Meirelles diz que crise na economia da Grécia é alerta para outros países

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje (24/04/2010), em Washington, que o caso da Grécia, que na ontem (23) pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia para enfrentar sua crise econômica, é um “alerta” para outros países. “É um sinal de que a questão fiscal está à frente da economia mundial. É um sinal de alerta de que a questão fiscal tem de ser enfrentada”, disse Meirelles.

O governo grego decidiu recorrer à ajuda depois do anúncio de que o déficit público do país, no ano passado, foi de 13,6% do Produto Interno Bruto (PIB ), maior do que o estimado anteriormente e quase o dobro do do ano anterior.

As declarações de Meirelles foram divulgadas pela BBC Brasil, após ele participar na capital norte-americana da reunião de ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G20, grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento.

Quanto ao Brasil, ele garantiu que o déficit em conta corrente tenderá a se ajustar. “Não deve continuar subindo dessa maneira. E o Brasil está preparado”. Segundo ele, o ajuste será resultado de vários fatores, como o câmbio flutuante, o aumento do crescimento em outros países e do investimento estrangeiro direto. O déficit nas contas externas de US$ 12,145 bilhões, registrado no primeiro trimestre deste ano, foi o pior resultado desde 1947, de acordo com o BC.

Meirelles disse ainda que o Brasil já mostrou, durante a crise econômica mundial, que está bem preparado para enfrentar crises cambiais. “O Brasil mostrou, em 2008, que está bem preparado para enfrentar crises cambiais”, afirmou. Ele lembrou que o país saiu da crise com US$ 246 bilhões (cerca de R$ 433 bilhões) em reservas, volume superior aos US$ 205 bilhões (R$ 361 bilhões) registrados antes da crise.

Os representantes do G20 chegaram a um consenso sobre a necessidade de se prosseguir com a reforma do sistema financeiro internacional, no momento em que os países se recuperam da crise econômica. “O fato de que a crise começa a ser superada, com diferentes velocidades, não deve servir de justificativa para diminuição da ênfase [nas reformas]”, disse o presidente do BC.

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