Rumo à Casa Branca

‘Deus não pediu aos Estados Unidos que se envolvam em uma guerra sem sentido e injusta. E nós somos criminosos nessa guerra. Nós cometemos mais crimes de guerra do que qualquer nação no mundo, e eu vou continuar a dizê-lo.”

Dois meses após ter feito estas declarações sobre a Guerra do Vietnã, a vida do reverendo Martin Luther King Jr. chegou ao fim, quando a bala de um rifle de caça destruiu o seu maxilar direito, atravessou seu pescoço e se alojou em suas costas, no dia 4 de abril de 1968.

Mais de 40 anos após King ter feito sua incisivas críticas contra os Estados Unidos e sua política externa, Jeremiah Wright, um outro reverendo negro, enfrenta críticas semelhantes por declarações feitas contra o governo americano e sua política externa.

Mas o reverendo não é qualquer líder religioso, mas sim o pastor de mais de 20 anos daquele que poderá vir a ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama.

Obama fez um elogiado discurso sobre as relações racias nos EUA

Wright disse que os Estados Unidos apoiaram ”terrorismo de Estado contra os palestinos e os negros da África do Sul” e que o governo americano cometeu crimes em terras estrangeiras e matou um número maior de pessoas do que aqueles que foram mortos nos atentados de 11 de setembro de 2001.

Os comentários obrigaram Obama a se distanciar de seu pastor e de seus sermões e a realizar um elogiado discurso sobre as conturbadas relações racias nos Estados Unidos.

Anos antes de ser morto, Luther King discursava na capital americana sobre um sonho, o de ver um dia ”filhos de escravos e de proprietários de escravos sentados juntos à mesa da irmandade”, um sonho ”profundamente enraizado no sonho americano”.

Consta que nos anos 60, muitos ativistas de direitos civis tentaram persuadir King a se candidatar por um terceiro partido à presidência dos Estados Unidos, mas seus correligionários relatam que, mesmo após considerar o pedido com atenção, o reverendo chegou à conclusão de que seu destino não era a política.

Mais de 40 anos após as palavras utópicas de King, uma pesquisa realizada pela rede CNN mostra que 76% dos americanos acreditam que os Estados Unidos estão prontos para serem liderados por um negro, um número 14% superior ao de dois anos atrás.

A liberdade a que King almejava não se limitava aos negros, mas se referia também a brancos que ele esperava conseguir libertar das amarras do racismo e da intolerância por meio de seu discurso integrador.

Se Martin Luther King ainda estivesse entre nós, aos 79 anos, ele poderia acompanhar a possível chegada de um negro à Casa Branca, eleito predominantemente pelo voto de brancos, e repetir seus dizeres dos anos 60: ”Enfim, livres”.

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