Valente – ela não é mais aquela? Prática de (in)visibilidade política na comunicação do semiárido baiano | Por Clodoaldo Almeida da Paixão

O Calila Notícia, atualmente a principal mídia da região semiárida da Bahia, fez uma retrospectiva de diversos acontecimentos políticos no ano de 2009. O mapeamento dos fatos destaca coisas da política nacional (aliança PSDB e DEM; o encontro nacional com prefeitos novos promovido por Lula; lançamento de mais 60 Territórios de Cidadania) e estadual – ruptura PT e PMDB; a disputa política na UPB; reeleição de Marcelo Nilo para ALBA; posse dos novos secretários Roberto Muniz e João Leão (PP) e James Carneiro indicado pelo PDT; a comemoração dos 20 anos da Constituição baiana; a crítica do deputado federal Emiliano José (PT) à postura política antiética de Geddel etc., mas também regional.

No resgate cuidadosamente elaborado, lá estão os fatos envolvendo os municípios principalmente de Conceição de Coité (ida de Resedá pro PDT; a denúncia de nepotismo na câmara e prefeitura; ex-prefeito Vertinho que recebeu 10 mil sem trabalhar; aniversário da cidade; Vertinho e prefeitura que foram condenados pelo Ministério Público do Trabalho a devolver 2,1 milhões; a relação Assis, Wagner/Rui Costa e Emério Resedá e a não visita do governador à cidade; a presença da missão chinesa para conhecer as experiências da região). Mas também de Serrinha (lançamento do orçamento participativo), Santa Bárbara, Ichu, Riachão do Jacuípe, Santa Luz, Queimadas, Cansanção, Pintadas (encontro regional de prefeitos), Capela do Alto Alegre, Brumado, Capim Grosso (expulsão de Itamar Rios do DEM), Jacobina (encontro regional do PMDB), Itiúba (suplente de vereador faz greve de fome pela aprovação da PEC), Ribeira do Pombal, Governador Mangabeira (ex-doméstica foi eleita prefeita), Cipó, Lamarão e Feira de Santana.

A julgar por alguns acontecimentos que foram selecionados e considerados relevantes para prefigurar numa retrospectiva política, chamou atenção a “ausência” do processo eleitoral de Retirolândia que quase elegeu um sindicalista (Noé) para prefeito, mas, sobretudo o município de Valente (referência regional) que sequer aparece apesar do conjunto de fatos ocorridos no decorrer de todo o ano de 2009, muitos dos quais noticiados no Calila Notícias (editoriais municípios). Será que está em curso um processo político de “nacionalismo municipal”, presente na luta pela (in)visibilidade e/ou (re)conhecimento das três “metrópoles” da região semiárida baiana? Ou trata-se efetivamente da invisibilidade anunciada do município frente ao cenário político regional? Será que Valente está perdendo a hegemonia (agora é moda!) na região?

Tem sido praxe em todas as experiências de construção de uma retrospectiva – na TV, revistas, jornais, destacar a abrangência dos fatos que marcaram o mundo, o continente, o país, o estado, a região, o município, a comunidade ou até mesmo a vida de uma família, uma pessoa. Mas a “retrospectiva” do CN ateve-se com mais exclusividade aos aspectos ditos negativos. O que houve – de forma seletiva na política – de positivo no Brasil, Bahia, semiárido no ano de 2009?

*Por Clodoaldo Paixão (Professor do DCHF/Uefs) | [email protected]

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