Economia em ponto morto | Por Geddel Vieira Lima

Economia em ponto morto | Por Geddel Vieira Lima.

Economia em ponto morto | Por Geddel Vieira Lima.

A queda na produção industrial baiana é incontestável. No ranking de variações mensais registradas pelo IBGE, a Bahia ficou no 3º pior lugar do país, ganhando apenas de Amazonas e Rio Grande do Sul. Neste quesito, há uma situação emblemática: a Ford está diminuindo sua produção na Bahia desde 2006.

Enquanto a produção nacional da montadora não registra queda em nenhuma das suas unidades do Brasil -ao contrário, entre 2005 e 2009 vem crescendo constantemente- na unidade de Camaçari acontece o inverso.

As repercussões dessa evolução negativa são desastrosas para o Estado, em função não só dos efeitos diretos de perdas de emprego e renda, mas também do impacto que causa na cadeia local de fornecedores e sistemistas.

O quadro da Anfavea-IBGE mostra claramente o afastamento crescente entre a curva ascendente da produção nacional e a produção descendente na unidade baiana.

O que está acontecendo com a Ford, símbolo da industrialização baiana reivindicado por dezenas de políticos baianos como sendo iniciativa de cada um deles, não é um fato isolado. Isso é o quadro geral de perda de dinamismo da economia baiana.

Em função do porte do empreendimento que é a Ford, ilustra muito bem que o fenômeno não foi causado pela crise de 2008/09, mas tem origem anterior. Por outro lado, mostra o que é ainda pior: a Bahia hoje não representa um ambiente propício aos investimentos, que estão sendo desviados para outros estados do Nordeste, numa prova evidente do descaso do governo estadual para com a nossa economia e o desenvolvimento da Bahia.

Enquanto esta é a realidade, a propaganda do governo estadual corre para anunciar que o presidente mundial e CEO da Ford Motor Company, Alan Mulally, informou ao presidente Lula que a montadora irá ampliar seus investimentos no Brasil, como se isto fosse uma conquista baiana.

Minhas amigas e meus amigos: a Ford vai aumentar seus investimentos entre 2011 e 2015 –após o mandato atual portanto- para 4,5 bilhões de reais. Deste montante de recursos, pouco mais de 10% serão destinados à unidade de Camaçari, num total de apenas 500 milhões para 5 anos de operação.

Considerando o volume de recursos movimentado pela industria automobilística, este número é irrisório e reflete a política interna da Ford em relação à Bahia.

Pior ainda: este investimento será feito pela Ford exclusivamente para o desenvolvimento de um novo veículo global, projeto este a ser inteiramente realizado no Centro de Engenharia de Camaçari, na Bahia.

Ou seja: não é investimento em produção mas sim em criação de um novo modelo de veículo, não representando portanto, durante 5 anos, aumento de produção da linha de montagem, nem aumento de empregos e muito menos de receita para a Bahia.

Nosso estado não pode sequer assumir a paternidade baiana pelo desenvolvimento de um projeto automobilístico global.

O que se sabe nas ruas e nas conversas é que, na Ford em Camaçari, mão de obra baiana utilizada é somente aquela de baixa qualificação e em tarefas que não envolvem qualquer responsabilidade na produção.

O governo estadual continua tentando tapar o sol com a peneira, achando que para a população baiana melhorar sua qualidade de vida e a Bahia retomar o crescimento, basta –após mais de 3 anos de mandato- inventar notícias e fazer promessas.

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