A Bahia do presente sente falta de ACM | Por ACM Neto

Em sessão plenária do Senado Federal, de 29 de abril de 2004, o presidente do Senado, José Sarney, ouve o secretário da Mesa, Raimundo Carreiro. Na imagem, ao lado de José Sarney, o senador Antônio Carlos Magalhães, Tasso Jereissati e ACM Neto.

Em sessão plenária do Senado Federal, de 29 de abril de 2004, o presidente do Senado, José Sarney, ouve o secretário da Mesa, Raimundo Carreiro. Na imagem, ao lado de José Sarney, o senador Antônio Carlos Magalhães, Tasso Jereissati e ACM Neto.

Nos últimos tempos, tenho lido muitos artigos sobre o fim ou não do carlismo.

Antes de nos precipitarmos em conclusões superficiais, comuns em anos eleitorais, é preciso entender o que significa essa marca plantada na Bahia há mais de 40 anos. Em primeiro lugar, nenhum cientista, acadêmico ou político batiza uma era sem que essa etapa seja pintada com cores fortes.

Antonio Carlos Magalhães criou o carlismo por suas características pessoais e com as virtudes de líder, de grande político e administrador público, de homem visionário, à frente do seu tempo, que modernizou a Bahia em todos os aspectos.

As características pessoais se foram com a sua morte. E o tornaram um personagem único e inimitável. Já as características do administrador, do político de envergadura nacional, que foi deputado, prefeito, senador, governador, ministro de Estado, deixaram um grande vácuo na política baiana e brasileira e permanecem mais vivas do que nunca. O homem se foi, mas seus ideais ainda nos inspiram.

Até a sua morte, ACM carregou a bandeira da luta incansável pela Bahia, do amor sem limites pelo povo da sua terra, da seriedade no trato com o dinheiro público, do pulso firme no combate à criminalidade, do olhar sempre atento e vigilante aos mais pobres, além de formar os melhores quadros da política baiana.

Isso é o legado do carlismo que ficou para a posteridade. Se esses ideais estão vivos em todas as pessoas que querem uma Bahia melhor, então, o carlismo vive também.

E o carlismo está mais forte do que nunca porque a fraqueza e a incompetência do governo Wagner só aumentam as saudades de ACM. Wagner é tão condescendente com os outros estados nordestinos na disputa por empregos e desenvolvimento que hoje, certamente, é mais “importante” para Pernambuco do que para a Bahia, porque sua omissão fez a Bahia perder o protagonismo do desenvolvimento do Nordeste.

Wagner é um governador do papel, e não das obras de verdade, como era ACM, um político que mostrava os dentes pela Bahia.

Wagner gosta de gastar muito em publicidade, mas detesta governar, é amigo do presidente, mas não tem prestígio para conseguir as verbas necessárias ao desenvolvimento da Bahia. Então, pergunto: como não sentir saudade daquele que colocava a Bahia como a razão de sua vida? ACM está no coração de todos os baianos que perderam a esperança, que tiveram seus bairros e ruas dominados pela criminalidade, que veem a qualidade nos serviços de saúde e educação despencar.

O carlismo vive porque o PT que aparelha o Estado e mente em propagandas jamais conseguirá mandar no coração dos baianos.

O PT não conseguirá matar o carlismo porque a Bahia é livre. Livre para tudo. Inclusive para amar sem patrulhamentos seus filhos preferidos, como Mãe Menininha, João Ubaldo, Caetano, ACM, Jorge Amado, Irmã Dulce e muitos outros. É no coração dos baianos que o carlismo vive com mais intensidade.

No lançamento da pré-candidatura de José Serra senti a presença de ACM cada vez mais forte. Centenas de pessoas de todas as faixas etárias vieram me cumprimentar porque, ali, estava começando mais um capítulo da história deste País que ACM ajudou a construir.

Ajudou no processo de redemocratização que levou Tancredo Neves ao poder – um ato de coragem. E contribuiu muito na eleição de Fernando Henrique Cardoso.

Mas é nas andanças por essa Bahia de meu Deus que mais sinto a sua presença e a importância de fazer da militância política um sacerdócio. São velhos, jovens, ricos e pobres que têm sempre uma palavra de carinho quando falam de ACM, quando lembram do seu amor incondicional pela Bahia. Claro que sempre me emociono e tenho a certeza de que, à medida que o tempo avança, mais a obra e a figura de ACM vivem no imaginário do nosso povo.

Como neto de Antonio Carlos Magalhães, posso dizer que aprendi muito. Esse aprendizado ajuda em minha trajetória política em todos os momentos. Mas recebi dele também uma bênção hereditária, uma “herança bendita”: vem do berço o meu amor pela Bahia e a força para lutar pelo meu Estado. ACM viveu um verdadeiro caso de amor com os baianos. Melhor, viveu um casamento próspero, apaixonado, um casamento eterno.

*Antônio Carlos Magalhães Neto é advogado e deputado federal (DEM/BA).

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