Mulheres da Paz discutem estratégias de conciliação em Simões Filho

Josélia dos Santos, moradora da Baixa da Jaqueira, em Simões Filho, cansou de ver seus amigos – crianças que viu crescer – envolvidos com crack e heroína. Chegou a testemunhar pessoas com seringas injetando chorume no corpo. Esse foi o estopim para ela aceitar o convite de uma coordenadora de bairro para fazer parte do Projeto Mulheres da Paz.

Josélia é uma das 100 mulheres engajadas no projeto, que reuniu, nesta segunda-feira (26/04/2010), no Centro Social Marta Alencar, em Simões Filho, além das voluntárias, representantes da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), de escolas públicas, líderes comunitários e representantes da Igreja Católica para estabelecer estratégias de conciliação nas comunidades do município e também organizar a caminhada que realizará na próxima sexta-feira (30).

Com muita vontade de ajudar o outro, Josélia identificou, nos eixos centrais do projeto, problemas vivenciados diariamente na sua comunidade. “Eu já comecei a divulgar no bairro. Já tem algumas famílias que eu dou apoio. Tem um caso em que a mãe, sem saber lidar com os dois filhos adolescentes, veio até mim e buscou apoio”. As conversas da voluntária surtiram efeito e um dos jovens se encontra, hoje, em um centro de reabilitação, em Feira de Santana.

As dificuldades dessa e de outras voluntárias do projeto são compartilhadas. Aproximadamente 700 mulheres, distribuídas nos municípios de Salvador (São Cristóvão e Beiru – Tancredo Neves), Lauro de Freitas (Itinga, Portão, Areia Branca Caji e Vida Nova), Camaçari (PHOC I, II e III) e Simões Filho (César Borges, Ponto Parada e Baixa da Jaqueira) enfrentam o preconceito de alguns vizinhos por acharem que estas não são confiáveis por trabalharem em órgãos ligados ao poder público.

O projeto Mulheres da Paz faz parte das ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e é realizado em parceria com o Governo da Bahia, por meio da Sedes. O Pronasci tem como objetivo prevenir e enfrentar à violência, com atuação por meio de ações sociais junto a jovens de 15 a 24 anos, em situação de vulnerabilidade social, das áreas metropolitanas do país.

“Essas mulheres são conciliadoras, mensageiras da paz nas suas comunidades. Cada voluntária vai acompanhar dez famílias, cadastradas voluntariamente. Todas essas mulheres receberam capacitação durante seis meses com o intuito de se apoderar das leis e dos direitos do cidadão e trabalhar de uma maneira efetiva”, explicou a coordenadora da equipe multidisciplinar de Simões Filho, Maria das Graças. Elas recebem uma bolsa auxílio no valor de R$ 190.

Intermediação de conflitos

As mulheres envolvidas no projeto atuam na intermediação de conflitos em suas comunidades. Segundo a voluntária Telma Iara, da comunidade César Borges, em Simões Filho, o papel das Mulheres da Paz é mediar conflitos das famílias que possuem jovens que vivem à beira da criminalidade ou que já tiveram problemas com a lei. “Atuamos como conselheiras dessas famílias em parceria com poderes públicos, escolas e instituições religiosas”.

A coordenadora multidisciplinar de Tancredo Neves e assistente social, Vivian Benvindo, destacou a parceria das mulheres de Simões Filho com o Cine Millennium, onde será exibido, na Semana da Mulher da Paz, um filme, oferecido a preço popular de R$ 3.

“Outra conquista foi o espaço numa rádio comunitária, em que elas vão ter um programa semanal, toda sexta-feira, pela manhã, com meia hora de programa, em que poderão apresentar suas atividades e falar sobre o projeto”, disse Benvindo. A estratégia do projeto é apostar no papel de liderança exercido pelas mulheres em comunidades carentes, capacitando-as para atuar como mediadoras sociais na defesa dos direitos humanos.

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