Palácio da Música preserva mais de 400 partituras

Quem pensa que o Palácio da Música apenas forma instrumentistas está enganado. Possui um rico acervo de materiais sobre as filarmônicas e maestros de Feira de Santana e região, inclusive contendo centenas de partituras. Dessa forma, o projeto está preservando a parte da história do município.

O Palácio da Música é realizado pela Earte, com o apoio da Oi e do Fazcultura – Programa Estadual de Incentivo à Cultura. O objetivo principal é resgatar a memória musical de Feira de Santana através da preservação de documentos, discos, fotografias e partituras antigas, além de outros materiais de outras pesquisas. Além disso, forma alunos para integrarem filarmônicas ou tocarem em bandas, oferecendo aulas de instrumentos musicais de sopro. No local também há conserto gratuito desses instrumentos. Todos os serviços são feitos por competentes e renomados profissionais da área musical da cidade.

De acordo com Celiah Zaiin, coordenadora do projeto, atualmente o Palácio preserva exatamente 487 obras musicais, constituindo o maior arquivo de documentos musicais da cidade. São 85 dobrados, marchas e frevos, 20 partituras de coral, 382 partituras livres nos estilos afoxé, marchas, merengues, frevos, maxixes, entre muitos outros. Mais da metade desse material é original, escrito há mais de 50 anos.

Luiz Augusto Oliveira, diretor geral da Earte, que promove o projeto, ainda lista os maestros que possuem obras no local: Almiro Oliveira, Aloísio Pimenta, Aniceto Azevedo, Antônio da Silva Nunes, Antônio França, Armando Nobre, Armindo Oliveira, C. Cabral, C. Santiago, Cícero Lemos, Emigdio Alves, Estevão Moura, Florival Santos, Francisco Farina, Guilherme Santos, Isaias Nery, João Neves, José Gomes de Assis (Zaguinha), Manoel Cunha, Maestro Miro, Nilo Souza, Maestro Osório, Osvaldo Assis (Vadú), Ovídio Aquino, P. H. Guerreiro, Tertuliano Santos, Valdemar da Paixão, Valdomiro Firmino, Ferreira da Costa. No total são 30 nomes.

Segundo Luiz Augusto, durante um ano o Palácio fez uma pesquisa ampla sobre os maestros da região do Paraguaçu. “O projeto tem como objetivo não só oferecer as aulas, mas, auxiliar na preservação da memória musical da cidade”, ressalta. Dentre as surpresas da pesquisa, cita Celiah, foram encontradas fotos originais de apresentações das filarmônicas de Feira, e um disco da Filarmônica da Vitória com canções apresentadas em duas edições do Encontro das Filarmônicas, transmitidos pela Rede Globo de Televisão. A Vitória ficou em terceiro lugar.

Quem confere o material do Palácio ainda pode observar algumas curiosidades. O Maestro Miro, por exemplo, tinha paixão por composições de axés, ijexás, frevos baianos e outras músicas de ritmo marcante. Inclusive, algumas das primeiras músicas do Chiclete com Banana foram feitas por ele. Personalidades feirenses, como os ex-prefeitos Colbert Martins e João Marinho Falcão, foram homenageados com dobrados.

Material exige cuidados

Um material tão precioso exige uma série de cuidados. Por se tratar de documentos antigos, requerem uma atenção ainda maior. É preciso manter os papéis relativamente aquecidos e longe da umidade. Também não devem ser guardados em armário de madeira, por causa de cupins, que podem vir a atacar este tipo de móvel, e consequentemente acabar com as partituras e as fotos.

Para evitar que qualquer tipo de acidente destrua o patrimônio a direção tirou cópia adequada de tudo. “Uma simples xérox envelhece o papel original em cinco anos, por isso é preciso fazer fotocópia”, explica Luiz Augusto.

O objetivo futuro é transformar o resultado da pesquisa em um livro, no qual serão contadas biografias dos maestros, mostradas algumas das suas obras, fotografias, e outras informações.

Celiah ainda ressalta que a maior parte do material foi encontrada em condições inadequadas nas casas de familiares. “Tivemos dificuldades de acesso a algumas obras, pois alguns parentes se apropriaram do material. Mas, nós pelo menos os conscientizamos quanto ao guardar”, afirma.

Ainda relata com tristeza que muitas partituras e fotos do Maestro Miro no exterior que estavam armazenados na residência de um parente, foram perdidas em uma forte chuva. “Muitos não fazem por mal. É que simplesmente não conhecem o valor que isso tem. E o nosso objetivo é justamente preservar estes documentos que contam parte da nossa história”, diz Luiz Augusto.

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