Um novo desenvolvimento | Por Emiliano José

O século que passou foi marcado por uma específica noção de desenvolvimento: país desenvolvido era país industrializado, o que tinha que acontecer a qualquer preço. Não importava que isso acontecesse em prejuízo do meio ambiente que, aliás, nem era lembrado. O homem destruía a natureza com absoluta tranqüilidade, sem se perguntar sobre os impactos de longo prazo para a sobrevivência da humanidade. Era como se os recursos naturais fossem inesgotáveis. Uma ideia específica de progresso.

Neste século que se inicia impõe-se necessariamente, em qualquer proposta de desenvolvimento, a discussão sobre a preservação do meio ambiente, sobre a relação do homem com a natureza. O tipo de noção de desenvolvimento que se impôs nos últimos séculos, particularmente a partir do século XIX, quando o capitalismo acelerou a industrialização em todo o mundo, tornou-se insustentável para os dias atuais. E para ser verdadeiro, o socialismo em sua versão soviética foi também predador com o meio ambiente numa escala assustadora.

A China, com seu incrível crescimento, certamente terá que pensar, repensar, a relação com a natureza, sob pena de as gerações futuras e toda a humanidade pagarem um preço muito alto. O paradigma desenvolvimentista adotado no século XX está em crise. Ao menos no campo do pensamento encontra-se profundamente questionado. Senão à direita, seguramente entre os que compõem um campo que, grosso modo, pode ser chamado de esquerda.

Fui instado a essas reflexões por uma notável palestra da economista Tânia Bacelar, numa reunião do PT, em São Paulo, no dia 29 de março. Não há como deixar de lado, no mundo em que vivemos hoje e como decorrência óbvia da ação predatória do homem nos séculos anteriores e particularmente no século XX, a questão do aquecimento global que é um tema que veio para ficar. Ninguém mais poderá ignorar, para pensar o modo de desenvolvimento, a importância de encontrar mecanismos que mitiguem tal aquecimento.

Como não há mais jeito de imaginar o desenvolvimento sem levar em conta a dimensão social. Não se trata mais apenas de pensar o desempenho do PIB, nem mesmo o PIB per capita, mas de avaliar a quantas anda o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a quantas andam a educação, a saúde. Entrelaçados estarão, ou deverão estar, nessa nova concepção, a economia, o meio ambiente e o social.

E aqui entra necessariamente uma questão de natureza profundamente cultural, que é a do padrão de consumo. Esse padrão de consumo capitalista, a dança macabra e alegre e vertiginosa da mercadoria, não tem mais sustentabilidade. Ele tem conseqüências em todos os terrenos, e talvez os EUA, com seu obsceno padrão de consumo, estejam hoje sentindo que foram ou estão indo longe demais. O momento é de apreensão e de necessária reflexão.

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