Mostra lembra bicentenário das lutas pela independência na América Latina

Menos tempo que lugar – um verso do poeta uruguaio Mario Benedetti deu nome à exposição organizada pelo Instituto Goethe, em comemoração aos 200 anos das lutas de independência na América Latina. Atualmente, a mostra que reúne artistas e intelectuais latino-americanos e alemães se encontra no espaço de exposições Palais de Glace, em Buenos Aires.

Parte da mostra já passou pelas cidades de Cuenca, Quito e Porto Alegre. Em breve, os trabalhos de vídeo da exposição poderão ser vistos também em Curitiba. Durante 2010 e 2011, Menos tempo que lugar viajará para Medellín, Córdoba, Rio de Janeiro, Cidade do México, Caracas e Assunção.

Tempo e espaço

O curador da mostra, o diretor do Instituto Goethe do Rio de Janeiro, Alfons Hug, diz que a exposição procura ilustrar o tema da independência através de mídias contemporâneas. Os artistas e intelectuais que participaram do projeto, afirma Hug em entrevista à Deutsche Welle, trouxeram à tona uma série de questionamentos. Alguns abordam o tema a partir da história, do drama urbano das metrópoles atuais, enquanto outros propõem uma versão irônica do bicentenário, explica.

Alexander Apóstol filmou moradores de bairro pobre de Caracas lendo carta de Bolívar
Segundo Hug, a exposição Menos tempo que lugar é, por um lado, um mapa, já que se atém a uma dramaturgia geográfica e faz uma viagem por todos os países do continente. Por outro lado, é também uma espécie de aparelho detector do tempo que explora a história ano após ano. Com isso, surge uma espécie de cronótopo, ou seja, uma fusão de tempo e espaço, explica o curador.

Vilarejos e megacidades

Os artistas e intelectuais que participam da mostra visitaram os mais diferentes pontos do continente latino-americano: pequenos vilarejos e megacidades, lugares que se prendem ao passado e metrópoles modernas que destruíram os últimos restos da história.

Na videoinstalação Traffic Police, por exemplo, a artista búlgaro-alemã Mariana Vassileva observa dois policiais que tentam por ordem no tráfico caótico da capital mexicana, enquanto seus movimentos rítmicos parecem seguir uma coreografia de dança urbana.

“Carta da Jamaica”

O ponto de partida da exposição foi a lendária carta de 1815, conhecida como Carta da Jamaica, que o herói libertador Simón Bolívar escreveu de seu exílio em Kingston a um amigo inglês. O curador enviou a carta a todos os participantes da exposição. Nela, o herói da independência latino-americana esboçou sua ideia de um continente americano unido. Sua análise começa com um inventário dos movimentos libertadores entre 1810 e 1815, explica Hug.

Artistas alemães e latino-americanos trataram o tema do bicentenário de forma bastante subjetiva e diferenciada. O videoartista caraquenho Alexander Apóstol filmou habitantes de um bairro pobre da capital venezuelana lendo a Carta da Jamaica em inglês, língua em que foi escrita originalmente.

O emaranhado quase incompreensível de palavras é uma sátira verbal dos discursos esvaziados de políticos que se apresentam como salvadores.

A festa continua

Em sua videoinstalação, a artista boliviana Narda Alvarado mostra uma jovem que executas coisas do cotidiano, enquanto elabora uma dança para uma festa.

A artista declara que, em seu trabalho, ela quis mostrar algo que não mudou nos últimos 200 anos. “Na Bolívia, desde o final da era colonial, não existiu nenhuma mudança verdadeira das estruturas e da mentalidade. E uma das coisas positivas que continuam é a festa”, declarou Alvarado.

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