Exclusiva: Senador César Borges defende candidatura de Graça Pimenta e diz desconhecer a existência de grupo soutista

Senador César Borges é entrevistado por Calos Augusto e Sérgio Jones. Borges: O que me motiva a continuar na política é o meu desejo de contribuir para a transformação de nossa sociedade.

Senador César Borges é entrevistado por Calos Augusto e Sérgio Jones. Borges: O que me motiva a continuar na política é o meu desejo de contribuir para a transformação de nossa sociedade.

Às vésperas da Micareta, o diretor Carlos Augusto e o editor Sérgio Jones, Jornal Grande Bahia, estiveram em Salvador para entrevistar o senador César Augusto Rabello Borges (PR/BA). O encontro aconteceu à tarde no gabinete dele, situado na Rua Frederico Simões, 98, salas 909-910 Edifício Advanced Trade, Caminho das Árvores.

A entrevista se estendeu por quase uma hora, e na oportunidade ele abordou temas diversos e polêmicos, em especial a sua aliança firmada com o PMDB, quando os entendimentos iniciais, neste sentido, vinham sendo mantido com o governador Jaques Wagner (PT). Devido à extensão da entrevista ela será desmembrada e editada em duas partes.

Homem de gestos elegantes e rápido nas respostas, Borges parece demonstrar alto confiança. Acredita que realiza um bom trabalho no senado federal. Onde, efetivamente, tem se destacado pelas proposições e defesas de pontos de vistas focado no bem-estar do ser humano.

O jornalista Gabriel Guedes Franco Lima Gomes, acompanhou toda a entrevista, que foi previamente agenda com o também jornalista, Davi Souza de Oliveira. Ela transcorreu em clima de cordialidade. Poucos foram os momentos em que o Senador demonstrou perder sua passividade, mais precisamente, quando se fala de Soutismo e de Antônio Imbassay. Refere-se de forma carinhosa a ACM Neto, com quem diz ter uma forte amizade. Reafirma sua admiração e respeito ao falecido senador ACM.

JGB – O que lhe o motiva a continuar na lide política, o senhor que já ocupou um dos mais cobiçados cargos, governo do Estado da Bahia?

César Borges – O que me motiva a continuar na política é o meu desejo de contribuir para a transformação de nossa sociedade. A política exerce uma grande atração pelo fato de através dela você poder efetivamente ajudar outras pessoas. Enquanto na vida empresarial você cuida de um universo limitado, na política o seu universo é a sociedade. Portanto, a motivação maior é poder participar na criação de uma sociedade melhor para todo o povo brasileiro, em particular o da Bahia.

JGB – Em 2006, dois políticos muito próximos do senador, Eliana Baoventura e Jairo Carneiro, não conseguiram mandato e o senhor os nomeou em seu gabinete. Hoje eles estão militando no PP, o mesmo partido que é liderado por Otto Alecancar, que recentemente lhe fez duras críticas. Qual a avaliação que o senhor faz desta situação?

CB – Primeiro gostaria de fazer uma correção, o PP não me fez duras críticas, ela pode ter sido feita pela pessoa de Otto Alencar, o que eu lamento até pelo fato de ter sido ele, o meu vice-governador. Mas, paciência, cada um fala o que quer. Mantenho uma ótima relação com todos os membros do PP, cito como exemplo os deputados federais Mário Negromonte, João Leal e com os dois políticos feirenses, Eliana e Jairo, que me ajudaram e contribuiram muito com o meu governo. Minhas relações com estas pessoas estão acima de partidos e da política. Um exemplo evidente é que quando eles ficaram sem mandatos foram acolhidos em meu gabinete. Aquisições essas que foram muito importantes, eles contribuíram com idéias e trabalho para o meu desempenho como senador. A política é dinâmica, eu acredito que ambos votarão em mim para senador.

JGB – A primeira dama de Feira de Santana, Graça Pimenta, está filiada ao seu partido (PR) e o esposo dela é o prefeito Tarcízio Pimenta (DEM). Estas posições partidárias não lhe prejudica politicamente ou o senhor não acredita nesta possibilidade?

CB – Me prejudicar fortemente, de jeito nenhum. Em uma eleição majoritária o eleitor tem que avaliar se o candidato fez um bom trabalho que mereça ser reconduzido ao cargo , esse é  o aspecto positivo da democracia. Sinto que o meu eleitorado vota com César Borges pelo bom trabalho que tem sido feito no senado. Não acredito que serei prejudicado pelo simples fato de Tarcízio ser ligado ao partido do Democratas. Ele é meu amigo e eu continuarei trabalhado pela Feira, tenho muito apreço por esta cidade. Tenho a satisfação e a certeza de que a candidatura da esposa do prefeito irá reforçar a minha bancada. Quando fui governador, Graça Pimenta era diretora da DIRES. Neste aspecto não vislumbro nenhuma dificuldade política até porque o PR e DEM sempre foram coligados, hoje não estamos coligados, mas estamos respeitosos no cenário político.

