Virgílio rebate acusações de revista e anuncia apresentação de denúncia contra Sarney

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) rebateu, nesta segunda-feira (29/06/2009), em discurso de mais de três horas, reportagem da revista IstoÉ do último fim de semana. Entre outras denúncias, a reportagem afirma que Agaciel Maia teria coberto despesas com o cartão de crédito do parlamentar durante uma viagem sua ao exterior com a família.

O senador explicou que, durante uma viagem a Paris com a esposa e os quatro filhos, em 2005, teve, de fato, problemas com seus cartões de crédito do Banco do Brasil. Impossibilitado de usar os cartões, ligou para um assessor em Brasília, que, de acordo com ele, seria casado com uma ex-funcionária do banco. Esse assessor – Carlos Homero Nina – acabou, porém, pedindo ajuda a Agaciel Maia, que considerava seu amigo.

– Se eu quisesse ligar em busca de dinheiro, eu teria ligado para algum amigo rico meu – disse.

Ele atribuiu a tentativa de implicá-lo nas irregularidades cometidas pelo ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, aos irmãos Gilberto Miranda Batista e Egberto Miranda Batista, que são seus adversários políticos no Amazonas. O senador disse que a revista “vende opinião”, classificou-a como uma “central de chantagem” e garantiu que não silenciará até que o presidente do Senado, José Sarney, seja substituído, pois “não tem mais a mínima condição moral de permanecer à frente da direção desta Casa”.

– Quero a saída da Presidência da Casa do presidente José Sarney. Funciona muito ao contrário comigo esse tipo de coisa – alertou.

Arthur Virgílio também apresentou, em caráter pessoal e não como líder de partido, uma denúncia ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra o presidente do Senado. Ele justificou a iniciativa com a reportagem que revelou o envolvimento de José Adriano Cordeiro Sarney, neto do presidente da Casa, com o licenciamento de instituições financeiras no Senado para atuar na área de crédito consignado. Virgílio também listou outras 18 irregularidades resultantes de atos secretos.

Referindo-se à IstoÉ, o senador disse que a revista pretendeu usá-lo como exemplo e intimidar terceiros para que fiquem calados diante da crise por que passa o Senado. Ele afirmou que não irá se calar.

– Quero a demissão do Sr. Agaciel Maia; quero a demissão do Sr. Zoghbi – disse o senador.

Arthur Virgílio também se referiu a Alexandre Gazineo, que substituiu Agaciel Maia na Diretoria Geral do Senado, dizendo que, embora não quisesse ser injusto, tinha dúvidas se ele merecia permanecer nos quadros do Senado Federal.

O senador defendeu “uma investigação dura” sobre “as correlações possíveis de todos os presidentes” e 1ºs secretários do Senado durante os 14 anos em que Agaciel Maia ocupou a Diretoria Geral.

Arthur Virgílio assumiu total responsabilidade pelo pedido, à Mesa, para que seu funcionário, Carlos Alberto Nina Neto, obtivesse licença para cursar pós-graduação no exterior no período de maio a julho de 2005 e retornou de outubro de 2005 a novembro de 2006 para cursar mestrado.

– Esse é um erro que cometi e é um erro pelo qual mereço ser, sim, criticado – disse o senador.

O senador também rebateu a informação de que sua mãe seria sua dependente no plano de saúde do Senado. Virgílio disse que a sua mãe, paciente de Alzheimer, é pensionista e dependente do seu pai, que também foi senador. Ele assinalou que sua mãe sequer sabia que podia recorrer ao Senado e não o fez por muitos anos. Acrescentou que foi um amigo da família, o procurador aposentado da Fazenda Nacional, Armando Marques da Silva, quem revelou à sua mãe o direito de receber ressarcimento pelo tratamento por ser viúva do senador Arthur Virgílio Filho.

Arthur Virgílio condenou as tentativas de Agaciel Maia de tentar transformá-lo em seu cúmplice, quando o acusa de ilegalidades, dizendo que o ex-diretor “é cúmplice de um bando de senadores covardes, que não estão tendo coragem de apresentar a face”.

– Nós temos o dever de saber quais são esses senadores covardes, corruptos, que protegeram esse desmando o tempo inteiro, porque ele não ficou aí sozinho. Então, tem senador, sim, que apadrinhou esse corrupto para fazer um roubo que não foi de usufruto apenas dele; deve ter dividido com muita gente com assento e com mandato nesta Casa – afirmou.

Em relação à viagem que fez com a esposa e filhos a Paris, o senador fez uma proposta: a abertura do seu sigilo bancário e o de Agaciel Maia para saber se o ex-diretor realmente pagou a sua conta de hotel. Ele apresentou cartões de embarque, contas, recibo de depósito e toda a documentação referente à viagem para provar que utilizou milhagem aérea e solicitou ajuda a um assessor porque seus cartões de crédito estavam bloqueados.

O senador ainda propôs a devolução de servidores de outros órgãos e o retorno dos servidores do Senado que estejam requisitados; o recadastramento de servidores efetivos, comissionados e terceirizados; a proibição de aditivos em contratos; e a redução no número de cargos comissionados nos gabinetes.Da

*Com informações da Agência Senado

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