Comerciantes e trabalhadores realizam passeata na Avenida Heitor Dias, em protesto contra desapropriações

Eles partem do Largo Dois Leões em direção à sede da Conder, onde farão um ‘apitaço’. Em greve, trabalhadores da construção pesada participam da manifestação.

Salvador, 29 de abril de 2010 – Os comerciantes da Avenida Heitor Dias (Barros Reis) e adjacências realizam hoje (29), às 8h30, uma manifestação em protesto contra o processo de desapropriação para a construção da Via Expressa Baía de Todos os Santos. De preto, para simbolizar o luto, eles partem do Largo Dois Leões percorrendo a Avenida Heitor Dias, em direção à sede da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), e irão fazer um ‘apitaço’ em frente à empresa.

Os comerciantes foram informados pela Conder que apenas os proprietários dos imóveis da região terão direito à indenização. Aqueles que alugam e exploram os pontos comerciais não serão indenizados pelo fundo de comércio ou mesmo remanejados para outro local, como a Conder havia prometido. Cerca de 300 comerciantes garantem a sobrevivência de suas famílias e das famílias de seus empregados na região da Barros Reis.

TRABALHADORES EM GREVE PARTICIPAM DA MANIFESTAÇÃO – Os trabalhadores da construção pesada do Estado da Bahia, em greve desde o dia 13, também participam da manifestação. Em campanha salarial e lutando por melhores condições de trabalho, eles pararam a obra da Via Expressa. “Uma obra pública não pode gerar um passivo social, deixando várias famílias sem emprego e renda”, opina o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Pesada e Montagem do Estado da Bahia (Sintepav), Adalberto Galvão, justificando porque o sindicato apóia a manifestação.

A reivindicação dos comerciantes é que o Governo do Estado disponibilize uma outra área da cidade, com infraestrutura, onde eles possam manter suas atividades. Ou, em último caso, que lhes seja garantida uma indenização justa pelo fundo de comércio. “Fui informado pela Conder que teria de deixar o ponto sem direito a nada. Não aceito essa postura, vou lutar para ter os meus direitos resguardados”, afirma Roberto Magalhães, proprietário da Magalhães Veículos, que faz parte do pólo automotivo da Heitor Dias há 16 anos. “A Conder nos apresentou o projeto da Via Expressa há cerca de dois anos, e fomos informados de que seríamos transferidos para outro local, que seria criado um pólo automotivo, para abrigar as lojas desapropriadas”, lembra Magalhães.

Há cerca de 20 dias, os comerciantes foram informados de que não foi encontrado um local da cidade disponível para esse remanejamento. “Eles deveriam ter começado o processo de procura do local, de transferência dos comerciantes há dois anos, quando a obra da Via Expressa foi iniciada. Essa coisa de procurar terreno em cima da hora mostra o descaso do poder público”, afirma. “Amargamos inúmeros prejuízos desde o início da obra. Trafegar por aqui é tarefa cada vez mais difícil, por isso o cliente não vem”, afirma Magalhães, que antes da Via Expressa vendia entre 25 e 30 carros por mês. Hoje esse número não passa de 4.

LOJA PIONEIRA – O proprietário da Só Pneus, Jakson Lopes, abriu a primeira loja da área automotiva na Avenida Heitor Dias há 19 anos. “Consolidei uma empresa e não posso deixar que ela seja destruída desse jeito; em torno dela sobrevivem várias famílias”. Locatário do imóvel onde hoje está instalada sua loja, ele informa que o proprietário já fez acordo com a Conder e já assinou os termos da desapropriação. “Já falei para o dono que vou lutar até o fim, nem que eu tenha de ir até o presidente da República; não posso sair daqui e deixar uma vida inteira de trabalho para trás”, diz.

Comerciante da região da Barros Reis há 19 anos e proprietário de imóvel, Arthur de Almeida Couto afirma que não aceitou o valor proposto pela Conder para indenização do imóvel dele. “As propostas giram em torno de 30, no máximo 40% do valor real. Não dá para iniciar uma atividade em outro local com o valor oferecido pelo governo”, diz. Hoje a Mix Veículos tem apenas quatro empregados e vende cerca de 10 veículos por mês, mas já chegou a vender 35 carros/mês. “Meu ponto estava feito, daqui eu sustentava minha família. Como vou recomeçar minha vida e criar um ponto igual a esse?”, questiona.

Benedita Ramos é proprietária de uma lanchonete na Heitor Dias há 10 anos. “Meu marido tem problema de coluna e não pode trabalhar; minha filha, que mora comigo, está desempregada. Tenho apenas essa renda para sustentar a família inteira”, comenta. Erenice Pereira, que também é proprietária de uma lanchonete na Heitor Dias, está na mesma situação. “Não é justo expulsar a gente daqui sem direito a nada”, diz.

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