Justiça colombiana pede investigação de Uribe por compra de votos

A Suprema Corte também decidiu manter na prisão a ex-deputada Yidis Medina, que no mês passado disse numa entrevista ter recebido de funcionários do governo uma oferta de indicações para cargos públicos para que votasse pela aprovação da emenda.

Medina disse na ocasião que Uribe conhecia a proposta, mas que ela nunca foi cumprida.

O voto dela foi considerado vital para a aprovação da emenda em uma comissão da Câmara de Deputados, em 2004. Uribe foi reeleito em 2006.

Depósitos bancários

Segundo afirma uma reportagem publicada nesta semana pela revista colombiana Cambio, a ex-deputada entregou à Justiça comprovantes de depósitos bancários que teriam sido feitos a outro deputado, Teodolindo Avendaño, que como ela tinha posição inicialmente contrária à reeleição.

Avendaño faltou à votação sobre a reforma constitucional para a reeleição, que acabou sendo aprovada por 18 votos a favor (incluindo o de Medina) e 16 contra.

Segundo um comunicado da Suprema Corte, a confissão de Medina e as provas que apresentou serão enviadas à Comissão de Acusação e Investigação da Câmara dos Deputados e à Procuradoria-Geral “para que as autoridades competentes conheçam a suposta lista de delitos nos quais possam ter incorrido outros congressistas e vários funcionários e ex-funcionários do Estado”.

Em sua confissão, feita em troca de uma possível redução da pena pelo crime de corrupção, a ex-deputada disse que as ofertas para que mudasse seu voto foram feitas por vários funcionários do governo.

Medina mencionou o ex-ministro do Interior e atual embaixador da Colômbia na Itália, Sabas Pretelt, o ministro da Proteção social, Diego Palacio, o ex-secretário-geral da Presidência da República Alberto Velásquez e outras pessoas.

Uribe nega

Assim que a confissão de Medina se tornou pública, Uribe negou que seu governo tivesse comprado votos para aprovar a reeleição no Congresso, e o ministro Diego Palacio desafiou a ex-deputada a provar suas afirmações.

Apesar do envio da confissão da ex-deputada e de documentos apresentados por ela à Câmara, hoje não parece muito provável que o Congresso decida abrir um processo contra Uribe, já que a coalizão governista tem a maioria do Poder Legislativo.

Ao contrário dos congressistas, que são interrogados pela Suprema Corte, os presidentes na Colômbia só podem ser investigados pela Câmara dos Deputados e julgados pelo Senado.

No último século, somente um presidente colombiano, o ditador Gustavo Rojas Pinilla (1953-1957), foi condenado pelo Senado, mas ainda assim dois anos após deixar o poder.

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