Rússia nega espionagem nos EUA e fala em volta à Guerra Fria e Repórter peruana é presa nos Estados Unidos acusada de espionagem para a Rússia

Rússia nega espionagem nos EUA

Um representante do Ministério do Exterior russo declarou que as acusações de que uma rede de espiões atuava nos Estados Unidos para a Rússia não têm base e representam uma regressão aos tempos da Guerra Fria.

Segundo o representante, as acusações prejudicam as recentes tentativas do presidente Barack Obama de buscar uma reaproximação com Moscou.

O comentário foi feito um dia depois de o Departamento de Justiça americano anunciar a prisão de dez pessoas nos Estados Unidos sob suspeita de espionar para a Rússia.

Elas foram acusadas de conspiração pela sua ação como agentes de um governo estrangeiro, o que pode levar a uma pena máxima de cinco anos de prisão.

Mais cedo, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, tinha dito em Jerusalém que Moscou aguarda uma explicação de Washington.

“Eles (os americanos) não explicaram de que assunto se trata. Espero que expliquem” disse o ministro.

Os suspeitos detidos, aparentemente, viviam como cidadãos normais, alguns deles fingindo ser um casal, havia vários anos.

Um 11º suspeito foi preso nesta terça-feira no aeroporto de Larnaca , no Chipre, quando tentava embarcar para Budapest, na Hungria. Ele deve ser extraditado para os Estados Unidos

Nove dos detidos também enfrentam acusações de conspiração para lavagem de dinheiro, cuja pena máxima de prisão chega a 20 anos. O Departamento de Justiça americano informou que ainda há um que permanece foragido.

‘Fineza especial’

Em uma nota divulgada nesta terça-feira, o oficial do ministério do Exterior diz: “Em nossa opinião, essas ações não têm base”.

“É deplorável que tudo isso esteja acontecendo num momento de busca por novos laços entre Estados Unidos e Rússia”.

Comentando o anúncio das prisões nos Estados Unidos com jornalistas em Jerusalém nesta terça-feira, Lavrov disse que “o momento para fazê-lo foi escolhido com especial fineza”. Em seguida, o ministro se recusou a falar mais sobre o caso.

Para o correspondente da BBC em Moscou Rupert Wingfield-Hayes, Lavrov pode estar insinuando que algum grupo dentro da estrutura de poder americana esteja tentando minar as recentes tentativas de reaproximação com a Rússia promovidas pelo presidente americano, Barack Obama.

Na semana passada, o presidente russo Dmitry Medvedev esteve em Washington, onde almoçou hambúrguer com batatas fritas com o presidente Obama, em um gesto visto amplamente visto como sinal de uma reaproximação entre os dois governos.

Segundo um acadêmico russo entrevistado pelo correspondente da BBC em Moscou, o caso serviria como uma advertência ao presidente Barack Obama para que não confie na Rússia nem tente se aproximar do Kremlin.

Um alto representante do governo russo, disse à BBC por sua vez que o caso não deve afetar as relações entre os dois países.

Disfarce

Supostas mensagens interceptadas descritas em documentos da Promotoria sugerem que os 10 suspeitos presos nos EUA tinham como missão descobrir informações sobre assuntos como armas nucleares, posição de controle de armas americanas, Irã, rumores na Casa Branca, mudanças na liderança da CIA e partidos políticos.

Oito pessoas foram detidas no domingo sob acusação de supostamente realizar “missões de longo prazo e infiltração profunda nos Estados Unidos em nome da Federação Russa”, informou o Departamento de Justiça.

Elas foram supostamente treinadas pelo Serviço de Inteligência Estrangeiro Russo (SVR), para infiltrar círculos de pessoas influentes politicamente e recolher informações, segundo os documentos apresentados à corte americana no distrito sul de Nova York.

Eles teriam sido instruídos a forjar amizades com autoridades americanas e enviar informações a agentes do governo russo usando vários métodos.

O Departamento de Justiça americano afirma que os suspeitos foram detidos depois de uma investigação de durou vários anos em que agentes do FBI se fingiram de agentes russos e colheram informações de dois dos suspeitos.

Tinta invisível

Segundo os investigadores, alguns dos suspeitos viviam sob identidades falsas desde o início dos anos 90, usando códigos e avançadas operações por computador, como o envio de fotos aparentemente inocentes com mensagens de texto escondidas.

De acordo com o FBI, os supostos espiões também usavam técnicas mais antigas, como mensagens enviadas com tinta invisível e troca de pastas idênticas em parques.

“Você foi enviado aos Estados Unidos para uma longa viagem a trabalho”, diz uma das mensagens enviada a dois suspeitos e interceptada pela Inteligência americana.

