O que não pode é ser Estado Empresário como quer o governo Lula. 2ª parte da entrevista com o senador ACM Junior

JGB – O senhor na condição de senador conviveu com dois presidentes, FHC e Lula, como avalia a personalidade e estilos de ambos?

ACMJ – O presidente FHC tem uma base intelectual e cultural que lhe permite enxergar o país a longo prazo. O que acontece hoje tem muito a ver com o que ele fez ao longo de seus oito anos de governo. Fernando Henrique foi quem propôs as bases e Lula manteve a política, melhorou e ampliou o modelo. O atual presidente tem outro perfil é uma pessoa de fácil comunicação e tem um grande apelo popular. Ele soube colher os frutos do que FHC plantou no início de seu governo. Se não tivéssemos plano real, lei de responsabilidade fiscal, reconhecimento de esqueletos que permitiu limpar os déficits escondidos, câmbio flutuante e meta de inflação, o governo de Lula não chegaria ao nível que chegou.

JGB – Fernando Henrique terminou o primeiro mandato com o dólar em alta e tomou dinheiro emprestado no exterior; no segundo, cometeu o que se pode considerar como um dos maiores crimes perpetrados contra uma nação. O que obrigou que seu sucessor, ao tomar posse, se deslocasse ao exterior para assinar um contrato em que se comprometia em honrar o pagamento com o FMI. Lula termina o seu primeiro mandato e paga o Clube de paris, e prestes a concluir o segundo está na condição de credor de 20 bilhões junto ao FMI. Como administradores eles podem ser classificados como iguais?

ACMJ – Temos que observar os seguintes aspectos, nós tivemos durante o governo de FHC dois anos (1996 e 2000) crises internacionais. Lula de 2003 a 2007 surfou sem crise internacional. A situação entre ambos são bem diferentes. O país se preparou no governo de FHC e Lula colheu estes frutos sem ter passado por nenhuma crise neste período. Quanto a crise mais recente ocorrida nos Estados Unidos esta foi  assimilada pelo atual governo devido a blindagem que o país vinha fazendo  ao longos dos últimos 15 anos.

JGB – A teoria do consenso de Washington não demonstrou ser um grande desastre do ponto de vista macro-econômico. Por que copiar um modelo que economicamente fracassou? Abrir mão de políticas públicas não é abrir mão da própria noção de república?

ACMJ – O Banco Central cuida da política monetária, cambial e sistema financeiro. São áreas  que não deveriam estar sendo operadas de forma excessivamente política. Tem que ter independência para poder agir de forma técnica e não sofrer pressões políticas. A crise financeira americana ocorreu devido à falta de um contexto legal e institucional, ou seja, fragilidade na legislação. O que não ocorre no Brasil, os nossos bancos são regulamentados pelo Banco Central e CVM. De acordo com padrão de Basiléia (Suiça) o cidadão pode captar oito vezes mais recursos referente ao valor de seu patrimônio, a média dos bancos internacionais é  de 11 e a nossa de 15 o que torna o nosso sistema sadio. Outro fator que contribuiu para isso é o nosso compulsório que é estúpido 45% em dinheiro mais 8 % em títulos , bancos comerciais, 15% para caderneta de poupança e 15% em CDBS e RDBS. Nos Estados Unidos são 10%, por isso que a multiplicação de moeda naquele país  é mais rápida.

JGB – O mais irônico, em todo esse processo econômico é que o modelo neo- liberal defende o redução da presença do  Estado na economia e o avanço do capital privado . Mas com a crise nos Estados Unidos, os defensores deste modelo econômico foram os primeiros a buscarem apoio no Estado. Como o senhor avalia essa situação?

ACMJ – Eu não defendo a atuação mínima e nem máxima do Estado na economia. O que defendo é um Estado regulador, ele tem que ser forte o suficiente para implementar as políticas públicas e regular a economia. O que não pode é ser Estado Empresário como quer o governo Lula, com relação ao pré-sal criando a fórmula branca do monopólio estatal.

JGB – O senador é conhecido como uma pessoa portador de uma postura ética muito rígida. O senhor se sente confortável tendo como presidente o senador José Sarney?

ACMJ – O senador Sarney, sem dúvida, cometeu erros nem tanto no exercício do cargo, ele deixou que a família agisse de forma excessiva junto aos órgãos públicos. O erro dele foi não ter tomado uma posição para sanar o problema, ao não agir acabou sendo tragado pelas notícias do dia-a-dia, o que culminou em toda esta crise.

