Hino ao 2 de Julho agora é hino oficial do Estado da Bahia

aSobre a Ordem, o governador Jaques Wagner (PT) explicou que esta é uma forma de homenagear a consolidação da Independência do Brasil na Bahia e será conferida àqueles que tenham contribuído para garantir as liberdades públicas e afirmar a soberania nacional. Já a respeito da oficialização do hino pela Assembléia Legislativa, Wagner disse que esta foi uma ação necessária ao reconhecimento daqueles que lutaram pela independência do Estado, que nunca teve um hino oficial.

“Não há homenagem melhor aos heróis da independência do Brasil e da Bahia, porque gosto de dizer que não há independência do Brasil antes do 2 de Julho. Havia proclamação. A independência se consolida quando, finalmente, as tropas portuguesas fiéis à Coroa Portuguesa são colocadas daqui pra fora pelos heróis do 2 de Julho, que são os negros, índios, portugueses, brasileiros e mestiços que lutaram para nos incorporar ao Grito do Ipiranga” disse o governador.

Para o deputado estadual, Zé Neto (PT), esta oficialização é um relevo à força do povo desta terra. “A letra deste hino é a representação de um momento que, incontestavelmente, marcou e deu outros rumos à história do país. Ter em mente este hino é ter em mente os nossos valores. Viva a Bahia!”, declarou.

Durante a solenidade, uma verdadeira revisão de história, que reuniu Secretários e servidores do Estado, estudantes e empresários, o governador destacou a adesão, em junho de junho de 1882, pela Câmara de Vereadores de Cachoeira, do movimento da independência brasileira. “Foi no Recôncavo baiano que a efetiva independência do Brasil foi conquistada. Não podíamos fazer melhor homenagem, além da que a gente vem fazendo há dois anos, transferindo a capital da Bahia, em 25 de junho, para Cachoeira”, ponderou.

Wagner recordou, também, o último momento de interrupção da democracia plena no país, dado de 1964 com o Golpe Militar, discorrendo sobre a importância do diálogo e sobre o mérito de se ter respeito e paixão pela liberdade e conhecimento das maneiras de inspiração desse desejo, tais como o Hino ao 2 de Julho. Sobre a importância de sua letra, o chefe do executivo estadual disse que ela é a expressão da identidade dos baianos e brasileiros, quando diz que “com tiranos não combinam brasileiros corações”.

Para finalizar, o governador disse que, precisamos cultuar nossa paixão pela liberdade e independência, sem as quais, segundo ele, não somos capazes de consolidar a democracia. “Precisamos regar muito a semente da democracia”, aconselhou.

Presentes – Além de representantes do Mandato do deputado estadual Zé Neto (PT) e do governador Jaques Wagner, estiveram presentes os secretários Osvaldo Barreto (Educação) e Márcio Meirelles (Cultura); a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT); o coronel da PM, Expedito Manoel de Souza; além de alunos das Escolas Estaduais Bolívar Santana e Raphael Serravalle, com destaque para a aluna desta última unidade de ensino, Lorena Miranda, que hasteou a Bandeira de Salvador.

Hino ao 2 de Julho – de autoria de José dos Santos Barreto e Ladislau dos Santos Titara, este é um poema à Independência da Bahia, fazendo alusão ao 2 de Julho de 1823, quando a Bahia foi libertada do domínio português. Sobre esta data, de acordo com o secretário de Educação, Osvaldo Barreto, existe um Projeto de Lei no Congresso para que ela seja inserida no calendário nacional.

Letra do Hino “Dois de Julho” (Hino da Bahia)

Letra: Ladislau dos Santos Titara

Música: José dos Santos Barreto

Nasce o sol a 2 de julho

Brilha mais que no primeiro

É sinal que neste dia

Até o sol é brasileiro

Nunca mais o despotismo

Referá nossas ações

Com tiranos não combinam

Brasileiros corações

Salve, oh! Rei das campinas

De Cabrito e Pirajá

Nossa pátria hoje livre

Dos tiranos não será

Cresce, oh! Filho de minha alma

Para a pátria defender,

O Brasil já tem jurado

Independência ou morrer.

Paraguassu

Poema épico

Canto I [Anjo Benigno, que feliz à Humanos]

Anjo Benigno, que feliz à Humanos,

Para exalçar nações, dos Céus baixaste:

Augusta, ó Liberdade, eia, me inspira;

E d’Épico instrumento os sons canoros

Dá, que divinos guardem, sobranceiros

Aos turvos lagos do esquecido Letes,

Heróis quanto criou guerreira a Pátria:

E, animados por Ti, prodígios quantos

C’roa cingiram, de fulgor perene,

As, d’alto jus à glória, honrosas lidas,

Que salvo o Pátrio berço, à pleno, deram,

No assunto, sem igual, tua influência

Sobeja o voar implume esteie à Musa.