JGB – O prefeito Pimenta durante uma entrevista coletiva comentou que um senador não havia destinado verba oriunda de emendas parlamentares para Feira, o nome não foi declinado, eu gostaria de saber se o senhor destinou verbas para Feira.

CB – No ano passado destinei R$ 1,5 milhão para Feira, agora estamos lutando para que a verba seja liberada.

JGB – O prefeito esteve recentemente com o senador para tratar de problemas concernentes as chuvas que afetaram alguns bairros periféricos de Feira, o que de efetivo a comunidade feirense pode esperar do senhor?

CB – Eu ao receber a visita do prefeito a minha primeira iniciativa foi entrar em contato com o Minsitro da Integração Nacional, João Santana, ao qual solicitei de imediato todo o apóio e toda forma de ajuda possível. Ele me assegurou que já havia encaminhado através da Defesa Civil um apóio de emergência para os desabrigados com o fornecimento de colchões, cobertores e filtros, ações consideradas de curto prazo. Em médio prazo serão destinados recursos para que se possa proceder as desobstruções de canais e reconstrução de ruas, além de existir pleitos mais substantivos do ponto de vista de recursos que serão voltados para uma ação de mais longo prazo. O ministro disse estar empenhado na liberação destas verbas. Vou acompanhar todo o trabalho para que estes recursos cheguem até Feira.

JGB – Feira tem uma área de influência sócio-econômico muito abrangente, cerca de 2,5 milhões de habitantes. O senhor destinou verbas para as cidades circunvizinhas?

CB – Do ponto de vista de verbas parlamentares individuais eu atendi este ano cerca de 60 municípios. Temos uma dotação de verbas disponíveis de R$ 12 milhões. A Bahia tem 417 municípios e você não consegue, infelizmente, abranger todos eles com estes repasses. Os municípios não beneficiados são encaminhados projetos aos ministérios para que possam ser cadastrados.

Também atuamos juntos ao Ministério dos Transportes que está subordinado ao PR. Estamos com um programa de recuperação de estradas que cobre uma extensão de 3.500 quilômetros na Bahia, o que significa dizer que a malha rodoviária tem sofrido uma sensível melhora no Estado. Outra conquista nossa foi a instalação na Bahia de um escritório da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), antes nós éramos subordinado ao Estado de Minas Gerais.

Agora que dispomos da ANTT que irá fiscalizar as execussões de serviços, fizemos um pleito para que fosse prestada uma atenção toda especial voltada para a BR 324 por ter sido danificada com as chuvas, também foi solicitado atenção para a questão do anel viário de Feira. Todos eles são pleitos encaminhados por nós e que vamos acompanhar de perto a ação do Ministério dos Transportes. Pois entendemos que a obra do anel deve ser feita por inteiro  e posteriormente a duplicação da BR 116 entre o trecho Feira/ Paraguaçu. Estamos conseguindo, ainda para este ano, a duplicação da BR 101, trecho da divisa entre Bahia e Sergipe até o quilômetro 90 da BR 324. Estes não são trabalhos direcionados especificamente para um município, mas que beneficia toda uma região.

JGB – Até bem pouco tempo o senador estava em negociação com o governador Wagner para compor uma aliança com o PT. Encontro mantido em Brasília com o presidente deste partido, Jonas Paulo, ele acenou no sentido de que a coligação ficaria restrita à chapa majoritária e que na proporcional os dois grupos se manteriam separados. Foi esta a causa que o levou a não fechar acordo com o PT?

CB – Antes de responder a sua pergunta vamos fazer uma preliminar. Primeiro sempre me coloquei aberto com todos os partidos. Com relação ao PT o meu contato não se deu com o presidente Jonas Paulo e sim, com o governador Wagner que procurou abrir um canal de diálogo comigo. E eu como democrata e republicano considerei que este diálogo deve existir. Conversei com ele sobre minha participação na chapa majoritária na condição de candidato a reeleição ao senado, e ele candidato a reeleição de governo do Estado. Abrimos essa possibilidade, mas passaria por outras etapas que seria na condição de composição na chapa proporcional para a eleição de deputados estadual e federal, foi quando o governador disse que iria delegar a decisão ao presidente do partido.

