Cachoeira: Professor Giuseppe Cocco defende em palestra as políticas sociais do Governo Lula

Professor Dr. Giuseppe Cocco e o jornalista Carlos Augusto

Professor Dr. Giuseppe Cocco e o jornalista Carlos Augusto.

Em conferência realizada na cidade de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, na terça-feira (25/06/2010), o cientista político italiano Giuseppe Cocco defendeu as políticas sociais desenvolvidas pelo Governo Lula, com destaque para o Bolsa Família que, segundo ele, é um programa de distribuição de renda com um impacto social e econômico reconhecido em todo o mundo.

O conferencista é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em História Social pela Universidade de Paris 1. É autor de “Mundobraz: O devir-Brasil do mundo e devir-mundo do Brasil” e, com Antonio Negri, escreveu “GlobaAL: biopoder e luta em uma América Latina globalizada”.

Como coordenador do evento, Emiliano José abriu a conferência destacando a importância de trazer essa discussão para o Recôncavo baiano. “Temos pessoas de diversas partes. Estudantes, trabalhadores, ativistas culturais, cristãos, dirigentes de templos de religião de matriz africana, militantes do PT. Há uma multidão aqui presente. Tivemos a intenção trazer também vários municípios das proximidades de Cachoeira”.

Emiliano ressaltou sua alegria em estar em Cachoeira e contou um pouco da história da cidade, que foi antecipadora na luta pela independência do Brasil. “A independência da Bahia começou aqui, em junho 1822. Os navios portugueses cercaram e atacaram a cidade, e quem resistiu foi a multidão, os trabalhadores, inclusive os escravos. Mais tarde veio o 2 de julho, em 1823”.

Ele lembrou do primeiro debate deste ciclo de conferências em Salvador, com o jornalista Mino Carta, sobre o “Partido político da mídia”, que contou com grande presença de pessoas preocupadas com a comunicação no Brasil. “Agora, trazendo Giuseppe Cocco, pretende-se consolidar um momento de discussão política no sentido amplo da palavra. É uma honra muito grande recebê-lo. Sabemos que seremos agraciados com ideias muito significantes”.

Bolsa Família

O palestrante Giuseppe Cocco destacou que, dentro das políticas sociais do atual governo, tem um programa que é muito importante, que é o maior programa de distribuição de renda do País: o Bolsa Família. “Alguns críticos dizem que esse tipo de política social é ineficaz, que não resolve o problema na raiz, e funciona como um paliativo compensatório. Por outro lado, se diz que essa política é assistencialista, que tem um impacto político que não é democrático. O que é curioso e problemático é o fato de que esse tipo de crítica é encontrada na extrema esquerda e na mídia conservadora. A grande mídia é que verbaliza esse discurso”.

Segundo ele, é fato que o Brasil tem um programa de distribuição de renda com um impacto social e econômico reconhecido em todo o mundo. “Envolveu entre 45 e 50 milhões de pessoas no País, um pouco menos de 10 milhões de famílias, com critérios de focalização para as faixas mais pobres da população e com a condicionalidade ligada ao fato de que os filhos dessas famílias sejam escolarizados e em dia com as vacinas”.

Transformação da cidadania

Para Cocco, do ponto de vista da direita, o Bolsa Família é uma ameaça à mudança da política econômica implementada a partir dos anos 90. “O Governo Lula fez uma mudança radical do ponto de vista reformista, da transformação da cidadania, da política social e dos indicadores econômicos de desenvolvimento. Conseguiu abaixar as taxas de juros, reconstruir um projeto de desenvolvimento nacional, determinado nível de crescimento, proporcionar emprego assalariado, condição para se construir uma cidadania. Quer dizer: distribuir renda a partir do emprego”.

Destacou ainda que o Governo Lula tem políticas sociais muito boas, mas a maior delas é o Bolsa Família, porque reconhece a dimensão produtiva da vida e transforma o conceito de cidadania e o próprio conceito de cultura. “O Bolsa Família é uma condição para a transformação dos valores sociais. É uma política dos pobres pelos pobres. É uma política da diferença”.

Capitalismo Contemporâneo

“O capitalismo contemporâneo está em todo lugar, em todo o mundo, porque funciona em rede. Ele explora não mais apenas o nosso tempo de trabalho. Ele explora todo o nosso tempo de vida. Nossa vida social. Explora a nossa vida na sua diversidade, na sua multiplicidade. Ele explora nossa vida mantendo as nossas relações de comunicação horizontal, as nossas dinâmicas sociais”, explicou.

Segundo o palestrante, o neoliberalismo privatiza e, com isso, continua com alterações esdrúxulas. “Mas isso não é o que muda. Não é a inovação. A novidade é que ele muda dirigindo em acumulação. Eles privatizam porque ali é que tem o valor. Ali é que tem acumulação. Nesse sentido, o Governo Lula, com toda a sua moderação, com todas as limitações ligadas a relações internas e externas, conseguiu abrir uma brecha importante”.

Mais conferências

O evento fez parte da série de seminários “A Política e a Vida na Esquina do Mundo”, coordenada pelo Grupo de Estudos de Comunicação e Política da Universidade Federal da Bahia, do qual Emiliano José é coordenador.

O ciclo, que já trouxe também a Salvador o jornalista Mino Carta, terá continuidade com as conferências do cientista político Juarez Guimarães (UFMG) e da filósofa Marilena Chaui (USP), ambos com datas em negociação.

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