Canto I [Tanto que o Município desse prisco]

Tanto que o Município desse prisco

Povo, rei do Orbe inteiro, decidira

Legiões, que os nós desdém, mudar segundas

O Gênio do Brasil, que ativo o escruta,

Peito a baldá-lo põe; e lá firmando

No Amazonas caudal a planta enorme,

Transcende etérea mole desmedida,

Às margens sobranceiro do Janeiro,

Por onde cometer de Jove o assento,

Raivando, pretendeu Titânea prole:

E quanto à Diva, que semeia trevas,

Horas apenas sobejavam duas,

Para que ao fulvo Irmão nos Hemisférios

Desfechar consentisse acesos fachos;

Quanto cadentes aliciavam astros

Mais ao supor gratíssimo, e cingia,

Com suave liame, Orfeu Humanos:

Qual fora em sonhos ao Diôneo Teucro,

Do futuro enunciar Cileno arcanos;

Fragueiro se acelera, e do Magânimo jeito,

Do Bragantino Moço, então Regente,

Que, outro Filho de Rhea, à um Novo Império

Robustos profundava os alicerces,

Tomado de respeito, ao toro chega.

Canto III [Ao horrendo fremir das rijas portas]

Ao horrendo fremir das rijas portas,

Intrépida Heroína, acorre Antiste,

A que do sacro Encerro a paz cabia;

E porque a sanha acalme aos monstros, única

O postigo desfecha, e ora mil preces

Exaure a eliminá-los; ora ativa

Emprega suasões, e as cãs ostenta,

Dos anos ao langor enbranquecidas;

As cãs, que sempre, te, ó Virtude, honraram:

O ar ostenta verendo, o ar tranqüilo,

A que palor não dão mãos homicidas,

Os celerados crus, que inexoráveis

Na culpa o coração enduram, e ávidos,

De vítimas (Ó Céu!) inda não fartos!

Recrudescem em dobro, e perrompendo

O empecilho, que os têm, mais que ferozes,

Sem pio ardor, sem dó, descridos cravam

Co’a morte o gume no virgíneo seio,

Que viste infortunosa cair, Lapa,

Do freiricida atroz aos pés sanguentos:

Tal, ao golpe exicial de arcabuz rouco,

Por mãos injustas, à Inocência adversas,

Tomba rola, que em paz, e riso habita

Sombrio entrecho dos nutrícios bosques,

Sem dos perjúrios, sem labéu dos crimes,

Gozando os teus, Natura, almos melindres.

Canto IV [Diz como idosos, ferrugentos tubos]

Diz como idosos, ferrugentos tubos,

Bahiano esforço por ameias tendo,

Rudes carretas, à ligeira, montam.

Ocorre-lhe também falar daqueles,

Tupica multidão, nas frechas destros,

Que do teso arco com vigor travando,

As tabas deixam mais, que muito, amadas;

E, em tribos várias, a reunir-se marcham.

Dos Uapis ao som, ao som da Inúbia,

Compassando uns trás outro, em longas restes,

Seguem os Paiaiás, pródomo vindo

Morubixaba afoito, às tribos chefe:

E à todos, quais na paz, seguem nos prélios,

Oh! Conjugal ternura! As leais consortes,

Que à extremos dadas, ânsia põe inteira

E com eles a triunfo, ou ir à Campa.

Canto V [Ilha em tudo primaz, Ilha famosa]

Ilha em tudo primaz, Ilha famosa,

Tão amena, e tão fértil, que eclipsara

Essa, em que (a ser verdade) seus guerreiros

D’asp’ras lidas pintou Camões divino,

Olvidados pousar, beber delícias.

Noticiam também, de que arte, um Luso

Vem trânsfuga dali, e aos seus bem nota,

Que o lado ocidental era então ermo

D’algo, que desembarque aí tolhesse.

Canto VI [Progrediam no Exército, à grã sanha]

Progrediam no Exército, à grã sanha,

Intermitentes, petechiaes, mil febres,

As falanges consumo, e que guerreiros

Tanto inutilizam; obra acerba,

Quiçá dos hostis Numes. Muito arredo

Era o magno hospital; um longe menos,

D’amplo seio também, es estabelece

Na Itapuã, e a incumbência cabe dele,

A Cabral, que a Elísia recém-vindo,

Na Esculapina ciência amplo, e perito,

Aos seios se passara patrióticos,

E ali, a seus febri-fugos desvelos,

Restrição não pequena se devera

De impertinente morbo. Inda que tanto

Desfalcadas as forças, cônscio o Chefe

De que a Esquadra Ulisséia predispunha

Do Fluminense auxílio ao desembarque.

Canto VIII [Do Pirajá volvendo, atiça chamas]

Do Pirajá volvendo, atiça chamas,

(Tuas cenas, Moscou, lembrando aflitas!)

Que encorpadas guiando-se, amplo abrasam

E às cinzas tornam Fábrica estendida!

Manancial de fartura, que prestava,

Do melífero suor, anuo estilado,

Mil candidatos cabuchos, donde safra

Ao dono vinha, de valor enorme;

Ao dono, que seu crime é ser Bahiano!

Em amplitude tal, quanto em estima,

D’équoreo braço às bordas, franco sempre,

Mais preço tinha a Granja; uma dos muros

Milha quiçá distante, mole aquária

Volteava-lhe abundosa os rijos prelos,

Que rápidos se atuam, premem lestos,

Com estufado dente, haste arundina,

Seu dispêndio é menor, tem mais presteza,

Que quantos (modo usual) vigor eqüino,

Ou tardo boi pesado, a agitar, sua.

Herdade outra também d’outro Bahiano,

Comem vorazes flamas, e desta arte,

Crêem os Godos punir pungente

De, n’um só dia, heróicos Brasileiros

Dupla vitória obter, com que se enramem.

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