“Ainda precisamos do homem?”

Há pouco tempo, conversando com uma amiga, percebi o quanto nós homens estamos em crise. A ampliação dos direitos da mulher impôs aos homens um esvaziamento e uma reforma em sua perspectiva de embrião/modelo da raça humana. A história nos mostra elementos de beneficiamento desse lado sexual e social do ser humano que masculiniza as relações de poder e privilegia um modo de ver o mundo a partir do macho provedor.

Identificamos variadas “personalidades” que o homem tem utilizado para sobreviver num mundo cada vez mais diluído dos valores que o sustentou por séculos. Surge então um dilema para nós, homens: em que medida ainda somos necessários – como modelo – ao mundo e às mulheres?

É fato que homens e mulheres utilizam emblemas do mundo masculino para afirmar-se nas relações sociais e de poder. Como se o macho brutalizado, enquanto variação do masculino, fosse um tipo a ser seguido. De outro lado, muitos homens e mulheres usam os emblemas da força feminina para exercer também poderes sociais e políticos. Há uma confusão entre as atribuições e tarefas do homem e da mulher modernos que nos impede de conservar o lugar de cada gênero naquela convenção estabelecida no passado do que é mundo do macho e mundo da fêmea. Então preciso de uma segunda resposta: em que medida o mundo feminino criado para as mulheres ainda é necessário para elas?

Alguns discursos afirmam que nós homens seremos sempre opressores e apenas apresentamos traços de um machismo esclarecido que nos livra das acusações de insensíveis e concentradores de poder. Nesse sentido, ao tentar vencer o homem e o poder que ele representa, a mulher em luta contra o machismo, segue uma trilha, em alguns momentos, contraproducente, distanciando-se de um debate em que o homem teria que assumir e participar da construção da emancipação feminina. É preciso conhecer e incluir o opressor no projeto do oprimido. Porque aprendemos que o branco, o rico e indivíduo culto devem ter sua cota de responsabilidade sobre a ampliação dos direitos do negro, do pobre e do analfabeto.

Algo deve surgir como uma senha para uma nova Era em que o homem e a mulher passem a existir como modelos de solidariedade e cumplicidade cumprindo a sina de serem eternamente diferentes em seus olhares sobre as coisas, mas convivendo e compartilhando eternamente o milagre da criação da vida. Ou, como nos ensina alguns povos orientais e alguns povos africanos: não existe mulher e não existe homem – isso foi coisa do mundo ocidentalizado. Todos se compõem de traços masculinos e femininos – é o que passamos a chamar de androginia social. Este pode ser o início do debate a respeito dessa fórmula machista que ainda impera em nós, para assim passarmos a instituir novos valores e práticas sociais, e, alcançarmos o sentido de um mundo em que não será necessário comemorar um Dia da Mulher!

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