E você, é grato pelo quê? | Por Roque do Carmo Amorim Neto

Hoje me dei o direito de acordar um pouco mais tarde. Nada de alarme programado para disparar às 6 da manhã. Nada de correria para cumprir todos os compromissos prévios à primeira aula. Nada de aula antes das 11 horas.

Ainda enrolado nas cobertas e sem coragem alguma de levantar para encarar o banho a uma temperatura de 3°C, sorri para mim mesmo e cochichei quase como se contasse um segredo: “É bom estar vivo!”. Em seguida repeti isto em voz alta, como se esta fosse a maior verdade que eu tivesse alcançado em toda minha vida.

Sim, é bom estar vivo… E meus pensamentos logo voaram para as pessoas que não precisam fazer coisa alguma para que eu possa chegar a esta conclusão, meus sobrinhos… Pensei no rosto dos três, no sorriso deles, na última vez que nos vimos há quase um ano atrás e também no nosso reencontro em menos de um mês… Senti-me grato por fazer parte da vida deles e por receber o carinho de crianças tão adoráveis pelo simples direito adquirido de ser “tio”.

Sem que eu guiasse meus pensamentos, fechei meus olhos e me vi sentado na cozinha de minha avó. Era hora do café da manhã, o cheiro de coalhada e cuscuz, a voz mansa e amável de minha avó, o clássico suco de caju (sim, na casa de minha avó sempre tem suco de caju nas minhas férias). Tudo isto compunha um quadro quase mágico e me senti grato. Grato por minha avó que unifica minha família. Grato por tantas refeições que já tomei na companhia dela.

Nas férias com minha família, não há tempo em que eu não seja interrompido pela chegada de algum amigo. Com um sorriso no rosto e ainda de olhos fechados lembrei-me de alguns deles. Amigos de infância. Amigos do colégio. Amigos do grupo de jovens. Amigos da faculdade. Amigos das loucas viagens que já fiz Brasil a fora… E o sentimento de gratidão se agigantava em meu peito…

Tinha a imagem de Michael em minha mente, quando seu rosto me lembrou do trabalho que precisava finalizar para entregar em poucas horas. Senti-me agradecido pelo fato de poder estudar. Comecei aos 4 anos e até hoje não parei… Recordei a dificuldade que tive para aprender a escrever meu próprio nome. A letra “q” sempre me parecia complicada. E agradeci porque tive professores compreensivos, preocupados com meu bem estar e desenvolvimento.

Girei na cama, e meus pés ficaram fora das cobertas… Senti o frio e rapidamente estiquei o cobertor para proteger-me… E uma vez mais o sentimento de gratidão percorreu todo o meu ser. Senti-me grato por ter um corpo, por ser saudável, por tantas vezes ter superado enfermidades, cortes, arranhões… E novamente pensei: “É bom estar vivo!”

É bom estar vivo e ser grato…

Gratidão é o sentimento daqueles que se reconhecem pequenos e necessitados da ajuda dos outros.

Gratidão é também o sentimento daqueles que amam os demais e apostam na liberdade do amor…
E você, é grato pelo quê?

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