Feira de Santana: Investidores levam golpe de R$ 20 Milhões e Banco Cooperativado Subaé Brasil é liquidado pelo BC

Responsável pela fundação e gestão da cooperativa, Lourival Nunes Araújo, atraia novos investidores oferecendo taxas de remuneração maiores do que as demais casas bancárias.

Responsável pela fundação e gestão da cooperativa, Lourival Nunes Araújo, atraia novos investidores oferecendo taxas de remuneração maiores do que as demais casas bancárias.

A partir do ano de 2005 o Ministério Público Federal (MPF) passou a receber as primeiras denúncias de irregularidades nas operações financeiras do Subaé Brasil – Cooperativa de Crédito Rural do Vale do Subaé. A instituição estava operando com déficit financeiro mensal de R$ 300 mil. Tecnicamente segundo o atual presidente da instituição, Rubens Cerqueira, “estava falido”. Em 2006 o Subaé Brasil passou a acumular um déficit operacional de R$ 10 milhões, transformando-se em 2009 em uma conta negativa de R$ 20 milhões.

Golpe da Pirâmide

Responsável pela fundação e gestão da cooperativa, Lourival Nunes Araújo, atraia novos investidores oferecendo taxas de remuneração maiores do que as demais casas bancárias. No jargão econômico, se constitui neste momento o famoso Golpe da Pirâmide. Novos Investidores pagam os antigos. A contabilidade sempre fecha no negativo, enquanto existirem novos investidores as dívidas são pagas, quando cessam as entradas de capital, a instituição entra em processo de falência.

Liquidação Extrajudicial

Na tarde de ontem, membros do MPF da Polícia Federal e do Banco Central (BC) dirigiram-se à sede da empresa na Avenida Senhor dos Passos, 908 – Centro, Feira de Santana – Bahia, com telefone de número (75)2102-6201, removeram toda a documentação e promoveram a Liquidação Extrajudicial da instituição. Os credores e devedores do Subaé Brasil passam a reportar-se diretamente ao BC, que torna-se o responsável pela cobrança dos devedores da instituição e com este dinheiro vai saldar parte do capital dos cooperados (investidores/aplicadores).

Troca de presidentes

Conforme explica o empresário Rubens Cerqueira, diretor da empresa Cimentex, o banco contava com 20 funcionários, os demais haviam sido demitidos e indenizados. “Nossa administração deixou R$ 10 mil em caixa, R$ 30 mil em depósito e R$ 37 em moedas e cédulas rasgadas”, explica.

Ele salienta que os cooperados foram os principais responsáveis pela situação do Banco, ao não participarem e cobrarem uma maior transparência na gestão dos recursos. E destaca que dos 3 mil cooperados apenas 50% deles, estavam ativos.

A troca de direção entre Lourival e Rubens, ocorreu em novembro, após uma tumultuada assembléia de cooperados. Que debatiam os desdobramentos da denúncia formulada pelo MPF, que acionou a instituição por crime contra o sistema financeiro nacional (Lei 7.492/86), Procedimento Administrativo de nº 1.140.004.000118/2008-12. Instaurado a partir de representação formulada pelo Banco Central.

Gestão Fraudulenta

Foram indiciandos por crime contra o Sistema Financeiro Nacional: Ademy de Sena Duarte (diretor contábil), Cremildo Atanázio de Souza (Contador) e Lourival Nunes Araújo ( presidente da Cooperativa do Vale Subaé), através da Representação Criminal nº MPF/FS 1.14.004.000118/2008-12.

Bnco x Cooperativa de Crédito

“Banco é estabelecimento mercantil de crédito, sob a forma de sociedade anônima, que tem por objetivo o comércio de dinheiro ou de títulos representativos de valores” (José Naufél – Novo dicionário jurídico Brasileiro)

“Cooperativas de Crédito são organizações que têm por escopo desenvolver a chamada mutualidade. No setor científico, sua finalidade consiste em propiciar empréstimos a juros módicos a seus associados, estando subordinadas, na parte normativa, ao CMN e na executiva ao BACEN[1]” (Nelson Abrão – Direito Bancário)

Lei nº 4.595/64 – Inseriu as cooperativas de crédito no SFN, sem equipará-las a bancos ou casas bancárias.

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