Com medo e sem esperança | Por Petrônio Souza Gonçalves

De que vale nossa combalida democracia se, por onde se olha, o eleitor votou no candidato mesmo pior? Não podemos declarar que votamos para ganhar, mas sim, para perder menos.
Não comemoramos vitórias, mas a derrota de nossos anseios mais primários. Tudo, mantendo e consolidando o status quo pré-determinado. E o pior, com o silêncio aprovador de cada um de nós. No Brasil inteiro foi isso, o povo marchou para as urnas sem motivação alguma. Fez-se luto nos corações brasileiros. Os resultados agora estão aí, e os colhemos nas sarjetas de nossas desilusões, papéis picados e jogados nas ruas de nossas esperanças como parte de um grande sonho nacional, triturado por nossas repetidas desilusões. As renovações; nenhuma.
Tudo engessado por um processo eleitoral caro e excludente. As campanhas, com suas providenciais restrições, distanciam o eleitor do processo, tornando-a fria, sem causar comoção alguma. Isso tudo torna, cada vez mais, difícil a imersão de um novo nome, de uma nova liderança. Do voto ideológico, restou apenas o religioso, pois todos os outros ficaram com medo, sem nenhuma esperança. Nas assembléias e governos, os cargos indicados pelos maiorais, a extensão dos gabinetes e mandatos daqueles que podem tudo, ou quase tudo. Isso, há bem pouco tempo, tinha outro nome.
Agora, está tudo como sempre foi nesta terra sem Abrantes. Dos políticos que respondem a processos ou aguardam julgamentos, amplamente expostos pelas instituições cidadãs, muitos foram reeleitos, obtendo, por força do voto, do consentimento do povo, todas as benesses, privilégios e imunidades de um novo mandato. Assim, não se constrói uma Nação, mas se destrói um sentido de povo.
A nossa decepção e a nossa reprovação não vão além dos votos brancos, nulos e abstenções, cada vez mais incorporados às votações não como forma de protesto, mas como votos perdidos no tempo e espaço, anacrônicos, destoados do processo, sem nenhuma outra razão de ser. O que deveria servir de alerta, foi sugado pela banalidade do voto, aquele que serve apenas para ratificar o que já foi acordado, dizendo ao brasileiro que hoje vivemos sobre outros cabrestos…
E assim vamos nós, elegendo nossos fantasmas, nossos algozes, tendo como última esperança a de perder menos pelos próximos quatro anos.
Pesquisas
Em um país sério, a farra e a bandalheira das pesquisas e seus institutos já seriam denunciadas e abolidas do processo eleitoral. Faço das palavras do jornalista Sebastião Nery as minhas, enquanto os institutos de pesquisa armam uma nova e rentavel jogada: “Como o Ibope é sócio da Globo, a palavra do Ibope, Datafolha, Clesio sem Senso e até do ridículo Vox Populi é mais sagrada do que a de Bento 16 para a Igreja Católica. Tomaram dinheiro de governos e candidatos oficiais e, com a conivência da Justiça Eleitoral, acabaram com os comícios e fizeram uma aliança entre as “pesquisas” e as TVs, revistas e grandes jornais. Os comícios eram as“pesquisas” nas televisões toda noite e de manhã nos jornais.

Dilma já estava eleita e a apuração confirmaria tudo. Os números oficiais começaram a aparecer e eles se abobalharam, porque as “pesquisas” se desmoralizaram. Quando a “Boca de Urna” saiu, a apuração oficial perto da metade e o Ibope e eles jurando que Dilma passaria dos 51%. E ela logo encroou nos 46%. Como nos tempos de Etelvino e dos velhos coroneis, eles mandavam “esperar a Zona da Mata” e a “água do monte”. E veio o 2º turno”.

*Por Petrônio Souza Gonçalves

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