5ª Meta: Timor-Leste e Saúde Materna

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Timor-Leste tem uma das maiores taxas de fecundidade do mundo. Dados de 2008, indicam 6,5 filhos por mulher. Uma taxa que está sendo reduzida aos poucos, segundo o governo timorense.
Mas no jovem país lusófono, que alcançou sua independência há apenas oito anos, a saúde materna ainda é um desafio para a sociedade e as autoridades, como explicou à Rádio ONU, o vice-primeiro-ministro timorense, José Luis Guterres.
Cada Família
“A taxa de crescimento da população está estabilizada e a taxa de fecundidade desceu. Somos um território com uma população que não é assim muito grande, somos apenas 1,2 milhão de pessoas. Esperamos que cada família saiba decidir o número de crianças que querem ter e o Estado nessa matéria não irá interferir. Até porque, em um país extretamente católico e conservador como o nosso, o Estado tem sempre que respeitar as convicções religiosas dos cidadãos”, explicou.
Em 1970, no auge do surgimento de métodos contraceptivos, a taxa de fecundidade era de 6,3 filhos por mulher. Foi reduzida em 1990 para 5,3 após subir de novo para 6,5 filhos por mãe timorense.
Como contou o vice-primeiro ministro do Timor-Leste, José Luís Guterres, a religião pode ser uma explicação para uma das taxas de fecundidade mais altas do mundo. Mas haveria outra razão? Foi esta a pergunta que fiz à parteira Aurea Cuz. Há 30 anos ajudando a trazer bebês ao mundo, Aurea conta como ela formou sua própria família com cinco crianças.
Cultura do Timor
“O meu plano ideal, enquanto solteira, era ter quatro filhos. Tive três meninas e resolvi então, tentar um rapaz, o filho de número quatro. Mas meu marido não ficou satisfeito com o menino e queria mais um filho. Porque a tradição de Timor-Leste é essa: os maridos não ficam satisfeitos enquanto só têm filhas mulheres. Essa é a cultura do Timor, o costume tradicional. Os maridos querem ter mais de cinco, mais de seis crianças”, disse.
Num país rico em montanhas e vales, as mulheres timorenses nem sempre encontram atendimento médico imediato perto de onde vivem.
Melhorar a saúde materna é o 5º Objetivo de Desenvolvimento do Milênio.
Até 2015, espera-se que o mundo possa alcançar o acesso universal à saúde reprodutiva. Atualmente, centenas de milhares de mulheres morrem todos os anos devido a complicações de gravidez ou parto. Quase todas ou 99% estão em países em desenvolvimento.
Para o médico português Fernando Maymone que ajudou a criar a Mater-Timor, Timor-Leste pode atingir as Metas do Milênio se continuar melhorando o nível de saúde de suas mulheres.
Conceito
“Eu acho que não se atingirão as metas de uma maneira tão perfeita como seria desejável. Mas acho que se deram passos importantes, como essa maternidade. O conceito do seu funcionamento, com a formação de pessoas que vão para o campo, representa um passo importante para a resolução das mortalidades materna e infantil, como uma aproximação às Metas do Milênio”, disse.
Dados das Nações Unidas revelam que para cada 100 mil nascimentos vivos no Timor-Leste, 660 mães perdem a vida. As razões são variadas: hemorragia, hipertensão e anemia.
Cuidados que podem ser feitos com um pré-natal adequado ajudando a salvar a vida de milhares de mães. Para a parteira Aurea Cruz, aos poucos, as mulheres timorenses, que antes dependiam mais dos maridos, começam agora caminhar sozinhas ou com outras mulheres da família.
Sogra ou Irmã
“Os maridos é que não dão oportunidades para as esposas irem aos centros de saúde. Os maridos no Timor – Leste nunca levam as esposas ao centro de saúde para fazer tratamento. As mulheres grávidas vão sozinhas ou com alguém da família, como a sogra ou irmã, que levam a grávida ao hospital”, explicou.
Uma das razões para a queda na taxa de fecundidade, além de mais informação é o programa do governo de planejamento familiar. A maior parte das 660 mortes de mães ocorre nas áreas rurais do Timor. Por isso, o governo, segudo o vice-primeiro-ministro passou a investir em hospitais de campanha. José Luis Guterres.
“O Ministério da Saúde tem feito vários esforços no sentido de trazer hospitais, o sistema de saúde para junto da população. Há carros que vão com médicos e enfermeiros para as aldeias, no sentido de explicar para as pessoas sobre maternidade, taxa de fecundidade, crescimento populacional.
Nessas visitas é feita também a vacinação nas crianças e os médicos verificam quais as doenças prevalecentes nessa aldeia, para depois tomarem as medidas necessárias”, detalhou.

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