A partir daí, a negociação não avançou pelo fato do PT não desejar fazer coligação com o PR, essa foi à questão definitiva para a não conclusão da aliança. O PMDB abriu a possibilidade foi um partido generoso e contemplou essa coligação na chapa proporcional o que contribuiu para a efetivação da aliança.

JGB – A sua trajetória política aponta grande afinidade com o grupo do ex-governador Paulo Souto. Entretanto, o senhor terminou de formalizar uma aliança com o PMDB, o mesmo partido que o derrotou em 2004. Houve imposição da executiva?

CB – Há várias imprecisões na pergunta, a começar que eu não conheço a existência de grupo de Paulo Souto. Eu participava do grupo carlista liderado pelo senador Antonio Carlos Magalhães. Esse grupo se desfez no momento em que ele faleceu e as pessoas se dispersaram, tem políticos que era do grupo e estão apoiando Wagner, outros apóiam Geddel Vieira Lima e existem aqueles que continuam ligados ao ex-governador Paulo Souto.

Mas não há grupo soutista, o que pode existir é a vontade de alguns criarem este grupo. O que existia era o grupo carlista, fui carlista porque exerci o cargo de governador aliado a ACM e não tenho nada a repudiar do meu passado, o que tenho é orgulho de muito ter realizado pela Bahia. Também gostaria de observar que  não fui derrotado pelo PMDB em 2004, eu perdi a eleição para João Henrique que à época estava no PDT. Quando eleito governador em 1998, o PMDB me apoiou e Geddel era deputado federal, além de ocupar a presidência do partido, ele votou comigo acatando acordo feito com o meu saudoso amigo deputado Luis Eduardo Magalhães.

JGB – Qual a análise que o senhor faz da figura do pré-candidato ao governo ex-ministro Geddel Vieira Lima?

CB – O ex- Ministro é um político que tem demonstrado competência enquanto deputado  federal e cito o fato de que normalmente os municípios que votam com ele continuam fiel. Acredito que isso acontece por ser Geddel um político que realiza e que faz as coisas acontecerem. Atualmente o ministro é criticado por ter direcionado muitas verbas para o nosso Estado, na condição de baiano só tenho que agradecer. Gostaria que mais verbas tivessem vindo para a Bahia.

JGB – A primeira dama de Salvador, deputada Maria Luiza, em recente entrevista ela insinuou existir semelhanças entre Geddel  e o falecido senador ACM.  Qual a sua opinião a respeito deste fato?

CB – Essa é uma opinião da deputada que eu respeito, e só ela tem o direito de comentar.

 JGB – O ex-ministro Geddel tem anunciado na imprensa que pretende fazer uma campanha dura contra o governador Wagner, o senhor como pretende se conduzir neste processo?

CB – Acho que as críticas sendo administrativas e as proposições acontecendo no campo do fazer melhor, eu considero todas elas como válidas e justas. Só não aceito críticas do ponto de vista pessoal e ataques desnecessários, por entender que isso não contribue para o debate político e aprimoramento das questões que afligem a sociedade. Temos que discutir questões ligadas a saúde, educação e segurança pública que são considerados problemas graves no Estado da Bahia e em muitos outros Estados brasileiros. Vejo que Geddel tem uma clareza do que deve ser feito para o nosso Estado. Recentemente, ele disse que vai utilizar de toda a minha experiência que obtive enquanto secretário de Estado, vice-governador, governado e senador para que o ajude a governar e até mesmo elaborar o seu plano de governo, caso seja eleito, o que todos nós estamos desejosos para que isso aconteça.

Vídeos

Veja a cópia da entrevista em nosso canal de vídeos.

Biografia de César Borges

César Augusto Rabello Borges, nasceu em Salvador, em 21 de novembro de 1948.

Viveu a infância e a adolescência com a família na cidade de Jequié, de onde seu pai, Waldomiro Borges fora líder político. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia, onde também lecionou. Seu primeiro cargo público foi presidente da Junta Comercial do Estado da Bahia, na gestão do governador João Durval. Filiado ao PFL, elegeu-se deputado estadual por dois mandatos consecutivos.

Durante a gestão de Antonio Carlos Magalhães a frente do governo da Bahia, ocupou o cargo de Secretário de Recursos Hídricos.  Sempre impulsionado por Antonio Carlos, em 1994 foi eleito o vice-governador de Paulo Souto e em 1998, eleito a governador da Bahia. Não conclui o mandato para em 2002 eleger-se senador. Em 2004 disputou a prefeitura de Salvador e foi derrotado. Deixa o PFL e filia-se, em outubro de 2007, ao PR, partido que passa a presidir no estado.

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