando ela, em sua propaganda eleitoral, diz que ele irá mudar o modelo de exploração compartilhada do pré-sal, que contempla uma participação de 30% da Petrobras em todos os blocos, pelo anterior, que era mediante concessões.

“Se concessões é privatizar, então Dilma foi quem mais privatizou, pois quando era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, como ministra, a Petrobras entregou concessões a 108 empresas privadas, metade delas estrangeiras”, declarou o candidato do PSDB.

Dilma, por sua vez, argumentou que o modelo de concessões era para um “petróleo pesado” e agora, com um de “melhor qualidade e em grandes quantidades”, o Governo teve de modificar as regras de exploração.

“Essa regra (de concessões) valia para um petróleo de baixa qualidade. A descoberta do pré-sal foi um bilhete premiado e por isso nós mudamos o modelo”, explicou a presidenciável petista.
Dilma reiterou as acusações de desvio de dinheiro da campanha tucana que pesam sobre Paulo Vieira de Souza, ex-diretor de Engenharia da Dersa, enquanto Serra fez alusão ao escândalo de corrupção que envolve a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, que renunciou ao cargo e hoje é investigada pela Polícia Federal.

O tucano chamou a adversária de “mulher de duas caras”, ao lembrar que Dilma havia dito que nunca usaria o boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), mas apareceu em um ato público com um na cabeça, num evento em que recebeu o apoio de membros do grupo de camponeses.

Em sua resposta, a petista manifestou que era “contrária” a muitas das ações do MST, como invasão e depredação de terras produtivas, mas que, “dentro da legalidade”, defendia as reivindicações do grupo em sua luta por equidade na distribuição de espaços rurais.

A posição de ambos sobre o meio ambiente, ignorada em outros debates, voltou a aparecer na agenda de discussão de Serra e Dilma. O candidato de oposição criticou o atual Governo de expandir a indústria pecuária na Amazônia e de priorizar projetos de energia produzida com carvão.

Tema bastante repercutido nas últimas semanas, a polêmica do aborto foi mencionada ‘en passant’ por Serra, mas não chegou a ser discutida no debate iniciado na noite desta segunda-feira, promovido pela “Rede Record”, o penúltimo antes do segundo turno das eleições.

O próximo e último debate televisivo será realizado na sexta-feira, promovido pela “Rede Globo”, dois dias antes do pleito.

*Com informações do Deutsche Welle

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