Madre Teresa de Calcutá | Por Christina Thedim

Hoje, dia 8 de março de 2008, comemora-se em todo o mundo ocidental, o Dia Internacional da mulher! Sempre que penso em alguém que represente com força e dignidade a condição feminina, vejo claramente a figura de Agnes Gonxha Bojaxhiu, mais conhecida por Madre Teresa de Calcutá. Nasceu em Skopie, capital da Macedônia, no dia 26 de agosto de 1910, virginiana típica, no seio de uma família católica e com um pai dotado de um rigoroso código de ética, que o levava a tomar partido diante dos conflitos étnicos, fazendo da política uma paixão.

Foi morto em 1919 devido a suas posições nada veladas e a família passou por grandes dificuldades, pois Drana, sua mãe, enfrentou problemas com o sócio, sendo levada a fazer frente aos negócios e cuidar do patrimônio, assumindo os gastos familiares. Por ser uma pessoa de intensa religiosidade, logo percebeu a tendência de sua filha para tais ofícios. Moravam perto da paróquia do Sagrado Coração e o padre Frnajo Jambrekovic foi pioneiro ao incentivar Gonxha na leitura de textos missionários.

Aos 12 anos de idade, ela mesma conta que sentiu os primeiros impulsos de também tornar-se uma missionária e servir a Deus ajudando os menos favorecidos socialmente. Entrou então para a congregação Mariana das Filhas de Maria e passou a auxiliar os pobres em sua própria residência. Esse chamado divino foi totalmente compreendido quando, aos pés da Virgem de Letnice, foi tomada por uma imensa alegria interior diante de tal apelo.

Aos 18 anos mudou-se para a Irlanda, onde ficava o Instituto da Beata Virgem, abdicando da companhia e do conforto da mãe, a qual jamais veria novamente em vida. Um ano depois, viajou para a India e instalou-se em Dajeerling, onde continuou seus estudos no seminário da Ordem e veio a optar, anos depois, inspirada em santa Teresa D’avila, pelo nome religioso de Teresa.

Como representante das damas Irlandesas na India, foi para Calcutá, onde também lecionava história e geografia no colégio Santa Maria, o único para meninas católicas na cidade. Em seguida, estendeu seus ensinamentos para as meninas mais pobres, em Entally.

A dominação inglesa no país levava ao povo aspirações de independência numa luta sem violência, sob o comando do mestre Mahatma Ghandi. Foi nessa época que o chamado religioso foi finalmente aceito na sua totalidade e esplendor e Teresa passou a se dedicar integralmente a sua missão religiosa junto aos pobres e desvalidos, juntando-se a um grupo de irmãs indianas na cidade de Bengala que seguiam as regras jesuíticas, as Filhas de Santa Ana.

Por seu trabalho e dedicação a uma causa tão nobre e difícil, recebeu da Santa Sé permissão para levar “seus pobres” para um lugar onde pudessem morrer em paz e com o mínimo de dignidade. As pessoas que recolhia eram exatamente aquelas que nem mesmo se chegava perto, os párias sociais ou “intocáveis”. Abriu também um orfanato, a Casa da Esperança e, no ano de 1950, recebeu do Papa Pio XII a aprovação oficial para fundar a congregação religiosa “Missionárias da Caridade”, dedicadas a servir os mais pobres entre os mais pobres, contando hoje com mais de 4.000 irmãs congregadas, espalhadas por 95 países. O hábito, um sári(vestimenta feminina indiana) na cor branca, simbolizando a pureza , com barras azuis, em homenagem a Virgem Maria era o que as identificava em meio a multidão.

Tinham por princípio o abandono de todos os bens materiais. Seus únicos espólios eram: um prato esmaltado, um jogo de roupas íntimas, um par de sandálias, um pedaço de sabão, uma almofada e um colchão, um par de lençóis e um balde com o número correspondente.
O Papa João Paulo II confiou às religiosas de Madre Teresa na Itália a casa “Dom de Maria”, ao lado do Palácio do Santo Ofício, no Vaticano, para cuidarem dos moribundos e excluídos socialmente. Tornou-a beata no dia 19 de outubro de 2003 por seu trabalho e de suas irmãs de fé junto a leprosos, aidéticos, idosos, cegos e doentes de tantos lugares pelo mundo todo.

Apesar de sua constância na caridade e cuidado com os “esquecidos do mundo”, assim como Jesus, também ela, muitas vezes, se questionava sobre a existência de Deus, quando não ouvia Suas respostas diante da miséria e solidão em que se encontravam aquelas pessoas. Perdia a ilusão mas não a compaixão, e continuava firme em seu propósito, acordando todos os dias às 4:30 da manhã, apesar de todas as dificuldades que encontrava, principalmente as espirituais. Certa vez, ao vê-la lavando as chagas de um doente com lepra, um jornalista americano disse: “Eu não faria isso nem por um milhão de dólares!”, ao que ela respondeu prontamente: “Nem eu”.

Num ato de justiça recebeu, em 1979, o prêmio Nobel da Paz por sua incansável luta e dedicação pelos menos favorecidos, vindo a falecer numa sexta-feira do dia 5 de setembro de 1997,aos 87 anos, vítima de uma parada cardíaca. Milhares de pessoas de todo o mundo, incluindo chefes de estado, perfilaram-se para se despedirem dela, prestando-lhe as últimas homenagens.
O padre Brian Kolodiejchuk, que vem a ser o postulador da causa de sua canonização, publicou no livro Madre Teresa: Come be my light, uma coleção de cartas, dirigidas a alguns conselheiros espirituais que revelavam suas profundas dúvidas quanto à fé em Deus, o que provocou muitas discussões sobre suas posições agnósticas.

Seu trabalho continua através da irmã Nirmala, eleita sua sucessora, em 1997.

“Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”.
Madre Teresa de Calcutá.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]