Tibet livre já!!! | Por Christina Thedim

O budismo tibetano é resultado de muitas discussões, desde os tempos mais remotos, sobre a melhor maneira de se resguardar as milenares tradições das raízes da cultura budista. Essas discussões nem sempre foram pacíficas, sendo os monges budistas, digamos, contemporâneos, bastante perseguidos pelos antigos reinados, adeptos da religião Bön, termo tibetano que significa invocação ou recitação, e que se referia aos movimentos religiosos que surgiram, no oeste do Tibet, antes da introdução do budismo. Seus sacerdotes eram adeptos de práticas xamânicas e animistas, divinações, curas e exorcismos, cerimômias essas que tinham como função primordial trazer vida longa e benesses aos reis. O budismo tibetano e o bön beberam na mesma fonte e trazem muitas semelhanças em suas características básicas. Ainda hoje, em algumas regiões, o Bön é ainda praticado na sua essência, onde os espíritos são invocados e oferendas e divinações são realizadas.

No século IX o último rei da dinastia budista, Langdarma, após cruel perseguição e destruição de uma grande parte dos monastérios existentes, foi assassinado por um monge, e as lutas entre as duas vertentes do budismo foram constantes até o final do século. Aos poucos, elas cessaram e um novo tempo de estudo e revitalização das tradições budistas foi se traduzindo nas quatro principais escolas que representam o budismo, não só no Tibet, como mundo afora, e que, apesar de suas diversidades, são coesas em seus fundamentos filosóficos.

No intuito de preservar a religião budista, o Tibet, até mesmo pela própria posição geográfica de difícil acesso, tornou-se avesso a entrada de estrangeiros e turistas, dificultando-lhes a entrada e a permanência no país. Mas, no ano de 1950, foi invadido pela China comunista que tenta, até hoje, extirpar a religião budista que, mesmo sob tamanha pressão armada, é ainda praticada por 65% da população. Cerca de 30 anos antes, o presciente Décimo Terceiro Dalai Lama, já havia feito sinistras previsões sobre os planos chineses de conquista da região e de repressão a prática do budismo pela população. Suas advertências foram, infelizmente, ignoradas pelos monges, mais preocupados em manter as tradições que as defenderem dos futuros invasores e predadores. O atual Dalai Lama ainda permaneceu e resistiu por nove anos em Lhassa, capital tibetana, tentando um acordo pacífico com o governo chinês. Mas teve que fugir, sob a cobertura de milhares de tibetanos que cercaram o palácio.

Vestido de camponês, deixou o palácio na escuridão da noite e atravessou as montanhas no lombo de um burro e a pé, numa jornada difícil e perigosa, conseguindo asilo político na India, onde reside até hoje, na cidade de Dharamsala. O exército chinês, sempre impiedoso, no dia seguinte, sem saber que o Dalai Lama havia fugido, disparou seus canhões, exterminando milhares de civis tibetanos que lá ficaram, dispostos a morrer pelo seu direito de independência e culto ao budismo. Muitos outros monges e monjas budistas, além de outros adeptos, tiveram que fugir do Tibet(cerca de 100 mil), antes que os chineses fechassem definitivamente as fronteiras. Vários deles morreram durante a dura travessia do Himalaia. Os que ficaram foram presos, torturados e assassinados. Pelos cálculos da Anistia Internacional, 1.200.000 tibetanos foram mortos e um grande número ainda permane em campos de concentração de prisioneiros no norte do país. Atualmente, no platô himalaio, apenas 24 mosteiros encontram-se de pé, a título de exibição.

Para nós, ocidentais, a invasão trouxe o benefício da disseminação e divulgação do budismo para o resto do planeta, pois os monges e monjas fugitivos fixaram residência em vários países. No ano de 1989, o prêmio Nobel da Paz foi concedido ao Dalai Lama, por sua atitude compassiva em relação aos opressores chineses, num grande exemplo dos ensinamentos de Buda.

Nos últimos dias, novos levantes se deram em Lhassa e o governo chinês, mais uma vez, usou a força repressora de seus exércitos para debelar as manifestações de descontentamento dos tibetanos contra a dominação de seu país. Disseram que têm até segunda-feira para acalmar os ânimos exaltados ou as coisas irão ficar ainda muito piores que já estão.

E é esse o país que quer abrigar os próximos jogos olímpicos em 2010?! Proponho um grande boicote a essa olimpíadas, fazendo coro a muitos outros que comungam da mesma opinião. Um país que não respeita os direitos humanos de liberdade de expressão e religiosa não pode ser anfitrião de uma festa de confraternização e respeito entre os povos participantes de tão grandioso evento e, muito menos, na sede de conquistar um lugar no mundo dos que “ditam as regras econômicas”, colher os frutos financeiros que dele advirão.

Como simpatizante do budismo que sou, inicio também uma campanha de BOICOTE A CHINA, não levando nossas divisas a território tão hostil e dono de uma mentalidade ultrapassada que faz da força sua aliada para manter a dominação do Tibet e do sofrido povo que habita a árida região.
Fale comigo: [email protected]

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