Produção de lixo eletrônico cresce 5% ao ano no Brasil

Cerca de três quilos de lixo eletrônico são gerados a partir da fabricação de cada quilo de computador. Considerando os milhões de computadores e outros aparelhos eletrônicos, como celulares, MP3 e videogames, fabricados todos os anos e outros milhões descartados, uma imensa quantidade de lixo tecnológico é despejada no planeta todos os dias. Esse número tem crescido numa média de 5% a cada ano. Além disso, o processo de fabricação desses equipamentos envolve grande quantidade de elementos químicos e gases tóxicos.

O que fazer para evitar um colapso do material descartável gerado pelo avanço da tecnologia é o tema que norteia a VIII Escola Regional de Computação dos Estados da Bahia, Alagoas e Sergipe, o Erbase 2008, evento que acontecerá de 14 a 18 de abril de 2008 no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia, Ufba. O evento, organizado pelo Departamento de Ciência da Computação e pelo Centro de Processamento de Dados da Ufba, ocorre sob a coordenação dos professores Luciano Porto Barreto e Débora Abdalla, e tem como tema principal os “Problemas Ambientais do Lixo Tecnológico”.
O evento conta com a participação das Instituições de Ensino Superior (IES) dos três estados, e deve ter a participação de mais de 800 congressistas. As inscrições continuam abertas. Informações podem ser obtidas no site www.erbase2008.ufba.br, ou solicitadas pelos telefones (71) 3241-4008 – 3243-3984, ou e-mail [email protected]
A programação completa do principal acontecimento acadêmico de computação na região pode ser conferida no site www.erbase2008.ufba.br.

PROBLEMAS COMEÇAM NA FABRICAÇÃO

Para o principal palestrante do Erbase 2008, o professor titular da Ufba, doutor Raimundo Macêdo, o problema é gerado logo no momento da fabricação dos produtos. “Na fabricação de material tecnológico – chips, discos, placas, etc – uma grande quantidade de solventes químicos são utilizadas e o armazenamento do lixo gerado logo a partir da fabricação é feito dentro das próprias fábricas e, em grande parte das vezes, em tanques subterrâneos. Somente isso, sem nem mesmo considerarmos os produtos descartados pela população após o uso, já gera uma enorme emissão de gases, que contaminam o solo, a água e o ar”, explica.

Com isso, completa Macêdo, o planeta sofre inúmeros prejuízos. “Esses gases contribuem para a destruição da camada de ozônio, favorecem o aquecimento global e contaminam massivamente o ar, já que milhares de quilos de poluentes são liberados a cada ano”. A forma de armazenamento também não é segura. “Para se ter uma idéia, 85% dos tanques de armazenamento de silício no Vale do Silício (local onde se concentram as sedes das principais empresas de tecnologia dos EUA, um pólo tecnológico) apresentaram vazamento, atingindo o suprimento de água”, afirma.

O mau armazenamento do lixo gera ainda efeitos nocivos que atingem diretamente os seres humanos. “O número de nascimentos de bebês com problemas congênitos foi três vezes maior no Vale do Silício em relação às outras localidades dos EUA, isso no início deste século. A contaminação pode gerar ainda doenças, como câncer e catarata”, acrescenta Macêdo.

O grande problema é que a quantidade de lixo eletrônico gerado pelo planeta só tem aumentado. Conforme Macêdo, esse tipo de resíduo cresce entre 3% e 5% todos os anos, percentual três vezes superior ao de outros tipos de material descartado. “Em uma cidade de porte médio da Europa, 5% de todo o lixo produzido é eletrônico e estima-se que, até 2010, o lixo eletrônico seja duplicado no continente”. Até 2004, cerca de 315 milhões de computadores pessoais foram descartados em todo o mundo. No Brasil, houve sucateamento de 850 mil máquinas.

Uma possível solução, aponta o professor, seria o aumento do tempo de vida útil dos aparelhos e modificações no processo de fabricação. “As fábricas poderiam investir na fabricação de componentes eletrônicos de maior durabilidade. Outra questão seria a utilização de menos recursos naturais, uma fabricação mais limpa, com adoção de medidas de desconstrução para o reaproveitamento”, considera.

Entre os consumidores é preciso disseminar a idéia de consciência tecnológica. “As pessoas devem desenvolver a consciência tecnológica, adotar o uso racional, evitar o desperdício e optar por produtos que respeitem o meio ambiente”, completou.

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