Exclusiva: Senador César Borges critica modelo educacional adotado pelo governo Wagner e se exime da responsabilidade da existência de milhões de analfabetos

César Borges: Eu quero distinguir a figura de Lula do PT, Lula é maior do que o partido.

César Borges: Eu quero distinguir a figura de Lula do PT, Lula é maior do que o partido.

Segunda e última parte da entrevista realizada pelo Jornal Grande Bahia com o senador e presidente do (PR/BA) César Augusto Rabello Borges.

JGB – Gostaria que o senhor fizesse uma breve avaliação da figura do presidente e do modelo político desenvolvido pelo PT para a consolidação do conceito de nação brasileira.

César Borges – Eu quero distinguir a figura de Lula do PT, Lula é maior do que o partido. O que existe é que o presidente entendeu que para governar o Brasil com as disparidades e a extensão existente, ele precisava compor com vários segmentos políticos. Neste caso especificamente eu costumo utilizar a seguinte frase. Tancredo Neves promoveu a abertura democrática e Lula, a abertura política ao conversar com todos os segmentos da sociedade brasileira de forma indistinta. Outro meríto do atual governo foi o fato de ter mantido o modelo da política econômica do governo que o antecedera. O que fez com muito êxito e ajudou a segurar a inflação, mesmo em alguns momentos, comprometendo o seu capital político.

Importante evidenciar que nesta época eu fazia oposição ao governo de Lula, posteriormente me conscientizei de que ele vinha mantendo o Brasil no rumo certo ao promover o desenvolvimento e a inclusão social. Por isso, o PR está apoiando a candidatura de Dilma Rousseff que promete manter este modelo político.

JGB – O senador fez parte de um partido que governou a Bahia por muitos anos, em algum momento se sente responsável pelos milhões de analfabetos que a gestão de Wagner tenta alfabetizar através do progma TOPA?

CB – Considero que durante todo esse período a Bahia avançou e ocupou lugar de destaque no cenário nacional. Hoje tenho presenciado o próprio governador Wagner dizer que a Bahia é a sexta economia do país. Entendo que o Estado chegou a este patamar não foi por mérito do governo atual e sim, em consequência de todo um trabalho que foi feito ao longo desses anos. Com relação à política educacional herdada pela minha administração posso garantir que avançamos muito neste aspecto. Na nossa administração foram contruidos 25 Colégios Modelo Luis Eduardo Magalhães, nas principais cidadades da Bahia. Ignoro que o atual governo tenha construido algum colégio desse porte no Estado. Dobramos o número de vagas para o ensino médio no Estado. Neste mesmo período implantamos o programa denominadado FUNDEF que hoje é conhecido como FUNDEB, programa este que colocou quase 100% das crianças nas escolas de ensino fundamental.

Quanto ao programa TOPA, implantado pelo governo Wagner, é importante observar que ele não resolve a questão educacional em nosso Estado. O programa resgata apenas a educação voltadada para os adultos. Entendo que temos de cuidar de todos, mas a educação tem que ser voltada para a população de forma indiscriminada, que se inicia no ensino pré- infantil, no fundamental, médio e finalmente na universidade. No meu governo também foi realizado muitos investimentos nas Universidades Estaduais, o que não acontece atualmente.

JGB – O senador é engenheiro com formação na Universidade Federal da Bahia (UFBA), considerada como uma das melhores do Brasil. Entretanto, em Salvador contamos com grande número de favelas. Faltou por parte do senhor e da elite soteropolitana capacidade de análise e planejamento urbano para a capital baiana?

CB – O que aconteu no Brasil foi um processo muito rápido de urbanização, as pessoas se deslocaram em massa do campo para as cidades, Esse fluxo migratório não é característica de Salvador, mas de todas as metrópoles brasileiras. Tudo isso aconteceu em consequência da ausência de políticas habitacionais voltadas para atender todo este contigente humano. Durante a nossa administração foi criada o projeto Viver Melhor, com recursos da Caixa Econômica, infelizmente devido à grandiosidade do problema não podemos contemplar a todos. Acredito que só existe um modo para solucionar este problema, quando cada um fizer a sua parte. Quando um governo deixa de cumprir com suas responsabilidades, o passivo fica para a próxima administração e se este governo não tem projeto específico para atender plenamente a situação, este passivo avança. O projeto Minha Casa, Minha Vida, governo Lula, considero essencial para se reduzir o gigantesco déficit habitacional no Brasil.

JGB – O senhor já sabe quem será o seu suplente?

CB – Não, nós estamos no período de formatação da chapa majoritária. Mas esta decisão compete a mim, pessoalmente.

JGB – O que provocou a sua troca de partido após a morte de ACM. O senador não acredita na liderança de Paulo Souto, ACM Neto ou José Ronaldo?

CB – Acredito na liderança de todos, só não sou liderados deles. Quando o PFL teve a sigla trocada para Democratas, nome do qual sempre discordei e ao meu lado tinha o senador ACM que também não concordava que esta fosse a medida mais indicada. Com a dissolução dos diretórios regionais do PFL em todo o Estado, associado com a imposição da direção nacional para formatar uma nova direção, entendi que a partir desse instante se continuasse no partido ficaria atrelado a esta nova direção. Na posição de ex-governador e senador da república tenho o direito de construir o meu próprio caminho, segundo o que determina a minha consciência. Foi a partir deste entendimento que migrei do DEM para o PR e posso afirmar que estou muito feliz com esta decisão tomada em 2007.

JGB – O senhor poderia mencionar alguma passagem curiosa vivenciada ao lado de ACM. Para finalizar gostaria que deixasse uma mensagem para seus eleitores.

CB – O senador ACM era um homem muito inteligente, além de ser dotado de um grande espírito público e amor pela Bahia. Em recente artigo escrito por mim e publicado no jornal A Tarde, declaro textualmente que aprendi com ACM a amar e lutar pela Bahia. O Senador Antonio Carlos Magalhães gostava de proferir sempre, a seguinte sentença: “ A Bahia é minha vida, minha terra”.

A mensagem que eu deixo para todos os baianos é que nós temos em nossas mãos o nosso destino que conquistamos com a democracia e este momento se exerce com o voto na hora da eleição. Um erro praticado neste momento mágico, por falta de uma profunda reflexão, a gente pode pagar não em um dia ou um mês, mas por quatro longos anos, no meu caso (senado) por oito anos. Portanto, devemos aproveitar a oportunidade que a democracia nos proporciona para fazer uma profunda reflexão sobre quem está preparado, quem luta e quem merece exercer estes cargos públicos que são concessões oriundas da população. Só através deste ato de cidadania é que se pode escolher quem será o novo presidente, senador e deputados.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]