Exposição Eu e Minha Máscara no Cuca | Por Ligia Motta

Em cartaz até 15 de maio de 2010, na Galeria de Arte Carlo Barbosa do Cuca/Uefs, a exposição de pinturas da artista plástica Nanja sobre rostos de modelos vivos fotografados pelo arquiteto e fotógrafo Leo Brasileiro. A mostra é composta de dezesseis modelos pintados e fotografados, na maioria mulheres, em que a artista aproveitou os próprios relevos dos rostos, provocando volume através do claro escuro e enriquecendo com um colorido vibrante as partes salientes. Além disto, ela quebrou a assimetria dando uma coloração diferenciada de um lado da face para o outro e ainda para completar a composição lançou mão de adereços, como chapéus, brincos, colares, etc., o que valorou mais ainda o seu trabalho.

O catalago da mostra traz texto de apresentação de Leni David, “Se o imaginário e o desconhecido não fossem mobilizados, como são, nas artes plásticas, no circo, no balé, na fotografia, no cinema, nas mídias digitais; se não nos assaltassem o olho, o que seriam? Matéria amorfa, chata, sem graça. Ora, o que Nanja faz na série de pinturas sobre rostos Eu e minha máscara é desenquadrar o que não é mais a parte anterior da cabeça, limitada pelos cabelos, orelhas e parte inferior do queixo. Isto que chamamos cara, face, fisionomia, semblante, é o quê, afinal, quando nos libertamos do familiar, do tédio em que se transformou o arquétipo “rosto”, de tudo que é maquilagem, dos clichês de terror, charme, euforia, estado zen, sono e o que mais quiserem, até mesmo do que denominamos “Eu” e “máscara”, como se fossem distintos? Mapa. Uma superfície: linhas, traços, rugas, formato comprido, quadrado, triangular etc. Mapa, sim, porque ao nos libertar do que nos remete à imagem do conhecido, a cabeça está compreendida no corpo, mas não o rosto. Mapa, ainda que aplicado sobre um volume, envolvendo-o, ainda que cercando e margeando cavidades que não existem mais senão como buracos. O que temos então? Rostos-paisagens. Dupla audácia: a de Nanja e a de Leo Brasileiro, o fotógrafo. Em cada mapa, um caos, um caosmos. Sim, porque não há rosto que não envolva uma paisagem desconhecida, inexplorada. Sabem o que fiz diante desses rostos? Dei-lhes um fundo musical. Roubei e colei toda a trilha sonora que Nino Rota compôs para a última seqüência de oito e meio, de Fellini. Improvisei, experimentei. A arte de Nanja e Leo ficou ainda mais sensacional. Mas isso não é uma receita, um modelo. Inventem uma recepção para a audácia dos dois”.

Nanja Brasileiro é natural de Vitoria da Conquista, porém reside em Feira de Santana desde sua infância. Autodidata, seu currículo inclui diversas exposições  individuais e coletivas, além de participações em salões de arte e bienais.

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