Ao Joca, com carinho | Por Emiliano José

João Carlos Teixeira Gomes é um dos grandes nomes do jornalismo baiano. Tenho por ele estima e admiração. Cometeu equívocos, no entanto, no último artigo publicado neste jornal. Pretendeu contestar avaliação que faço sobre a grande imprensa no Brasil, inclusive sobre o Jornal da Bahia, quanto à atitude em relação à ditadura.

É evidente que não digo nenhuma novidade e, para efeito de raciocínio, excluamos momentaneamente a imprensa baiana: a grande imprensa no Brasil foi conivente com a ditadura. No mínimo, para acompanhar Bernardo Kucinski em seu Jornalistas e Revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa, adotou uma atitude complacente com o regime de terror. Se quisermos acompanhar outras análises, basta ir a Beatriz Kushnir, com seu extraordinário Cães de Guarda, onde revela o quanto havia de cumplicidade entre a mídia e a ditadura.

Quanto ao Jornal da Bahia, onde trabalhei em mais de uma ocasião, tendo sido chefe de reportagem, pauteiro, repórter especial e editor de política, devo ressaltar, como já o fiz em várias ocasiões, seu papel renovador quando nasce, sua atitude firme de combate ao tirano da província à época. É, portanto, uma experiência do maior valor, e isso deve ser destacado, como tem sido.

O que disse é que o jornal não combateu a ditadura. E por não combate à ditadura estou querendo dizer que era simpático, ou assim se manifestava, ao então ditador Garrastazu Médici, o mais sanguinário dos generais que ocuparam a presidência entre 1964 e 1985. Em várias ocasiões, Médici era elogiado pelo jornal. Isso não é uma opinião apenas. Basta que se vá à coleção do Jornal da Bahia e lá se encontrará o que estou dizendo. É da história. Longe de mim, no entanto, ao constatar isso, desconhecer o quanto de mérito teve o jornal ao enfrentar o tirano da província.

O próprio João Carlos Teixeira Gomes, em seu texto, curiosamente, confessa esse fato ao dizer que o jornal não podia combater em duas frentes. Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim. É Paulinho da Viola. E sou eu. Posso compreender que o jornal tenha preferido o caminho de ser condescendente com a ditadura em cima para brigar cá embaixo. Tudo bem, mas não é possível desconhecer o que aconteceu. Posso compreender que a imprensa regional seguia os passos dos grandes jornalões, todos eles coniventes com a ditadura. Mas, o meu olhar não pode se desviar do fato que foi a conivência.

Certamente, João Carlos Teixeira Gomes não teve tempo de ler com atenção o prefácio que fiz ao livro de João Falcão. Eu digo exatamente o que estou dizendo aqui e o que disse aos alunos que me entrevistaram. Não escondi minha opinião. Reafirmo: não se desconheçam os méritos do combate baiano, mas não se esconda a condescendência com a ditadura no plano nacional. A admiração e a estima permanecem. Ponto final.

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