Carne Suina comercializada no Centro de Abastecimento de Feira não tem procedência

Carne Suina comercializada no Centro de Abastecimento de Feira não tem procedência.

Carne Suina comercializada no Centro de Abastecimento de Feira não tem procedência.

O consumidor de carne em Feira de Santana corre um sério risco e, em muitos casos, nem sabe. O problema está na compra de carnes sem comprovação de procedência. Um claro e preocupante exemplo pode ser encontrado no Centro de Abastecimento, maior entreposto comercial da região, mas que tem a comercialização de carne suína sem nenhuma fiscalização. O resultado é que a totalidade da carne suína vendida no Centro de Abastecimento é de origem clandestina.

O perigo da carne clandestina está justamente nas doenças a que o consumidor está submetido. O veterinário Cezar Madruga, com bastante experiência e que presta serviço ao frigorífico Matadouro Campo do Gado como responsável técnico, enumera algumas dessas doenças. “Brucelose, tuberculose, cisticercose, hidatidose, dentre outras doenças”, diz Cezar.

Essas doenças, segundo o veterinário, são detectáveis ainda na linha de abate tanto em suínos quanto em bovinos. “Através das vísceras podemos identificar boa parte dessas doenças e, então, vamos fazer uma análise apurada na carcaça do animal”, explica, salientando que em caso positivo toda a carcaça é condenada.

Cezar Madruga demonstra preocupação em relação á situação específica verificada em Feira de Santana. “O Matadouro Frigorífico Campo do Gado faz o abate de suínos, mas a demanda é muito baixa em relação ao consumo, o que é um indicativo de que a venda e consumo de carne sem procedência é grande”, avalia.

FRIGOMATO

Realmente a situação é preocupante, se analisarmos os números do frigorífico. A capacidade total de abate do frigorífico é de 8 mil animais/mês – o aceitável seriam até 5 mil animais/mês, mas hoje não chega a 4 mil. “Toda a carne suína vendida no Centro de Abastecimento é clandestina, porque nós não temos clientes em número suficiente no entreposto para cobrir os 100 por cento de carne vendida lá”, alerta Madruga. “O Campo do Gado já abate suínos desde março de 2008 e nunca abateu um único suíno para feira de Santana”, denuncia.

Para denominar esta situação preocupante, o veterinário usa um termo curioso, mas que reflete a situação. “Costumamos dizer que esta carne de suíno vendida no Centro de Abastecimento tem origem no ‘frigomato’, que é onde os animais clandestinos são abatidos”, explica.

Cabe à Vigilância Sanitária do Município e à Agência de Defesa Agropecuária (ADAB), promover a fiscalização desse tipo de comércio. Quando as operações são realizadas, há sucesso. Assim aconteceu recentemente com o bovino.

Uma ação realizada entre a Vigilância Sanitária do Município e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia no Centro de Abastecimento, durante a madrugada, resultou na apreensão de 300 quilos de carne clandestina das espécies bovina, suíno, caprino e vísceras deterioradas.

CARIMBO

Mas o próprio consumidor também pode ser um aliado para garantir que a carne que chega à sua mesa tenha origem e procedência, o que é garantia de carne saudável. “O consumidor deve procurar saber do comerciante a origem daquela carne vendida e também exigir o carimbo de inspeção emitido pelas autoridades competentes”, orienta Cezar Madruga.

Porém o veterinário faz outro importante alerta. No caso da carne clandestina, os riscos de contaminação não acontecem apenas através de doenças. “Quando esses animais são abatidos em meio ao mato e locais sem a menor condição de higiene, logicamente a contaminação do meio ambiente chega até esta carne. Num frigorífico como o (Matadouro) Campo do Gado, por exemplo, as condições de higiene são rigorosamente controladas. Até a qualidade da água é rígida”, acentua o experiente veterinário. “Muitas vezes uma pessoa ingere um churrasco em determinado lugar e passa mal, e credita o problema a outros fatores não sabendo que a origem estava justamente na carne”, completa.

Mas os problemas gerados pela venda e consumo de carne clandestina não se restringem apenas à saúde do consumidor. Existe também o aspecto econômico e social. No (Matadouro) Campo do Gado, por exemplo, hoje são gerados 150 empregos diretos. Os planos são para ampliar para 450 empregos, mas como a clandestinidade campeia em feira e região, o projeto vai sendo adiado. “Mas com o esforço conjunto de consumidores, autoridades, imprensa e Ministério Público vamos conseguir inibir este grave problema que é a carne clandestina”, prevê.

 *Com informações de José Augusto Ferreira

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