Declaração à imprensa do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião da visita oficial do Presidente da China, Hu Jintao

Declaração à imprensa do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião da visita oficial do Presidente da China, Hu Jintao.

Declaração à imprensa do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião da visita oficial do Presidente da China, Hu Jintao.

Brasília, DF – Palácio Itamaraty, 15 de abril de 2010

Senhores ministros que acompanham o presidente Hu Jintao,

Ministros brasileiros,

Amigos da imprensa,

Quero, inicialmente, estender ao meu amigo Hu Jintao e ao povo chinês, em meu nome e de todo o Brasil, a solidariedade neste trágico momento de perda e dor causadas pelo terremoto de ontem.

Sua nova visita ao Brasil, caro companheiro, na mesma semana em que aqui estiveram reunidos os líderes dos países que integram o BRIC, é extremamente reveladora da nova geografia política e econômica que o mundo está vivendo no início deste século XXI.

O governo e o povo brasileiros estão acolhendo mais do que um grande estadista. Recebemos um amigo, um parceiro com o qual estamos construindo uma aliança estratégica entre dois grandes países do Sul do mundo.

Temos vocações universais e interesses globais. Por isso mesmo, em nossa agenda, estão temas como o enfrentamento da grave crise que se abateu sobre a economia mundial, e cujos efeitos ainda não se dissiparam. Preocupa-nos, igualmente, a ameaça das mudanças climáticas e a necessidade de enfrentá-la, preservando o meio ambiente sem comprometer o desenvolvimento.

Na OMC, no BRIC, no BASIC, no G-20 e em todas as organizações multilaterais buscamos respostas progressistas para esta globalização assimétrica e disfuncional que vive a Humanidade.

Caro presidente Hu Jintao,

O plano de ação conjunta que assinamos hoje nos oferece um excelente roteiro para nosso futuro comum. Permitirá uma melhor coordenação de nossa atuação global, em benefício dos objetivos e aspirações de nossos povos. Ao definir metas até 2014 para as subcomissões da Cosban, estamos dando direção e força para nosso diálogo estratégico.

No comércio bilateral tivemos um avanço espetacular. O intercâmbio cresceu 780% desde o início do meu governo. Em 2009, ano da crise, alcançou US$ 36 bilhões. A China tornou-se nosso principal parceiro comercial e o maior mercado para as nossas exportações.

No entanto, para que a promessa do comércio Sul-Sul seja uma realidade, o Brasil precisa aumentar o valor agregado de suas vendas. O setor aeronáutico pode ajudar a tornar nossas trocas mais equilibradas. O empresariado brasileiro também tem o desafio de ser mais arrojado na conquista do consumidor chinês. A Expo Xangai oferece uma excelente oportunidade.

Outra demonstração da aposta que estamos fazendo na China é a ampliação de nossa rede consular. A abertura do Consulado em Cantão melhorará o atendimento à comunidade brasileira, estimulará o turismo e apoiará os empresários dos dois países.

Essas perspectivas se ampliam com os acordos que assinamos hoje. O Entendimento Fitossanitário abre novos horizontes para aumentar as exportações brasileiras de produtos agropecuários.

São excepcionais as possibilidades de engajamento de empresas chinesas na modernização da infraestrutura no Brasil. Já estamos iniciando os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016.

Capital e tecnologia de petróleo também são muito bem-vindos à iniciativa do Programa de Aceleração do Crescimento, no setor energético. Com a compra de 200 mil barris diários de petróleo, a Sinopec já é a maior parceira da Petrobras no exterior. As empresas LLX, do Brasil, e a estatal Wisco… a estatal chinesa Wisco negociam construção de um complexo siderúrgico no Porto do Açu, no Rio de Janeiro. Será o maior investimento chinês no Brasil e o maior da China neste setor, no exterior.

Caro Presidente,

O século XXI será liderado por aqueles que dominam o conhecimento. O programa de desenvolvimento dos satélites sino-brasileiros é o símbolo maior do enorme potencial de aplicação de alta tecnologia para o avanço econômico e científico. O quarto satélite, que lançaremos em breve, mostra nosso compromisso de aprofundar uma parceria fundada em muito trabalho e ambição.

Tecnologia de ponta também está por detrás da instalação de laboratório da Embrapa na China. Queremos compartilhar as experiências que fizeram do Brasil uma potência agrícola mundial. Nossa parceria em cooperação triangular, em favor da África, mostrará que se pode combinar solidariedade com eficácia empresarial.

Caro presidente Hu Jintao,

O Brasil que Vossa Excelência está revendo hoje é muito diferente daquele que conheceu em 2004, quando aqui esteve. Como a China, o meu país reencontrou-se com sua vocação para o desenvolvimento e está superando vulnerabilidades econômicas e sociais históricas. Começou a pagar sua dívida secular com os milhões de pobres em meu país. Consolidou um mercado interno vigoroso, que é o motor do nosso crescimento.

A partir dessas conquistas temos condições, e mesmo a obrigação, de lutar por uma ordem… por uma outra ordem internacional. Estamos unindo esforços em defesa de uma governança global que dê a todos os povos e nações a mesma esperança de um futuro de paz, prosperidade e entendimento.

Muito obrigado.

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