O quarador de borboletas

Nos versos de Fernando Coelho a natureza se faz mais viva, na celebração do amor pró-criativo. Borboletas, insetos e passarinhos copulam com flores e folhas para criar vida, eternamente viva.

O poeta Fernando Coelho é o mais baiano dos baianos, apesar de ter vivido grande parte da sua vida em exílio paulistano. Talvez por isso mesmo. A saudade da Bahia o fez reconstruir, no seu saudoso imaginário, a Bahia mítica, misteriosa. A terra da bahiafricanidade.

Amigo de ilustres baianos da gema e baianos por adoção, como Luciano Ferreira, Vivaldo Costa Lima, Caribé e Pierre Verger, esse também ilustríssimo baiano nos brinda com exemplar autografado do seu novo livro de poesias, o décimo-segundo, “O quarador de borboletas”.

Ogã do Ilê do Axé Opó Afonjá, natural de Conceição de Almeida, terra de outros tantos distintos baianos — como o prof. Luiz Paulo Neiva —, Fernando tem o seu livro prefaciado por dois leves pesos pesados da literatura brasileira: José Nêumanne e por Olga Savary, poetisa e tradutora de Pablo Neruda.

Plasticamente bonito, o livro de poesia “O quarador de borboletas” é composto de 41 poemas breves, à maneira de hai-kais. Versos bonitos, concisos, “desenhados a nanquim, como o estandarte de um samurai de Kurosawa”.

Fernando, o Coelho, nos seus breves tercetos, é um acrobata da palavra. Encontramos verdadeiras pérolas de uma erótica-telúrica, que surpreende o leitor: “pintassilgos fornicando mangas/camomila dos varais”. Ou: o beija-flor te faz pérola/espada ânsia de pólen”.

E, que dizer de: “E te amar/Como quem fareja visgo/Comer de sempre tua hera”.

Nos versos de Fernando Coelho a natureza se faz mais viva, na celebração do amor pró-criativo. Borboletas, insetos e passarinhos copulam com flores e folhas para criar vida, eternamente viva: “”apaixonados insetos/corroem fímbrias/e medulas de açúcar”. Ou ainda: “cogumelos chocados/no infinito de tuas partes”.

Fernando é o homem de mil ofícios, por isso, listar aqui o seu currículo correr-se-ia o risco de não restar bytes no computador ou tinta no papel.  No ofício de escritor, o nosso Coelho é autor de uma ode à Bahia, declaração plena de amor, no seu “Salvador — Guia de Cheiros, Caminhos e Mistérios”, prefaciado pelo Amado Jorge dos baianos.

No momento, o autor aproveita o tempo passado entre as areias das praias da Bahia e retorno à sua confortável vivenda, para organizar a nova edição do seu fundamental guia lítero-gastronômico-turístico.

O que: O quarador de Borboletas (Poesia). Fernando Coelho. Edição do Autor.

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Perfil do Autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]