“Sua educação, suas contas bancárias, carro, casa etc – todos eles têm um objetivo: cumprir sua missão principal, ou seja, procurar e desenvolver ligações com pessoas nos círculos de influência política nos Estados Unidos e enviar informações”.

A tarefa dos suspeitos, em geral, era se “americanizar” para conseguir se infiltrar. Alguns deles chegaram a se inscrever em universidades, trabalhar e se unir a associações profissionais relevantes, afirmam os documentos apresentados à corte.

As informações são de que o grupo teria conseguido se aproximar de um cientista que estaria desenvolvendo uma bomba para explodir bunkers e de um alto oficial da Inteligência.

Há vários detalhes sobre como a rede operava, mas pouca coisa sobre as informações que os agentes conseguiram apurar, afirma o correspondente da BBC em Washington, Paul Adams.

Corte

Cinco dos suspeitos compareceram a uma corte federal em Manhattan na segunda-feira – entre eles a jornalista peruana Vicky Peláez e seu marido, de origem uruguaia, Juan Lázaro – onde um juiz ordenou que sejam mantidos na prisão até a audiência preliminar marcada para o próximo dia 27 de julho.

Além deles, estariam um casal conhecido como Richard Murphy e Cynthia Murphy, presos em Montclair, Nova Jérsei, e Anna Chapman, detida em Manhattan.

Outros três suspeitos – Mikhail Semenko e um casal conhecido como Michael Zottoli e Patricia Mills – compareceram a uma corte federal em Alexandria, na Virgínia, depois de terem sido detidos em Arlington, no mesmo Estado.

Os últimos dois suspeitos, Donald Howard Heathfield e Tracey Lee Ann Foley, foram presos em Boston, Massachussets.

Todos os suspeitos, com exceção de Anna Chapman e Mikhail Semenko também foram acusados de conspiração para lavagem de dinheiro.

Prisão de peruanos por espionar para a Rússia causa surpresa nos EUA

A prisão nos Estados Unidos da jornalista peruano-americana Vicky Peláez e de seu marido, Juan Lázaro, também de nacionalidade peruana, sob suspeita de espionar para a Rússia, surpreendeu colegas e vizinhos do casal.

Peláez é colunista do jornal hispânico El Diario La Prensa e foi detida juntamente com Lázaro no domingo em sua casa na cidade de Yonkers, no Estado de Nova York. Ambos compareceram a uma audiência na segunda-feira em um Tribunal Federal em Manhattan, na cidade de Nova York.

O subdiretor do jornal La Prensa, Miguel Sarmiento, disse em uma entrevista para a emissora de rádio Radio Programas del Perú (RPP) que os colegas de Peláez ficaram surpresos com as acusações contra ela e que a redação do jornal nunca foi notificada pelas autoridades americanas.

A prisão de Peláez e Lázaro também causou surpresa entre os vizinhos da família em Yonkers, onde eles viviam.

“Via eles no bairro. No geral, eram pessoas muito tranquilas, chamavam pouco a atenção. O único chamativo (da família) era o cachorro, que latia muito durante a noite”, disse Johnathan Kroll, um dos vizinhos do casal.

Peláez e Lázaro – que tem origem uruguaia -, moram nos Estados Unidos há mais de 20 anos e já têm a cidadania americana.

Os dois enfrentam acusações de conspiração por agirem como agentes de um governo estrangeiro, o que pode levar a uma pena máxima de cinco anos de prisão.

Eles também estão entre oito dos detidos que enfrentam acusações de conspiração para lavagem de dinheiro, cuja pena máxima de prisão chega a 20 anos.

Documentos

Documentos jurídicos das autoridades americanas, compilados depois de uma longa investigação, indicam que Peláez e Lázaro viajaram durante vários anos a um país sul-americano que não foi identificado, onde “passavam mensagens secretas” para as autoridades russas, e recebiam dinheiro em troca de seus serviços.

Na próxima audiência, que deve ocorrer no dia 28 de julho em Manhattan, será decidido se o casal poderá ser libertado sob fiança.

A jornalista e seu marido estão entre as dez pessoas presas nos Estados Unidos sob suspeita de espionagem para a Rússia. O 11º suspeito, identificado como Christopher Metsos, foi preso nesta terça-feira na ilha mediterrânea de Chipre quando tentava ir para Budapeste.

O colaborador da BBC em Lima Javier Lizarzaburu disse que o governo peruano ainda não vai se pronunciar sobre as prisões, pois considera o assunto um caso dos Estados Unidos e do FBI.

