Deus Custa Caro

Sempre que eu passo em frente a um templo protestante, fico observando e admirando a ostentação que ali se instalou. Outrora, local de orações e de adoração a Deus, onde se agradeciam as graças concedidas por Ele. Atualmente, esses templos viraram uma casa comercial como outra qualquer. O dízimo e as ofertas – que deveriam ser um gesto espontâneo do fiel – destinados para manutenção da base de sustentação da igreja e das pastorais da paróquia – e os pastores sentem um prazer enorme em receber os 10% na maioria das vezes até, mais que isso – está tendo outro destino.

A opulência encontrada nos templos evangélicos pegou a estrada e também foi parar na suntuosidade das mansões dos seus dirigentes. Verdadeiros palácios, dignos de Luiz XIV Rei da França!!! Tudo conseguido em nome de Deus eterno, que não cobra dos seus filhos nenhum pagamento em moeda, só em atitudes, amor ao próximo, dando água a quem tem sede, comida a quem tem fome e uma palavra que console os aflitos.

Só que, na realidade, as coisas não são bem assim. No mês passado, li em uma destas revistas de grande circulação no País, que o “papa do protestantismo brasileiro” – que também deveria ser chamado de pastor cara-de-pau – e dono de um sofisticado grupo de comunicação, está construindo uma mansão em Campos de Jordão, São Paulo, com uma área absurda, com teleférico, medindo a suíte do casal cerca de cem metros quadrados, com banheira de hidro-massagem possuindo capacidade para três casais, entre tantas outras mordomias.

Deus, que deveria ser de graça, custa caro para estes “miseráveis”, pagadores de dízimos, embriagados pelo fanatismo – que muitas vezes é confundido com fé – inocentes e desprotegidos, sem senso critico e que sustentam estes monstros hediondos, sugadores do suor de irmãos que ganham seu dinheiro, de forma honesta, deixando até de se vestir dignamente, ter uma melhor alimentação para dar seu dinheiro a esses terroristas dos dias de hoje, que se auto-denominam de “pastor dos pobres”. Deus é de “graça” para todos, sem distinção.

Medidas, urgentíssimas, devem ser tomadas contra esses caras-de-pau, que se dizem representantes do Criador, vendendo o seu nome e até a ilusão de um espaço no Céu para aqueles desprovidos de um melhor entendimento. Esta situação caótica, e por que não dizer tenebrosa, é o retrato da falta de cultura do povo deste País.

Alberto Peixoto

www.albertopeixoto.com.br
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Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.