Exposição do Feirense Caetano Dias na Paulo Darzé Galeria de Arte | Por Ligia Motta

Exposição do Feirense Caetano Dias na Paulo Darzé Galeria de Arte | Por Ligia Motta.

Exposição do Feirense Caetano Dias na Paulo Darzé Galeria de Arte | Por Ligia Motta.

Trabalhos em vídeo, fotografia digital, objetos e instalações multimídias, estão na exposição ‘Transverso’, do artista Caetano Dias, na Paulo Darzé Galeria de Arte (Rua Dr. Chrysippo de Aguiar 8, Corredor da Vitória). O catálogo da mostra traz textos assinados por Stella Carrozzo, André Parente, Eric Corne, Jacopo Crivelli e Josué Mattos.

Caetano Dias nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 1959. Já realizou individuais em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Havana (Cuba) e participou de residências artísticas na França, Espanha e Canadá.

Fazem parte desta exposição, os vídeos: 1978 – Cidade Submersa, que mostra a relação de um pescador com as lembranças da sua antiga cidade. Trata-se de um documentário sobre alguém que navega e pesca sobre as próprias memórias e com sua saudade tenta encontrar o passado. É um documentário sobre o desaparecimento do real que migra em direção ao mítico.

No vídeo Águas, um homem nada continuamente em direção ao nada; encontra um barco e indo a bordo da pequena embarcação, começa a enchê-la com o mar, até ser tomado por toda a água. Tudo isso transcorre num clima quase irreal. O tempo e o homem no mar, em tempos antagônicos. O mar humano, desacelerado, lento. O tempo além mar, acelerado, vertiginoso. Esses dois tempos paralelos realçam a idéia da impermanência humana frente à atemporalidade da terra, do universo, uma relação metafísica entre tempos.

Na vídeoinstalação Passeio Neoconcreto, uma imagem filmada em 2005 apresenta um homem que permanece submerso dentro de uma poça d’água em uma calçada, quase fragmento de espaço urbano e que lida com o sentido de aprisionamento, latência, quase em suspensão.

O vídeo O Mundo de Janiele, começa por mostrar uma menina adolescente girando muito sutilmente tendo como fundo o azul do céu. Não sabemos o que faz o corpo da menina balançar até vermos que ela brinca de bambolê. O giro do bambolê é complementado pelo giro da câmera, que faz o mundo girar ao redor da menina. No início, trata-se de um movimento em contre-plongée, que pouco a pouco vai descortinando o mundo de Janiele: uma favela na periferia da cidade da Bahia (como se dizia antigamente quando nos referíamos a Salvador).

A música é o som de uma caixinha de música, de forma a criar um contraste entre o sonho de criança e a dura realidade do mundo a qual ela pertence. Sobre este vídeo disse André Parente: “Poucos trabalhos nos sensibilizaram tanto ultimamente, pela sutileza como miséria e beleza se misturam em uma realidade que é a nossa, quando nós nos dispomos a vê-la como se a víssemos pela primeira vez”.

Nas series fotográficas Construção, Águas, Submerso, Passagem e Instáveis, há uma tentativa de mapear a casa, o jardim, o passeio, lugares de memórias, onde, ainda quase se pode imaginar o latejo humano. Nestas series, o artista vai à busca da arquitetura residual de terra e mar, ou do que está entre eles. Em Água Invertida I e II, dois reservatórios de água no centro de um imenso lago aparecem vazios de água e de sentido e justamente por estarem tomados por tanta água ao seu redor, esses reservatórios são índices de uma topografia submersa.

Vale à pena conferir a exposição deste feirense, considerado pela crítica nacional como um dos mais importantes artistas surgidos nos últimos anos na Bahia.

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