Vídeos e causas

O FBI afirma que tem vídeos que, supostamente, mostram que Peláez recebeu verbas de um funcionário russo na América do Sul, aproximadamente no dia 14 de janeiro de 2000. Também afirma que Lázaro conseguiu dinheiro em circunstâncias parecidas, provavelmente em 25 de agosto de 2007.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou, por meio de um comunicado, que a lei proíbe que estas pessoas atuem nos Estados Unidos como agentes de um governo estrangeiro sem autorização prévia.

O jornalista Manuel Avendaño, colega de trabalho de Peláez no La Prensa, de Nova York, disse à RPP que conversou com o filho mais velho da jornalista, Waldo Mariscal, e ele afirmou que sua mãe é uma perseguida política.

De acordo com Mariscal, a prisão ocorreu porque há muito interesse em silenciar Peláez, que criticava constantemente o governo americano.

Mas o subdiretor do jornal La Prensa, Miguel Sarmiento, afirmou à RPP que a prisão da jornalista “não é uma represália por sua postura de crítica ao governo americano, a liberdade de expressão aqui (nos Estados Unidos) é sagrada”.

EUA e Rússia dizem que prisões por espionagem não devem afetar relação

Autoridades dos Estados Unidos e da Rússia disseram nesta terça-feira que esperam que a prisão nos Estados Unidos de 11 pessoas sob suspeita de espionar para a Rússia não prejudique as relações entre Moscou e Washington.

“Espero que a (dinâmica) positiva que foi alcançada ultimamente nas relações entre os dois países não sofra devido aos últimos acontecimentos. Nós esperamos que as pessoas que valorizam as relações entre russos e americanos entendam isto”, afirmou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, em Moscou.

O tom das declarações coincidiu com as feitas em Washington pelo porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Ele disse que não acredita que as relações bilaterais serão afetadas. “Acho que conseguimos um novo começo”, afirmou, ressaltando a colaboração entre Estados Unidos e Rússia em relação à Coreia do Norte e o Irã.

Dez pessoas foram presas nos Estados Unidos e uma foi detida na Ilha de Chipre, acusadas de conspiração por agirem como agentes de um governo estrangeiro, o que pode levar a uma pena máxima de cinco anos de prisão.

Alguns dos detidos também enfrentam acusações de lavagem de dinheiro, cuja pena máxima de prisão chega a 20 anos.

‘Fora de controle’

O Ministério do Exterior russo afirmou que as acusações dos Estados Unidos não têm fundamento e representam uma volta aos tempos da Guerra Fria.

A chancelaria divulgou uma declaração nesta terça-feira afirmando que entre os detidos nos Estados Unidos estão cidadãos russos, mas insistiu que eles não fizeram nada contra os interesses dos Estados Unidos.

A declaração ainda afirma que quer que os americanos demonstrem “compreensão apropriada”, levando em conta o “caráter positivo” das relações entre os dois países.

As prisões ocorreram dias depois de uma visita do presidente russo, Dmitry Medvedev, a Washington, na qual a relação entre os dois países parecia estar melhor do que nunca.

Os 11 suspeitos detidos seriam parte de uma operação na qual agentes posavam como cidadãos comuns, alguns vivendo juntos como casais há anos.

Eles teriam sido treinados pelo Serviço Secreto Estrangeiro da Rússia para se infiltrar nos círculos de política e coletar informações, segundo documentos entregues na Justiça americana.

As autoridades dos Estados Unidos afirmam que a operação de espionagem foi descoberta em uma investigação que durou vários anos.

Repórter peruana é presa

A jornalista peruana Vicky Peláez, radicada em Nova York, está entre as dez pessoas detidas nos Estados Unidos por acusação de espionagem para a Rússia, informou a Associated Press. A suposta rede de agentes secretos se dedicaria a recrutar fontes políticas e compilar informações transmitidas a Moscou, afirma El País.

Vicky escreve uma coluna crítica ao governo americano no jornal latino La Prensa. Ela foi presa junto com seu marido uruguaio no domingo, em sua residência no subúrbio de Nova York, afirma o Correo.

Segundo o jornal El Comercio, o FBI vem seguindo a jornalista há 20 anos. Agentes federais interceptaram conversas telefônicas e diálogos em espaços públicos que incriminariam Vicky, e teriam também um vídeo da jornalista recebendo dinheiro de um funcionário russo na América do Sul em janeiro de 2000, afirma a BBC Mundo.

O filho de Vicky acusou o governo americano de perseguição política pelas críticas feitas em sua coluna, diz a RPP, mas o diretor do jornal La Prensa reconheceu que agentes americanos fizeram uma investigação abrangente e teriam provas sobre o caso.

*(Com informação do Centro Knight e BBC Brasil

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