O ex está de volta: muitos sentimentos, poucas palavras…

Roberta e Camilo namoraram durante sete meses, durante os quais ela acreditava viver no paraíso. Eles já começavam a fazer planos para um futuro a dois. Mas, o que parecia uma brisa suave, inesperadamente se transformou na mais assustadora tempestade de sua vida. Quando ela se preparava para a viagem de férias que faria com o namorado para Fernando de Noronha, recebeu um telefonema dele dizendo que tudo estava acabado. Camilo concluiu a ligação dizendo que Roberta era um peso em sua vida.

Ainda em choque, ela tentou falar com ele novamente, mas ele não atendeu nenhuma de suas chamadas. Ao notar a insistência da ex, Camilo enviou uma mensagem de texto pedindo que ela parasse de insistir. Como ela não parou, ele trocou de telefone, e graças a uma proposta de trabalho, mudou-se de São Paulo para algum lugar que Roberta nunca soube onde era.

Meses se passaram, e apesar de ter superado o sofrimento que o final do relacionamento lhe trouxera, não houve um único dia em que Roberta não pensasse em Camilo. Com o apoio dos amigos ela conheceu outros rapazes, mas em algum recanto escondido de sua mente, ela sempre os comparava com Camilo, e claro, rapaz algum seria tão bonito e encantador quanto seu ex. “André é legal, mas sei lá… Falta algo!” Era o modo como ela explicava para as amigas sua falta de interesse.

Era 23 de julho. São Paulo enfrentava um dos dias mais frios do ano. Roberta caminhava apressada do escritório onde trabalhava para a estação de metrô. Com a bolsa protegida debaixo do braço e usando um discreto chapéu, ela ainda pensava nos documentos que acabara de assinar, quando ouviu uma voz. “Roberta!”

Ela parou junto à escada do metrô, e olhou para a esquerda. Ela viu um sorridente Camilo correndo em sua direção. O coração de Roberta disparou. Sua respiração ficou mais intensa e uma onda de calor percorreu todo seu corpo. Ela olhou para a escada e pensou em sair correndo, mas suas pernas tremiam e ela simplesmente ficou ali parada, vendo o seu ex-namorado se aproximar.

“Quanto tempo!” Camilo disse, estendendo a mão.

“Muito tempo…” Ela respondeu sem graça.

“Estou de volta a São Paulo. Eu precisava de um tempo fora, mas agora estou aqui e gostaria de encontrar com você.”

Roberta olhava Camilo nos olhos, e embora tivesse consciência de que tinha esperado por aquele momento para fazê-lo experimentar um pouco da dor que ela havia sentido, a moça não conseguiu dizer outra coisa senão “Claro, tudo bem!”

Camilo pediu o número de telefone dela, em seguida, fez qualquer comentário sobre um compromisso em menos de cinco minutos, beijou o rosto de Roberta, e seguiu seu caminho.

Quatro dias depois, lá estavam os dois jantando juntos. Ao se encontrarem na porta do restaurante, Camilo estendeu os braços e foi ao encontro da ex com o sorriso que ela adorava receber. Ela o abraçou e novamente sentiu suas pernas tremerem. Roberta se sentia bem na presença dele, como se todo o sofrimento que experimentou fosse apenas parte daquilo que ela sentia por Camilo.

Do restaurante seguiram para o apartamento de Camilo. A desculpa para a visita de Roberta foi o cachorro que ele havia comprado. Ela era louca por cachorros. Depois de conhecer o apartamento e brincar no chão com o cachorro, os dois sentaram no sofá, e Camilo a abraçou. Roberta dizia para si mesmo que poderia interromper aquilo a qualquer momento, mas ela não o fez.

Apenas durante a madrugada, eles pararam o que haviam começado no sofá. Na cama um do lado do outro, eles olhavam para o teto evitando se encararem.

“Eu me sinto egoísta…” Camilo confessou.

“Por quê?”

“Precisava ser tocado por alguém. Precisava beijar alguém… E como gosto tanto de você, trouxe você aqui… Mas não posso fazer nenhuma promessa, pois não estou seguro se poderei cumpri-la.”

“Tudo bem! Devo dizer que também gosto de você, mas não alimento a ilusão de que você seja o meu príncipe encantado, que montará um cavalo branco e me amará para sempre.” Ela disse recostando a cabeça no peito de Camilo.

Houve um longo período de silêncio, que foi quebrado apenas pelo barulho que Roberta fez ao se levantar e vestir-se.

“A gente se vê!” Foi o que Camilo disse ao abraçar Roberta na garagem.

Ela saiu pela noite fria de São Paulo, no peito uma enxurrada de sentimentos, mas poucas palavras para expressá-los.

 

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*Por R. C. Amorim Neto

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