Os bastidores políticos da vinda da Ford para a Bahia

Os bastidores políticos da vinda da Ford para a Bahia.

Os bastidores políticos da vinda da Ford para a Bahia.

Conheça os detalhes que resultaram na atração do maior empreendimento industrial de nosso estado.

A primeira medida para promover a desconcentração da indústria automobilística nas regiões Sudeste e Sul do País foi a Lei Federal 9440/97. De autoria do deputado federal José Carlos Aleluia, a legislação criava um regime automotivo especial, com uma série de incentivos fiscais, para as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, que, assim, ganhavam condições de atrair os investimentos das fábricas de automóveis interessadas em se instalar no Brasil.

Em razão do regime especial, a Bahia chegou a atrair o interesse de duas montadoras coreanas: a Asia Motorse a Hyundai. A crise asiática, no entanto, inviabilizou a implantação dos empreendimentos coreanos. A Asia, que chegou a lançar a pedra fundamental da unidade baiana, faliu, e a Hyundai passou a enfrentar dificuldades.

O sonho de a Bahia passar a integrar o rol dos estados produtores de automóveis parecia ter acabado com o fracasso das fábricas coreanas,quando surgiu o desentendimento da Ford com o governo do Rio Grande do Sul, onde estava prevista a instalação da nova unidade da montadora norte-americana no Brasil. Mais uma vez o deputado José Carlos Aleluia exerceu um papel importante para trazer a tão desejada indústria automobilística para a Bahia.

Assistia, em Interlagos, ao Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, naquele domingo de 11 de abril de 1999, quando atendeu o jornalista Paulo Brandão ao celular. Especializado na cobertura automobilística, Brandão também estava em Interlagos, ao lado do amigo Célio Batalha, diretor de comunicação corporativa da Ford. A questão das dificuldades que a montadora estava enfrentando para o desenvolvimento do projeto no Rio Grande do Sul entrou na conversa dos dois e Brandão disse a Batalha que a Bahia poderia ser uma alternativa para a instalação da fábrica.

O estado dispunha de infraestrutura e o governo certamente daria todo o apoio necessário. Empolgado com o que argumentara Paulo Brandão, Célio Batalha foi buscar o então presidente da Ford do Brasil, Ivan Fonseca, e o vice-presidente mundial Martin Ingles, que também estavam em Interlagos.

O jornalista baiano reiterou tudo que dissera antes e propôs um encontro informal dos executivos com o governo baiano. Na ocasião, o jornalista se lembrou do amigo José Carlos Aleluia e ligou para falar sobre o assunto e propor que ele intermediasse o encontro com o então governador César Borges. Na mesma hora, Aleluia telefonou para o governador e retornou para Brandão, combinando a reunião inicial que resultou na instalação da montadora em Camaçari, ainda naquela semana de abril de 1999.

“Aleluia foi de uma eficiência incrível e surpreendeu os executivos da Ford”, comenta o jornalista. Testemunha de todo o desenrolar da história da vinda da Ford para a Bahia, Paulo Brandão destaca ainda o papel de Aleluia, liderando a bancada baiana, para a aprovação da Medida Provisória que viabilizou a implantação da montadora no estado.

“Aleluia teve extrema importância em todo o processo. E muito mais responsabilidade pela presença da Ford, na Bahia, do que muita gente que aparece como pai da criança”, afirma.

Mais de um milhão de carros fabricados em quase uma década

Após nove anos de inaugurada, a fábrica da Ford na Bahia já superou a marca dos milhões de veículos fabricados. Novos investimentos superiores a R$ 2 bilhões estão programados para a ampliação da unidade baiana.

A instalação da montadora fora do sul do País foi considerado um desafio, mas os números de hoje mostram que a atitude ousada derrubou mitos e credenciou o estado para receber outros investimentos empresariais de grande porte, além de significar uma diversificação da matriz produtiva industrial baiana. Atualmente, a fábrica responde por cerca de 10% do total de veículos produzidos nacionalmente e representa cerca de 13,5% da pauta de exportações da Bahia.

O Complexo Industrial Ford Nordeste, que, além da montadora, reúne outras 25 empresas sistemistas, gera 8,5 mil empregos diretos na região e ocupa uma área total de 4,7 milhões de metros quadrados. “A chegada da Ford deu novo impulso à economia baiana”, afirma Aleluia.

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