Conexão rio-sem medo de ser feliz | Por Christina Thedim

(baseado no argumento de Sônia Thedim)
Olha, sei que pode parecer estranho falar assim depois de tantos anos de convivência, mas essa dependência que se criou entre nós, confesso, começa a me incomodar. Aconteceu no instante em que, descuidadamente, ousei observá-lo sob outro enfoque e, desde então, não consigo mais parar de me questionar sobre a validade da nossa relação. Foi como se uma venda me tivesse sido retirada dos olhos e revelado sua verdadeira natureza.

Que sensação horrorosa, tudo pareceu ruir naquele momento, até o chão sob meus pés sumiu. Ficou apenas um grande vazio, apenas o vácuo, sem som, sem forma, sem cor, sem luz. Foi numa questão de segundos, segundos que se repetiram sem que percebesse, formando uma imensa interrogação em minha mente. Segundos esses que exigem resposta a uma pergunta que não quer calar: por que razão ainda estamos juntos, que tipo de sentimento persistiu no tempo, levando-nos a permanecer fiéis a essa parceria que agora transparece tão insana e mentirosa? Onde andava esse precipício que nos separa se nunca, antes, sequer cogitei-lhe a existência? Eu era tão jovem quando nos conhecemos.

Foi paixão a primeira vista. Seu evidente carisma e popularidade logo me conquistaram. Estar com você era como viver um sonho, e lá estava eu, velejando em alto-mar ou dirigindo um lindo conversível vermelho de capota preta em direção ao infinito! Sempre foram os melhores momentos os que desfrutamos juntos, assim como juntos também estivemos nos piores dias da minha vida. Saber que estava ali, pertinho de mim, era o suficiente para não perder o rumo, não me desesperar. Mas só até agora. Por uma razão que não consigo compreender sua presença não me traz mais a mesma sensação de conforto e segurança. Pude vislumbrar-lhe uma face, até pouco tempo oculta, e já não consigo vê-lo com antes.

Às vezes o que pensamos ser a solução é o início de um novo e grande problema. Evidente que tenho que admitir minha parcela de culpa nisso tudo. Parecia que até para o simples ato de respirar tinha que ter sua aprovação. Que ironia! Olhando você agora, não me reconheço mais. Sempre silencioso, discreto, fazendo um contraponto cheio de charme ao temperamento febril e agitado que carrego. Mas por debaixo dessa aparência pacata e conciliadora, existe uma natureza extremamente cruel e maléfica. Resolvi que não o quero mais.

Mas a idéia da separação não me causa sofrimento algum, pelo contrário, me faz sentir uma força que jamais havia experimentado. Hoje, neste exato momento, deixá-lo, abandoná-lo é o que mais quero nessa vida!…É…Essa foi a minha última tragada.

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