JGB – Na noção de república não basta ser, tem que parecer. Diante deste episódio não falta ao senador Sarney a envergadura de valores morais para estar à frente do legislativo brasileiro?

ACMJ – O problema maior é que ele ficou imobilizado pela crise e isso gerou um clima negativo no senado.

JGB – Por duas vezes o senhor chegou ao senado através da suplência. Existe um debate no congresso que a suplência retira legitimidade da representação. De que forma o senador avalia este questionamento?

ACMJ – A suplência é prevista em lei e o suplente é eleito. Na hora em que o cidadão se dirige para a urna eleitoral, ao votar aparece a imagem do suplente. Todavia, não sou contrário  que se mude a regra em que o suplente só possa fazer substituição temporária e que na primeira eleição municipal ou geral, em caso de vacância de mandato até dois anos, você possa fazer uma nova eleição. O que não pode acontecer é quando houver cassação do senador, o candidato derrotado venha assumir o cargo. Essa postura vai de encontro ao povo, exemplo significativo foram  os casos ocorridos nos Estados do Maranhão e Paraíba, onde os governadores legitimamente eleitos foram destituídos dos respectivos cargos e em seus lugares foram empossados os adversários derrotados nas urnas. Atos que considerei como um erro, afinal o mandato pertence aos partidos. Defendo que nestes casos deveriam realizar uma nova eleição e se estiver no penúltimo ano de governo, assume o presidente da Assembléia Legislativa do Estado.

JGB – Como o senhor avalia o cidadão político colocar na sua suplência um parente?

ACMJ – Não vejo inconveniente algum se a pessoa em questão for qualificada para exercer as responsabilidades do cargo quando for necessário.

JGB – Este não é o mesmo argumento utilizado pelo judiciário na tentativa de justificar os casos de nepotismo existente no órgão. Qual a sua opinião a este respeito?

ACMJ – Neste caso específico se trata de emprego e não de mandato. O que considero a proibição correto. Em caso de mandato se você tem pessoa de sua confiança política e competência, não vejo nenhum inconveniente.

JGB – O senhor sempre resistiu à possibilidade de sair candidato, é o que se comenta nos bastidores da política. O seu partido (DEM) lançou o nome de Paulo Souto ao governo, mas até o momento não definiu o vice e os dois nomes ao senado. Faltam quadros ao partido para concorrer ou faltam aliados para compor com as chapas Democratas /PSDB?

ACMJ – Estamos sendo cautelosos, a partir do momento em que pretendemos realizar um arco de alianças. Se começarmos a definir candidatos, exceto com relação ao nome de Paulo Souto que é o nosso candidato a governo do Estado, o que acontece, acabamos inibindo a realização de alianças que podem vir a acontecer. Vamos deixar esses três casos em aberto para essas alianças. Depois de reunirmos todos os grupos que vão nos apoiar, aí partiremos para discutir cargos e os candidatos.

JGB – O senador é candidato a reeleição ou pretende apoiar outro nome. Caso pretenda, qual será?

ACMJ – Eu não defini ainda se serei ou não candidato. Vamos fazer uma chapa mais forte  possível. Entretanto, a minha candidatura não está descartada. Mas não vou impor a minha candidatura antes de discutirmos  a chapa que tem como objetivo maior eleger o candidato Paulo Souto. Vou ficar sendo um soldado do partido aguardando as definições para depois me posicionar.

JGB – O ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, tem tido o nome cogitado para o senado. Como o senhor avalia essa possibilidade?

 ACMJ – O partido tem bons quadros, o deputado José Ronaldo, José Carlos Aleluia e eu mesmo, Vamos buscar compor a melhor formação de chapa para que nós possamos ganhar o governo e se possível, as vagas para o senado.

Leia +

ACM Junior: Nós temos que fazer uma oposição criteriosa, não podemos dizer que o governo nada tem feito. 1º Parte da entrevista

Do senador ACM Junior: Eu não defini se serei candidato ou não. O objetivo maior é eleger Paulo Souto. Sou um soldado do partido

*Entrevista conduzida por Carlos Augusto e Sérgio Jones

Publicidade

Publicidade

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Faça uma doação ao JGB

Perfil do Autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]