Brasil produzirá cerveja tipicamente alemã

Um acordo entre cervejarias dos dois países permitirá que o Brasil produza uma cerveja com o que a Alemanha tem de melhor: os ingredientes e a receita tradicional. Iniciativa deve agradar aos consumidores mais exigentes.

Será lançada na segunda quinzena de maio a primeira cerveja feita no Brasil segundo o tradicional preceito de pureza alemão (Reinheitsgebot). Esse decreto, que vigora desde o século 16 na Baviera, e se tornou lei nacional na Alemanha no início do século passado, só permite o uso de lúpulo, malte e água na fabricação da bebida. A nova cerveja é fruto de uma parceria entre as cervejarias Weltenburger, da Alemanha, e Petrópolis, do Brasil.

Alemanha, sinônimo de qualidade

A cervejaria brasileira não procurou uma parceira alemã por acaso. “Para nós, brasileiros, a Alemanha é obviamente um país com muita tradição, tem um know-how na produção de cerveja. Por isto, o país é uma referência de qualidade neste segmento”, explicou Douglas Costa, gerente de marketing do Grupo Petrópolis, à Deutsche Welle.

A ideia é investir num segmento que os fabricantes chamam de “super premium”. São cervejas finas, com um preço mais elevado, e que agradam ao paladar. Uma pesquisa de mercado encomendada pelos fabricantes mostra que, nos últimos três anos, esse setor cresceu 20% no Brasil, enquanto o crescimento da indústria de cervejas ficou em 4%.

Atualmente, o público que aprecia esse tipo de cerveja já encontra o que procura nos produtos alemães. Marcas como Erdinger, Franziskaner, Paulaner, Warsteiner e Weihenstephan podem ser encontradas não só em restaurantes típicos e lojas especializadas, mas também em bares e supermercados.

Por tudo isto, Costa explica que a estratégia de marketing do lançamento da nova cerveja será explorar a tradição que as cervejas alemãs agregam. A Weltenburger foi fundada no ano 1050 num mosteiro na Baviera, e a história de quase mil anos que a marca carrega será enfatizada nas campanhas publicitárias para o Brasil.

Produzir no Brasil é melhor que importar?

A cerveja que chegará aos copos brasileiros não terá apenas marca e história, mas também o sabor típico das cervejas alemãs. Leonhard Resch, cervejeiro-mestre da Weltenburger, é quem garante. Segundo ele, o segredo está na receita e nos ingredientes, que serão os mesmos. Além disso, alguns dos cervejeiros-mestres da Petrópolis também estudaram na Alemanha, onde é exigido um curso específico de ensino superior para exercer esta profissão.

Para Resch, a cerveja produzida no Brasil chega ao consumidor com melhor qualidade do que se fosse importada. “A distância é muito grande entre a Alemanha e o Brasil. Se a cerveja fica muito tempo no transporte entre os dois países, não chega tão fresca ao destino”, explicou o cervejeiro-mestre.

Nem mesmo alguns hábitos de consumo que são diferentes nos dos países fazem grande diferença. No Brasil, aprecia-se a cerveja “estupidamente gelada”, em temperaturas abaixo de 0ºC, enquanto na Alemanha ela é bebida apenas fria. As comidas típicas de cada lugar também são uma diferença óbvia, mas que não é determinante. “Tudo isso é uma questão de gosto, não existe melhor ou pior”, assegurou Resch.

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