“Saberes da Terra” disponibiliza 5,4 mil vagas em 60 municípios

A Secretaria Estadual da Educação (SEC) ampliou em quase 2 mil por cento a oferta de vagas para o programa “Saberes da Terra”, expandindo sua abrangência de três para 60 municípios baianos. Com as novas vagas, serão 180 turmas que vão atender prioritariamente, municípios de quatro territórios: Semi-Árido Nordeste II, Sisal, Itaparica e Velho Chico. Este ano, outros 5.400 estudantes terão a oportunidade de participar do programa desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação (MEC). Até o ano passado, o programa só disponibilizava 300 vagas, distribuídas em dez turmas nos municípios de Conceição do Coité, Banzaê e Ribeira do Pombal.

A proposta do “Saberes da Terra” é desenvolver uma política de educação do campo que possibilite a jovens e adultos agricultores familiares, de 18 a 29 anos, excluídos do sistema formal de ensino, a oportunidade de escolarização na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, integrando ensino fundamental e qualificação social e profissional. A idéia é que, através da soma dos conhecimentos técnicos à prática, os agricultores consigam o desenvolvimento auto-sustentável da comunidade onde vivem. Para isso, cada turma possui um educador e um técnico ou engenheiro agrícola.
O conteúdo das aulas e atividades práticas é baseado na realidade do estudante e deve focar o desenvolvimento da cidadania, da reflexão sobre a etnia, gênero, economia solidária, meio ambiente, além de desenvolver os conteúdos de associativismo, cooperativismo, produção e comercialização dos produtos da zona rural. O curso do “Saberes da Terra” tem duração de 3200 horas e, após a conclusão, os alunos recebem o certificado de concluinte do ensino fundamental profissionalizante, podendo depois continuar os estudos no nível médio, em formação geral ou em educação profissional.

A SEC pretende desenvolver em parceria com os povos do campo uma política pedagógica que seja ecologicamente sustentável, socialmente justa, economicamente viável e culturalmente aceita. “É imprescindível contemplar esses aspectos para a construção de uma política educacional que funcione e respeite as características locais”, pontuou José Humberto Torres Júnior, coordenador de Educação no Campo. Ele entende que os conteúdos apreendidos pelos estudantes das unidades escolares do campo devem ser repassados à comunidade, para que esta se fixe à terra e também se prepare para os momentos difíceis.

Incentivo

Mesmo com 38% da população baiana na zona rural, o estado não tinha uma política especifica de educação que contemplasse os povos que trabalham e moram no campo – meeiros, arrendatários, pequenos produtores familiares rurais, ribeirinhos, quilombolas, entre outras categorias. Atualmente, com a criação da Coordenação de Educação do Campo, esforços estão sendo concentrados na construção de uma política pública de educação para a população do meio rural, que garanta o acesso, a permanência e o sucesso de crianças, jovens e adultos residentes em diferentes comunidades.
Nesse processo de construção, uma das ações a ser implantadas ainda este ano é o Ensino Médio no Campo com Mediação Tecnológica. A idéia é ofertar e garantir aos povos do campo o ensino médio, numa matriz pedagógica que contempla a diversidade e singularidade local. A nova proposta está sendo uma produção coletiva, o que vem possibilitando uma maior aproximação e envolvimento dos movimentos sociais e sindicais e diferentes entidades.

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