Editorial: O falecimento ideológico do PT da Bahia sublimado pelos Democratas e pela lógica do poder

ACM ainda vive! Certamente sorrir e ao ver seus antigos adversários se curvarem aos seus ex-liderados. No final, ele sim é o verdadeiro vitorioso.

ACM ainda vive! Certamente sorrir e ao ver seus antigos adversários se curvarem aos seus ex-liderados. No final, ele sim é o verdadeiro vitorioso.

A morte de Antônio Carlos Magalhães (ACM), a dissolução de parte de suas lideranças em direção a partidos da base do PT (Partido dos Trabalhadores), as eleições de 2010, o rompimento com o PMDB, a busca pela manutenção do poder exercido pelo governador Jaques Wagner. São os ingredientes que, misturados, dão a exata medida do pensamento político brasileiro, e em sentido mais preciso, do pensamento baiano: a pertinácia ao poder em detrimento dos ideais partidários e socioeconômicos que deveriam nortear o pensamento político.

Direita, Esquerda e Centro, o que significa dizer isto em política? Em recente discurso Wagner declarou que não gosta de se referir a partidos e políticos como sendo de esquerda ou direita. Obviamente, declara isto por que no bojo de seu governo, abrigam-se correntes que vão da extrema esquerda à direita conservadora. Voltamos à pergunta inicial, Direita, Esquerda e Centro?

Dois pensamentos acadêmicos permeiam o desenvolvimento e os debates em torno do modelo socioeconômico de um país: do alemão Karl Marx e do inglês Adam Smith. Destes dois pensamentos surgem as ideias do britânico John Maynard Keynes, base do New Deal (Novo Acordo) do presidente estadunidense Franklin Delano Roosevelt. Que serve de inspiração para o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Claro que com um adendo, ao invés de obras de impacto estruturante, ideias de Keynes mais próxima de Smith. Optou-se por Keynes com Marx, que vem a ser o Estado como Empresário (Petrobras, BB, CEF, etc…).

Voltamos à Bahia

Ao entrevistar o deputado federal ACM Neto (DEM), ele também desdenhou dos conceitos: Direita, Esquerda e Centro. A maioria dos lideres partidários o fazem por um único e claro motivo, manter a população distante do verdadeiro debate: Qual o modelo de desenvolvimento, social e econômico, nós devemos adotar? Também o fazem para não terem que justificar a todo o momento as alianças esdrúxulas que se formam com o nítido objetivo de levá-los ou mantê-los no poder.

Nem um homem é uma ilha, ao combater a figura do senador ACM, o PT e partidos de esquerda, em verdade combatiam o modelo justaposto de desenvolvimento socioeconômico: os mercados provem o desenvolvimento da sociedade, e quanto mais ele se expande, menos desigualdades sociais existem, está é a ideia básica. Bom, obviamente que ACM não estava só, cardeais do partido, defenderam e implementaram estas ideias: o Senador João Durval Carneiro, César Borges, Otto Alencar, Benito Gama, Antônio Imbassahy, dentre outros.

Com a perda dos governos federal e estadual para o PT e a morte de ACM, estas lideranças buscaram transmutar-se em defensores das ideias de Centro, Centro Esquerda e Centro Direita, afastado da Direita, Direita Progressista e Direita Conservadora. Muitos dos seguidores destas lideranças estão abrigados nos governos petistas. Refreando avanços sociais e conteúdos programáticos da esquerda em detrimento de interesses capitalistas, mercadológicos, províncias e até mesmo particulares.

O PMDB baiano rompeu com Jaques Wagner. Remanescente da Direita: Paulo Souto, ACM Junior e Neto, José Ronaldo, José Carlos Aleluia e outros, buscam aglutinar-se para disputar o pleito de 2010. O governador petista sabe que os partidos de Esquerda e Centro Esquerda detém cerca de 30 a 40% da preferência do eleitorado. Sem o PMDB, o segundo turno das Eleições de 2010 está garantido e onde buscar votos? Naqueles que historicamente defendiam ideias diametralmente opostas ao PT, ideias que o próprio governador declara em discurso, foram rechaçadas no último pleito em que ele fora eleito.

Otto Alencar e César Borges, ambos ex-governadores pelo (PDS/PFL/DEM), são cortejados a participarem de uma chapa majoritária, onde o PT de Wagner cede as duas vagas ao senado, podemos assim classificar, Extrema Direita ou Direita Conservadora. É um acinte ideológico, um escárnio para com as pessoas politicamente formadas. Prevalece à ideia ou falta de ideal: O Poder é o Fim, ao Qual Tudo Faço para obtê-lo e mantê-lo.

Históricos do PT

Nomes históricos da Esquerda como: Waldir Pires, Walter Pinheiro, Nelson Pellegrino, Lídice da Mata, Emiliano José, Zezéu Ribeiro e Daniel Almeida, terão que se contentar com o que sobrar. Silenciando-se ao verem mantidos no poder, os lideres da Direita e seus seguidores, que ocupam postos nas estruturas governamentais. Mantendo o estado no mesmo modelo ou seremos flexíveis, no modelo hibrido, Direita e Esquerda. Dissolvendo o conceito de ideais e de desenvolvimento social, para a manutenção de homens que pouco ou nada se afinam, relegando a paralisia, um Estado que é maior do que um país, cito Alemanha.

ACM e o PT

ACM ainda vive! Certamente sorrir e ao ver seus antigos adversários se curvarem aos seus ex-liderados. No final, ele sim é o verdadeiro vitorioso. Que mesmo morto, mantém força política e ideológica sobre o Estado que governou por tantos anos. Assimilando membros da Direita o partido dos Trabalhadores da Bahia, perde o discurso, perde a referência. Apenas se torna mais um partido que através de seus lideres, buscam o poder para alojar parte de seus caciques e alguns poucos índios. O povo? Que fiquem com as sobras desta falta de debate, deste entorpecimento ideológico.

Será que algo realmente está mudando na Bahia? Três ex-governadores, todos criados e crescidos dentro do pensamento de Direita podem vir a representar o estado: o atual Senador João Durval (PDT), este continua. César Borges (PR), que busca a reeleição ao lado do também ex-governador Otto Alencar, que objetiva a eleição.

ACM vive! Dentro do PT.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).