Seminário sobre Biocombustíveis aponta necessidade de qualificação

A necessidade de qualificação profissional dos trabalhadores da agricultura familiar para produção de culturas oleaginosas, como mamona, girassol, pinhão- manso e amendoim, destinada à fabricação de bicombustíveis, foi detectada durante o III Seminário da Rede Baiana de Bicombustíveis (RBB), realizado na sexta-feira (14/05/2010) e no sábado (15), em Olindina, no semiárido baiano

Ao final do encontro foi encaminhada ao ministro do Trabalho, Emprego e Renda, Carlos Lupi, a Carta de Olindina. O documento reivindica a inserção de trabalhadores rurais, filhos de agricultores familiares e estudantes no âmbito do Plano Setorial de Qualificação – PlanSeQ Biocombustíveis, do MTE.

O plano foi apresentado durante o evento e motivou os participantes para a qualificação profissional oferecida pelo ministério. Lupi foi alertado que na Bahia e em Sergipe (Olindina faz divisa com municípios sergipanos) não existem recursos do PlanSeq para atender a região. A Bahia conta hoje com 665 mil agricultores familiares cadastrados no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), concentrando 56% da agricultura familiar do país.

Os signatários da Carta de Olindina lembram que a Petrobras Bicombustível (PBio) na Bahia e em Sergipe possui um cadastro de aproximadamente 35 mil agricultores familiares que pode servir de referência para direcionar as ações de plano, assim como a definição da meta a ser trabalhada.

Assinam o documento o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Feliciano Tavares Monteiro, o chefe de Orientação Profissional e Atendimento ao Trabalhador da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego na Bahia, Osvaldino Vieira de Santana, o prefeito de Olindina, Antônio João Rodrigues da Cruz, o gerente administrativo da fábrica da Petrobras Biocombustível de Candeias, Orlando Santana, e o presidente da Cooperativa de Agricultores Rurais de Olindina, Geraldo Oliveira de Santana, dentre outros.

Oliveira de Santana aproveitou o evento para cobrar mais crédito para a agricultura familiar e o reconhecimento da instituição para o acesso à declaração de aptidão para o Pronaf. “Hoje, quase 90% dos produtores rurais são agricultores familiares, que para o acesso ao crédito dependem muito da boa vontade dos gerentes de banco, muitos dos quais se acham donos da instituição financeira”, destacou.

O exemplo de dona Luzia

Aos 80 anos, a pequena agricultora Luzia Dias de Almeida não mediu forças para sair da zona rural de Olindina, se deslocar até a sede do município e participar do seminário da RBB. Com muita disposição e uma vontade de aprender de fazer inveja a muitos jovens, dona Luzia participou da oficina Viabilidade Econômica do Plantio de Oleaginosas, uma das seis oferecidas pelo evento, coordenada pela professora Cristina Maria Macedo de Alencar, do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social da Universidade Católica do Salvador. E quem disse que dona Luzia foi lá apenas para aprender? Terminou ensinando. Mostrou como, em sua roça, onde planta milho e feijão, se elimina um formigueiro. “Basta colocar aquela cinza que resta de uma fogueira queimada e as formigas morrem todas”, deu a dica, inclusive para técnicos que desconheciam o método consagrado pela sabedoria popular.

Para simbolizar a importância da agricultura familiar para o governo da Bahia, o secretário fez questão de entregar a dona Luzia o primeiro certificado de participação no seminário. “Esta senhora é um exemplo da luta e da fibra sertaneja que deve ser seguido por todos aqueles que acreditam na força do trabalho e no potencial da agricultura familiar”, disse Monteiro. “Sempre gostei de participar das coisas que trazem conhecimento, pois não tem idade para aprender de tudo”, ensinou dona Luzia.

Focado no plantio de oleaginosas, especialmente as técnicas que promovam a produção consorciada com alimentos, o seminário reuniu agricultores rurais, pesquisadores, empresários, professores, estudantes e representantes de cooperativas agrícolas do Território Litoral Norte/Agreste para discutir os desafios e as possibilidades da política de biocombustíveis no semiárido baiano.

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