Diplomata critica alinhamento do Brasil ao Irã

O alinhamento do Brasil com o Irã preocupa o diplomata Marcos Azambuja. Em palestra durante o lançamento do livro “A Política Externa do Brasil – Presente e Futuro”, publicado pela Fundação Cidadania e Liberdade, ligada ao diretório nacional do Partido Democratas, na manhã desta segunda-feira, na Unijorge, o ex-embaixador do Brasil na França afirmou que a aproximação do governo brasileiro ao iraniano cria ambigüidades à política nacional de não proliferação de armas nucleares e deixa o país sob suspeição internacional.

“É justo o pleito do Brasil em querer o domínio completo do ciclo do urânio. Foge de nossa tradição pacifista a aplicação da energia nuclear para fins bélicos. Mas, infelizmente, esta aproximação com o Irã gera desconfianças sobre os propósitos brasileiros”, disse o diplomata a uma platéia composta de estudantes do curso de relações internacionais da Unijorge, professores e jornalistas, além do ex-governador Paulo Souto e os deputados federais José Carlos Aleluia (DEM), ACM Neto (DEM) e Jorge Khoury (DEM).

Para Azambuja, a política externa brasileira na questão nuclear precisa ser clara, não deixando dúvidas do interesse nacional com relação ao uso da energia, para que o Brasil não seja incluído na lista dos países não confiáveis. “De outra forma poderemos estar jogando por terra uma imagem positiva que demoramos tantos anos para construir. Trocar um presente de transparência por um futuro de ambigüidade não vale a pena”.

Na opinião do diplomata, que acumula 50 anos de carreira, Brasil e Irã são farinhas de sacos diferentes. “Não devemos nos atrelar ao Irã. A impressão que se tem é que esse atual comportamento diplomático tem motivação eleitoral, com a intenção de agradar determinada parcela de eleitores com certo sentimento antiamericanista”.

Azambuja observou que o presidente Lula, depois da conquista de prestígio internacional, acredita que possa interferir na complexa questão do Oriente Médio, harmonizando interesses israelenses e palestinos. “Ele quer usar receita caseira para doença complicada”.

O ex-embaixador brasileiro na França, atual consultor e membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo, lembrou que é do tempo em que a política externa nacional não tinha dono. “Era do Brasil, não havia partidarização. Procurava ser a expressão externa dos interesses nacionais. Portanto, suprapartidária”.

Otimista, Azambuja afirmou que o destino do Brasil é de grandeza, derivado da sua territorialidade, do sistema democrático e de seu peso econômico no mundo. “O Brasil é um importante ator global. A conquista de um assento no Conselho de Segurança da ONU é uma questão de tempo. Nossa tendência é de continuar crescendo e dar certo. Mas precisamos manter o navio bem orientado”.

Quanto ao Bric, grupo que reúne os principais países emergentes, Azambuja disse que entre Brasil, Rússia, Indía e China não há índios, só caciques. “Os Bric querem redesenhar a ordem internacional, com espaços para novos atores”.

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